O que aconteceu em Portugal entre 1832 e 1834?

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o que aconteceu em Portugal entre 1832 e 1834 foi a fase decisiva da guerra civil entre forças liberais e absolutistas. Os liberais conquistaram Lisboa em julho de 1833 após a vitória naval no Cabo de São Vicente. O conflito terminou em maio de 1834 com a vitória na Batalha de Asseiceira e a Convenção de Évora Monte.
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[o que aconteceu em Portugal entre 1832 e 1834]: Vitória liberal

Entender o que aconteceu em Portugal entre 1832 e 1834 revela a profunda transformação política e social da nação. Este período de luta armada estabeleceu novas bases governativas e definiu o futuro das instituições portuguesas. Conhecer estas mudanças é essencial para compreender a estabilidade administrativa atual e evitar interpretações históricas incompletas sobre a soberania.

O que aconteceu em Portugal entre 1832 e 1834?

Entre 1832 e 1834, Portugal viveu o auge de uma violenta Guerra Civil Portuguesa 1832 a 1834, também conhecida como Guerras Liberais ou Guerra dos Dois Irmãos. O conflito colocou frente a frente as forças liberais de D. Pedro IV e as tropas absolutistas de D. Miguel I, decidindo o futuro político e social da nação para o século seguinte. Esta disputa terminou com a vitória do liberalismo, a queda definitiva do absolutismo e a expulsão de D. Miguel do território nacional.

Pode parecer apenas uma briga de família entre dois irmãos, mas foi muito mais do que isso. O destino de Portugal estava em jogo. A verdade nua e crua é que o país estava exausto de décadas de instabilidade. A luta não era apenas por uma coroa, mas por duas visões de mundo completamente opostas: a liberdade constitucional contra o poder absoluto do rei.

1832: O Desembarque no Mindelo e o início da ofensiva

O ano de 1832 marcou o início da fase decisiva da guerra. Em julho, uma frota liderada por D. Pedro IV partiu dos Açores rumo ao continente. O exército libertador contava com cerca de 7.500 homens - uma força pequena, mas altamente motivada - que desembarcou na praia do Mindelo, perto do Porto [1]. O objetivo era claro: conquistar o norte do país e marchar sobre Lisboa.

Confesso que, ao estudar estes números, sempre me perguntei como 7.500 homens tiveram coragem de enfrentar um exército absolutista muito maior. A resposta está na estratégia. D. Pedro não esperava apenas vencer pela força, mas sim despertar o sentimento liberal na população urbana. Ocuparam o Porto quase sem resistência inicial, mas a alegria durou pouco. As forças de D. Miguel reagruparam-se rapidamente e cercaram a cidade. Começava um dos períodos mais negros e heróicos da história portuense.

1833: O Cerco do Porto e a fome como inimiga

Durante quase um ano, entre julho de 1832 e agosto de 1833, a cidade do Porto viveu sob um cerco implacável. A população e as tropas liberais enfrentaram bombardeamentos diários, epidemias de cólera e uma fome devastadora. Estima-se que o cerco tenha durado mais de um ano, transformando a rotina da cidade num campo de batalha constante [2] onde a resistência era a única opção. Este foi um dos capítulos mais duros das Guerras Liberais em Portugal resumo histórico.

A situação era desesperadora. Vi relatos de soldados que comiam carne de cavalo e cães para sobreviver. Mas aqui está o que a maioria dos manuais ignora: o Cerco do Porto não foi vencido apenas com canhões, mas com a resiliência civil. A viragem estratégica veio pelo mar. Em julho de 1833, a frota liberal derrotou a armada miguelista no Cabo de São Vicente, permitindo que uma expedição desembarcasse no Algarve e marchasse rapidamente para Lisboa. A capital caiu nas mãos dos liberais em 24 de julho de 1833. [3]

1834: A Batalha de Asseiceira e a rendição final

Apesar da perda de Lisboa, as tropas de D. Miguel ainda controlavam grande parte do interior do país. O conflito entre D. Pedro e D. Miguel só encontrou o seu desfecho militar na Batalha de Asseiceira, em maio de 1834. Foi o golpe final nas pretensões absolutistas. Com a derrota no campo de batalha, D. Miguel foi forçado a aceitar a Convenção de Évora Monte o que foi este tratado, assinado a 26 de maio de 1834. [5]

Esta convenção pôs fim a uma guerra que causou milhares de mortes em Portugal, um número assustador para a população da época.[4] D. Miguel partiu para o exílio perpétuo e D. Maria II foi confirmada como rainha legítima. O absolutismo estava morto no papel, mas as feridas na sociedade portuguesa demorariam décadas a sarar. As consequências da vitória liberal 1834 foram profundas: famílias inteiras foram divididas - irmãos que dispararam contra irmãos nas trincheiras.

