Quantos foram os reis de Portugal?
Quantos foram os reis de Portugal? 34 monarcas
A história monárquica portuguesa é marcada por várias dinastias e soberanos que moldaram a identidade nacional ao longo dos séculos. Conhecer a cronologia dos governantes ajuda a compreender a evolução política e cultural do país até à transição para o regime republicano, descobrindo quantos foram os reis de Portugal.
A contagem oficial dos soberanos na história de Portugal
A história da monarquia independente portuguesa pode ser compreendida sob diferentes perspetivas cronológicas, mas a resposta a quantos foram os reis de Portugal depende diretamente do critério de legitimação política utilizado. Oficialmente, a historiografia consolidada contabiliza 34 reis ao longo da história da monarquia nacional, iniciando a contagem em D. Afonso Henriques e terminando com a deposição de D. Manuel II.
No entanto, esta questão costuma ter mais do que uma explicação legítima quando analisamos os detalhes biográficos e políticos da sucessão. Se incluirmos monarcas com aclamações contestadas ou de curto reinado efetivo, o número total sobe para 35 monarcas. A diferença reside na validação de períodos de crise e na aceitação de figuras cujos governos não obtiveram consenso unânime entre as cortes e os reinos vizinhos.
A divergência dos números: por que existem contagens diferentes?
A variação entre 34 e 35 reis deve-se quase exclusivamente à inclusão de D. António, Prior do Crato, na lista oficial. Aclamado em Santarém durante a crise sucessória de 1580, o seu reinado efetivo durou apenas cerca de 33 dias no continente antes de ser derrotado pelas forças espanholas do Duque de Alba. Embora a sua autoridade tenha resistido na Ilha Terceira, nos Açores, até 1583, a história tradicional tendeu a excluí-lo dos manuais escolares por não ter governado a totalidade do território.
Mas há outra nuances na contagem oficial que costumam confundir os estudantes. A listagem tradicional foca-se em chefes de Estado plenos, o que significa que regentes temporários ou consortes reais sem capacidade executiva autónoma não ganham um número próprio na cronologia de soberanos. Por outro lado, rainhas que governaram por direito próprio, como D. Maria I e D. Maria II, estão perfeitamente integradas na contagem como monarcas soberanas legítimas.
As quatro dinastias que governaram o reino
Durante os 771 anos em que Portugal funcionou como um reino independente, o trono foi partilhado por quatro linhagens ou famílias principais. A transição entre cada uma destas eras foi marcada por crises dinásticas profundas, casamentos estratégicos ou revoluções populares que alteraram a geopolítica da Península Ibérica.
Dinastia Afonsina ou de Borgonha (1139 - 1383)
Foi a dinastia fundadora do país, iniciada quando D. Afonso Henriques assumiu formalmente o título de rei após a Batalha de Ourique. Esta linhagem totalizou 9 reis e foi responsável pela expansão territorial para o sul através da Reconquista, bem como pela definição das fronteiras continentais que permanecem quase inalteradas até hoje.
Dinastia Joanina ou de Avis (1385 - 1580)
Após a crise de 1383-1385, D. João I foi eleito nas Cortes de Coimbra, dando início a uma era de grande expansão marítima e comercial. Esta dinastia contou com 9 reis legítimos (ou 10, se incluirmos o contestado Prior do Crato). Foi o período em que Portugal estabeleceu rotas globais e expandiu a sua influência por vários continentes, consolidando as dinastias dos reis de Portugal.
Dinastia Filipina ou de Habsburgo (1581 - 1640)
Com a morte de D. Sebastião e a falta de herdeiros diretos do Cardeal D. Henrique, o trono foi assumido por Filipe II de Espanha, que se tornou Filipe I de Portugal. Esta dinastia contou com 3 reis, período durante o qual o território português esteve integrado na União Ibérica sob o domínio dos Habsburgos.
