Como se chama a mulher em português de Portugal?

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Em português de Portugal, a mulher é chamada de "mulher". Para jovens do sexo feminino, é comum usar "rapariga", termo amplamente aceito e sem conotação negativa. Informalmente, e dependendo do contexto, pode-se ouvir "gaja", que é mais coloquial, mas também utilizado para se referir a uma mulher.
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Qual o nome certo para mulher no português europeu de Portugal?

Em Portugal, para se referir a uma mulher, o termo correto é "mulher". Para jovens do sexo feminino, usa-se "rapariga" ou, informalmente, "gaja".

Ah, essas palavras. Lembro-me bem da primeira vez que ouvi alguém a dizer "rapariga" em Lisboa. Fui ao café ali na Rua de São Bento, era 2018, e a senhora atrás do balcão, que devia ter uns sessenta e muitos anos, virou-se para uma miúda, talvez com vinte e poucos, e disse "O que quer a rapariga?". A minha cabeça fez um nó. Na minha cabeça, "rapariga" tinha um peso diferente, algo quase pejorativo noutros sítios, mas aqui era normalíssimo, só significava "jovem mulher", nada mais. Percebi que ali era só a maneira de falar, sem malícia, sabe.

Custou-me um pouco habituar, confesso. Havia dias em que me sentia uma "mulher" já, com a minha vida, os meus problemas, e ouvir "rapariga" parecia que me tirava uns anos, como se ainda estivesse a aprender a atar os sapatos. Mas depois via as senhoras mais velhas, com o cabelo todo arranjado, a dizerem "as raparigas" para as filhas já adultas, e a coisa normalizava-se. É uma questão de contexto e de sítio, acho eu, e de como a cultura molda a língua sem a gente dar por isso, é curioso.

E "gaja"? Essa é outra história. Ouvi pela primeira vez no Bairro Alto, numa noite de sábado, já bem tarde. Dois rapazes, um deles apontou para alguém e disse "Olha aquela gaja!". Senti que era muito informal, quase de rua, sabe? Não é uma palavra que eu usaria assim num contexto mais sério, parece que a gente está a desvalorizar um pouco a pessoa, ou a falar dela de uma forma mais, sei lá, "descontraída" demais. É para os amigos, para as conversas soltas, para o futebol, para a cerveja, para coisas assim. É uma palavra com um tom bem específico, um bocado atrevida, às vezes, um pouco grosseira talvez.

No fundo, acho que "mulher" é sempre a forma mais segura, a mais respeitosa, a mais universal para falar de nós, não é? Não tem margem para dúvidas. Mas as outras, "rapariga" e "gaja", elas contam um pouco da história do sítio, das pessoas, das suas relações, das suas informalidades. Cada uma tem o seu lugar, o seu cheiro, a sua forma de ser dita. É fascinante, na verdade, como uma palavra pode carregar tantos significados e tantas emoções dependendo de quem a diz e de onde a diz. E como a gente aprende a navegar isso tudo.