Como fazer o luto de alguém?
Como lidar com o luto de alguém?
Perdi minha avó em 2018, bem no dia do meu aniversário, 12 de julho. Foi um baque. Lembro que não conseguia sentir, tipo, nada era real. Aquele bolo de chocolate que ela sempre fazia... ficou lá, intocado.
Chorei por dias, me isolei no quarto. Minha mãe tentava me chamar, mas eu não queria ver ninguém. Depois de um tempo, comecei a olhar as fotos dela, rindo com a gente na praia de Ipanema, no Rio. A viagem foi em 2015, gastamos uma fortuna com protetor solar, mas valeu a pena.
Conversar com minha mãe também ajudou. Ela me contou histórias da infância da vó, coisas que eu nem sabia. Esses momentos, meio que trouxeram ela de volta, sabe? Não a vó em si, mas a lembrança, o carinho. Acho que me ajudou a aceitar, um pouco. Ainda dói, claro, mas é diferente.
Comecei a sair de novo, voltei pro trabalho. A vida segue, né? Mas com um pedaço faltando. É importante se permitir sentir a dor, mas também lembrar dos momentos bons. Isso ajuda, pelo menos pra mim, ajudou.
É obrigatório andar com documentos de identificação?
A carteira na bolsa, fria contra a pele. Um peso quase imperceptível, mas carregado de significado. Lembro da minha avó, alisando a carteira de plástico desbotado, guardando-a como um tesouro. Dentro, a foto dela, jovem, séria. Um outro tempo.
- Sim, é obrigatório portar documento de identificação.
O tempo escorre, grãos de areia entre os dedos. As coisas mudam, as leis mudam. Rostos impressos em cartões, códigos de barra, chips. Marcas da nossa identidade, fragmentos de quem somos nesse mundo.
- A partir dos 16 anos, é obrigatório.
A luz entra pela janela, um retângulo brilhante no chão. Observo a poeira dançando, pequenos universos em suspensão. Penso nas minhas próprias identidades, nas camadas que me formam.
- Lugares públicos, abertos ao público ou sujeitos à vigilância policial.
Minha carteira, um objeto pequeno, contém pedaços da minha história. Fotos antigas, cartões esquecidos, bilhetes de cinema. Um espelho que reflete quem fui, quem sou, quem talvez me torne.
Lembro da minha primeira carteira. Orgulho infantil de pertencer, de ser reconhecida. Um ritual de passagem, uma chave para o mundo.
O sol se move, a sombra muda de lugar. O tempo continua a escorrer, implacável. E a carteira, na bolsa, permanece. Uma lembrança silenciosa da minha existência verificável, da minha identidade comprovada. Um pedaço de mim, carregado no bolso, esperando ser revelado.
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