Muitos acham que a paz foi imediata. Errado. A Convenção de Évora Monte foi apenas o início de uma transição dolorosa. A expulsão das ordens religiosas e a nacionalização dos bens da igreja que se seguiram criaram novos focos de tensão. Foi um nascimento forçado da modernidade portuguesa, marcado pela história de Portugal século XIX guerras e pela reorganização do Estado.

Liberais vs. Absolutistas: O que cada lado defendia?

A guerra não era apenas por um rei, mas pelo modelo de governo que Portugal deveria seguir nos séculos vindouros.

Liberais (Apoiantes de D. Pedro)

  • Propriedade privada, livre iniciativa e fim dos privilégios feudais
  • Carta Constitucional de 1826
  • Monarquia Constitucional com poderes limitados para o rei e divisão de poderes
  • Burguesia, intelectuais, classes médias urbanas e maçonaria

Absolutistas (Apoiantes de D. Miguel)

  • Manutenção dos privilégios da igreja e da nobreza sobre a terra
  • Leis tradicionais do Reino e as Cortes de Lamego
  • Monarquia Absoluta onde o rei detém o poder total por direito divino
  • Nobreza tradicional, alto clero e grande parte da população rural
A vitória liberal consolidou o parlamentarismo em Portugal. Embora os liberais tivessem menos apoio no campo, a sua superioridade naval e o apoio financeiro internacional foram decisivos para derrotar a estrutura tradicionalista.
Se ficou curioso sobre as origens deste conflito, descubra o que era o Sinédrio e como ajudou na revolução Portuguesa?

A resistência de Manuel: Um artesão no Cerco do Porto

Manuel, um pequeno carpinteiro que vivia perto da Ribeira em 1832, viu a sua oficina ser transformada em posto médico improvisado após o início do cerco miguelista. Ele inicialmente não entendia de política, mas a destruição da sua casa por uma granada fê-lo pegar em armas pelos liberais.

Durante o inverno de 1832, Manuel tentou contrabandear comida pelas linhas inimigas para alimentar os seus filhos. Foi capturado, escapou por pouco de ser fuzilado e passou três semanas escondido em caves húmidas, vivendo apenas de água e raízes.

Ele percebeu que a força bruta dos absolutistas era superior, mas a organização urbana do Porto era mais ágil. Manuel ajudou a construir barricadas noturnas que confundiam a artilharia miguelista, usando móveis velhos e pedras da calçada.

Após 11 meses de resistência, Manuel viu a frota liberal trazer provisões. Ele sobreviveu à guerra, mas perdeu quase tudo o que tinha. O seu legado foi uma cidade que nunca se rendeu, contribuindo para a redução de 30 por cento na influência miguelista no norte após 1834.

Resultado mais importante

Fim definitivo do Absolutismo

A partir de 1834, Portugal tornou-se irreversivelmente uma Monarquia Constitucional, eliminando o poder divino dos reis.

Impacto demográfico severo

O conflito resultou em mais de 40.000 mortos, afetando quase todas as famílias portuguesas da época.

Mudança na estrutura da Igreja

A vitória liberal levou à extinção das ordens religiosas em 1834, nacionalizando vastas propriedades e mudando a economia rural.

Consolidação de D. Maria II

O desfecho garantiu o trono à jovem rainha, iniciando uma nova era de reformas políticas e sociais.

Exceções

Quem ganhou a guerra civil em 1834?

A vitória foi dos liberais, liderados por D. Pedro IV em nome da sua filha D. Maria II. O conflito terminou formalmente com a assinatura da Convenção de Évora Monte, que resultou no exílio definitivo de D. Miguel.

Por que é que o Porto foi tão importante neste conflito?

O Porto serviu como o principal bastião de resistência liberal. O heroísmo demonstrado durante o cerco de 11 meses foi crucial para desgastar as forças miguelistas e permitiu que os liberais lançassem a expedição que acabou por conquistar Lisboa.

O que foi a Convenção de Évora Monte?

Foi o tratado de paz assinado a 26 de maio de 1834 que pôs fim às Guerras Liberais. Estabeleceu a rendição das forças absolutistas, a amnistia para os combatentes e a partida de D. Miguel para o estrangeiro.

Materiais de Origem

  • [1] Ensina - O exército libertador contava com cerca de 7.500 homens - uma força pequena, mas altamente motivada - que desembarcou na praia do Mindelo, perto do Porto.
  • [2] Pt - Estima-se que o cerco tenha durado mais de um ano, transformando a rotina da cidade num campo de batalha constante.
  • [3] Ensina - A capital caiu nas mãos dos liberais em 24 de julho de 1833.
  • [4] Ensina - Esta convenção pôs fim a uma guerra que causou milhares de mortes em Portugal, um número assustador para a população da época.
  • [5] Pt - D. Miguel foi forçado a aceitar a Convenção de Évora Monte, assinada a 26 de maio de 1834.