Qual exame é feito para saber se uma pessoa é bipolar?

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O diagnóstico do transtorno afetivo bipolar requer uma avaliação completa. O psiquiatra considera detalhadamente a história clínica do indivíduo, analisando seus sintomas e comportamentos ao longo do tempo. Um exame psíquico minucioso, observando sinais e sintomas apresentados, é fundamental para a definição precisa do diagnóstico. A combinação dessas informações permite uma conclusão segura.

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Desvendando a Bipolaridade: A Avaliação Clínica Detalhada e a Busca por um Diagnóstico Preciso

Ao contrário do que muitos podem pensar, não existe um exame de sangue, imagem cerebral ou teste genético capaz de cravar, com 100% de certeza, se uma pessoa é bipolar. O diagnóstico do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é essencialmente clínico, dependendo da expertise de um profissional de saúde mental, geralmente um psiquiatra, para identificar os padrões característicos da doença.

A avaliação para identificar a bipolaridade é um processo complexo e minucioso, que vai além de um simples questionário ou consulta rápida. Ela se baseia principalmente na história clínica detalhada do indivíduo. O psiquiatra age como um detetive, buscando pistas e padrões de comportamento que apontem para a alternância entre episódios de mania (ou hipomania, uma forma mais branda da mania) e depressão.

O que o psiquiatra investiga na história clínica?

  • Sintomas Passados e Presentes: O médico investiga a presença de sintomas de mania/hipomania (euforia, irritabilidade, grandiosidade, diminuição da necessidade de sono, agitação, impulsividade, etc.) e depressão (tristeza, perda de interesse, fadiga, alterações no sono e apetite, dificuldade de concentração, pensamentos de morte, etc.). É crucial detalhar a intensidade, duração e frequência desses episódios.
  • Histórico Familiar: A bipolaridade tem uma forte predisposição genética. Investigar se há casos de transtornos do humor na família (bipolaridade, depressão, etc.) é fundamental.
  • Histórico Médico e Uso de Substâncias: Algumas condições médicas e o uso de álcool ou drogas podem mimetizar ou exacerbar os sintomas do TAB.
  • Impacto na Vida: O psiquiatra avalia como os sintomas afetam a vida do paciente: trabalho, relacionamentos, estudos, finanças, etc. A disfuncionalidade causada pelos episódios é um fator importante para o diagnóstico.

O Exame Psíquico: Observando o “Agora”

Além da história clínica, o exame psíquico é outro pilar fundamental. Durante a consulta, o psiquiatra observa atentamente o comportamento do paciente:

  • Aparência e Comportamento: A forma como a pessoa se veste, se comporta, gesticula e interage pode fornecer pistas importantes.
  • Humor e Afeto: O humor é o estado emocional predominante, enquanto o afeto é a expressão desse humor. O psiquiatra observa se o humor do paciente é congruente com a situação, se há labilidade emocional (mudanças rápidas de humor) e outros sinais relevantes.
  • Pensamento: O curso, conteúdo e forma do pensamento são avaliados. O médico investiga se há delírios, alucinações, ideias obsessivas, etc.
  • Cognição: Atenção, concentração, memória e orientação são avaliadas para descartar outras condições que possam estar causando os sintomas.

Diagnóstico Diferencial: Eliminando Outras Possibilidades

É importante ressaltar que o diagnóstico de bipolaridade é um diagnóstico diferencial. Isso significa que o psiquiatra precisa descartar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como:

  • Transtorno de Personalidade Borderline
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
  • Depressão Unipolar
  • Problemas de Tireoide
  • Efeitos Colaterais de Medicamentos
  • Abuso de Substâncias

Em resumo:

Embora não exista um exame específico para diagnosticar a bipolaridade, a avaliação clínica detalhada realizada por um psiquiatra, combinando a história clínica do paciente com o exame psíquico, é a ferramenta mais precisa e confiável para identificar o transtorno e iniciar o tratamento adequado. A busca por um diagnóstico preciso é o primeiro passo para uma vida mais estável e com mais qualidade para quem vive com bipolaridade. Lembre-se: a ajuda profissional é fundamental.