Dinastia Brigantina ou de Bragança (1640 - 1910)
A Restauração da Independência em 1640 colocou D. João IV no trono, iniciando a última e mais longa dinastia do país. Contabiliza oficialmente 13 monarcas, cujo percurso termina quando avaliamos quem foi o ultimo rei de portugal no século XX. Esta era testemunhou a transição do absolutismo para o liberalismo constitucional e terminou abruptamente com a Revolução de 5 de Outubro de 1910, que implantou a República.
Resumo das dinastias da monarquia portuguesa
Para compreender de forma simples a distribuição dos monarcas ao longo dos séculos, veja como se dividem os períodos governativos de cada linhagem.
Dinastia de Borgonha
- 9 reis legítimos reconhecidos
- Fundação da nação e consolidação das fronteiras geográficas
- De 1139 a 1383
Dinastia de Avis
- 9 reis oficiais (D. António é considerado o 10º por alguns historiadores)
- Descobrimentos ultramarinos e apogeu do império comercial
- De 1385 a 1580
Dinastia Filipina
- 3 reis (Filipe I, II e III)
- Período da União Ibérica e perda temporária de autonomia política
- De 1581 a 1640
Dinastia de Bragança
- 13 reis (incluindo duas rainhas soberanas)
- Restauração, transição para a monarquia constitucional e fim do regime
- De 1640 a 1910
A Dinastia de Bragança foi a que governou durante mais tempo e a que teve o maior número de monarcas no trono. A Dinastia Filipina foi a mais curta, durando menos de um século, enquanto as duas primeiras dinastias garantiram a fundação e a expansão global do reino.A perspetiva de um estudante: desmistificar a lista de reis
Tiago, um estudante universitário de 20 anos em Coimbra, estava a preparar-se para um exame de História de Portugal. Ele sentia-se frustrado porque encontrava dados contraditórios nos livros, alternando entre 34 e 35 monarcas.
A sua primeira abordagem foi tentar memorizar todos os nomes numa lista linear. O resultado foi péssimo - confundia a ordem dos Filipes e esquecia-se constantemente de D. António, gerando notas fracas nos testes práticos.
O momento de viragem ocorreu quando ele parou de olhar para a lista como um bloco decorado e passou a dividi-la pelas quatro dinastias estruturais. Ele percebeu que a contagem mudava devido ao contexto político de 1580.
Ao focar-se na lógica de cada dinastia, Tiago conseguiu responder com clareza no exame final sobre o estatuto do Prior do Crato, garantindo uma nota excelente e compreendendo que a história viva é feita de nuances.
Mais referências
Quem foi o primeiro rei de Portugal?
O primeiro rei foi D. Afonso Henriques, também conhecido como O Fundador. Ele autoproclamou-se rei em 1139 e viu a independência do seu reino formalmente reconhecida pelos reinos vizinhos em 1143 com o Tratado de Zamora.
Quem foi o último rei de Portugal?
O último monarca a governar o país foi D. Manuel II, apelidado de O Patriota ou O Desventurado. O seu reinado terminou em 1910, na sequência da revolução republicana que o forçou a exilar-se no Reino Unido.
D. António, Prior do Crato, deve ser incluído na lista?
Depende do critério do historiador. Ele foi aclamado pelo povo e governou brevemente na Ilha Terceira, mas a contagem oficial tradicional costuma excluí-lo porque ele perdeu o controlo efetivo do continente em pouco mais de um mês para a Dinastia Filipina.
Resumo e conclusão
O número padrão é 34A contagem oficial mais aceita nos currículos escolares tradicionais defende a existência de 34 reis soberanos legítimos na história lusa.
A exceção de D. AntónioA inclusão de D. António, Prior do Crato, eleva a lista para 35 monarcas, sendo um reflexo da resistência nacionalista contra o domínio espanhol.
Organização em quatro dinastiasTodos os monarcas se dividem entre as dinastias de Borgonha, Avis, Filipina e Bragança, cobrindo o período entre 1139 e 1910.
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