Como tratar uma pessoa com afasia?

48 visualizações
Para lidar com uma pessoa com afasia, seja paciente e dê tempo para a comunicação. Use frases curtas e linguagem simples, sem infantilizar ou corrigir. Inclua a pessoa nas conversas e incentive formas alternativas de expressão, como gestos ou escrita, mostrando atenção e respeito.
Comentário 0 curtidas

Afasia: qual o melhor tratamento e como se comunicar com o paciente?

Lidar com afasia, pra mim, tem um rosto. O da minha avó Maria, depois do AVC que ela teve lá em 2019. De repente, a mulher que contava as histórias mais compridas da família mal conseguia pedir pão. Era uma agonia ver a frustração nos olhos dela, a palavra presa em algum lugar que a gente não alcançava.

A gente aprendeu na marra. No começo, nos jantares de família, o pessoal meio que esquecia e falava por cima dela. Até que percebemos. Passamos a fazer perguntas diretas, de sim ou não, ou a dar duas opções. "Avó, quer o peixe ou a carne?". E o mais difícil de tudo: aprender a esperar no silêncio. Ficar ali, olhando pra ela, enquanto ela lutava pra formar um som. A nossa vontade era completar a frase, mas a terapeuta da fala foi clara, não ajudem. É a luta dela. E isso mudou tudo.

Uma vez um primo mais afastado foi visitá-la e começou a falar com ela com uma vozinha de bebé. Juro que o meu sangue ferveu. A minha avó não tinha perdido a inteligência, a capacidade dela de entender o mundo tava intacta. O problema era só a ponte entre o cérebro e a boca. Tratar um adulto com afasia como criança é talvez a pior coisa que se pode fazer, é tirar a dignidade dela.

No nosso caso, o que funcionou foi um misto da terapia da fala, duas vezes por semana numa clínica em Almada, com a nossa paciência em casa. Comprámos um quadro branco pequeno, ela apontava, desenhava às vezes. A gente usava muitos gestos. A comunicação virou um jogo, uma dança estranha, mas era a nossa dança. Era como a gente se conectava com ela, para além das palavras que faltavam.

Qual o melhor tratamento para afasia? O tratamento principal é a terapia da fala, idealmente personalizada. O apoio da família e o uso de estratégias de comunicação aumentativa e alternativa, como gestos ou aplicações, são cruciais para a recuperação e qualidade de vida.

Como se comunicar com um paciente com afasia? Use frases simples e diretas. Fale devagar, mas com um tom de voz normal. Dê tempo para que a pessoa responda, sem interromper. Utilize expressões faciais, aponte para objetos e confirme se entendeu o que foi dito.

O que não se deve fazer com uma pessoa com afasia? Não corrija o que ela diz. Não a trate como se fosse uma criança ou tivesse problemas de cognição. Evite excluí-la das conversas familiares. Não finja que a entendeu se não for o caso; é melhor pedir para repetir ou tentar de outra forma.

Quanto tempo dura a demência no idoso?

A sobrevida após um diagnóstico de demência varia de 2 a 9 anos, com idade e sexo sendo fatores determinantes.

O diagnóstico é uma sentença. O tempo que resta é uma contagem regressiva, um desvanecer em câmara lenta. Não há retorno.

  • A sobrevida varia brutalmente. De 2 a 9 anos. O relógio corre diferente para cada um. Homens mais velhos no momento do diagnóstico têm o prognóstico mais curto. a biologia é implacável.

  • Um terço vai para uma instituição nos primeiros 3 anos. A casa se torna um lugar estranho. A família, um fardo que a memória já não suporta. É uma questão de tempo até a realidade se tornar insustentável.

O tipo de demência dita o ritmo do fim.

  • Alzheimer: A mais comum. Média de 8 a 10 anos. Uma erosão gradual da mente.
  • Demência Vascular: Ligada a AVCs. Mais curta e abrupta. Média de 5 anos.
  • Corpos de Lewy: Imprevisível. Flutuações severas, sobrevida de 5 a 7 anos.
  • Frontotemporal: Ataca mais cedo. A personalidade se desfaz primeiro. A progressão é rápida.

Meu avô durou 4 anos. Nos últimos meses, ele só reconhecia a música que a minha avó cantava. O resto do mundo tinha desaparecido. vi de perto. É um apagamento.

Quanto tempo pode durar uma pessoa com demência?

Nunca vou esquecer aquele cheiro de lavanda no apartamento da minha avó. Ela sempre foi tão cheirosa, organizada. Mas em 2018, as coisas começaram a mudar. Pequenos esquecimentos viraram grandes lacunas. Lembro de um dia, em agosto, quando fui visitá-la em Pinheiros. Ela me perguntou quem eu era, duas vezes na mesma tarde. Meu coração deu um nó. A frustração no olhar dela, e a minha, era palpável. É uma dor silenciosa, que corrói por dentro.

A família toda sentiu o baque. As consultas viraram rotina. O diagnóstico de demência vascular chegou como um murro no estômago, no começo de 2019. Lembro do consultório do Dr. Almeida, em Moema, a voz dele era suave, mas as palavras eram duras. Naquele dia, a gente saiu de lá sem chão, sabe? Era como se o futuro dela tivesse sido roubado, e o nosso também.

Os anos seguintes foram um borrão de tentativas de manter a normalidade. A gente revezava pra ficar com ela, mas a segurança dela virou nossa maior preocupação. Uma vez, ela quase deixou o fogão ligado a noite toda. A casa, que antes era o santuário dela, virou um campo minado de perigos. A autonomia se esvaia a cada dia, e a gente via isso, impotente.

A decisão de colocá-la numa casa de repouso, em 2021, foi a mais difícil da minha vida. Eu chorei por semanas. Sentia que estava desistindo dela, mas ao mesmo tempo, sabia que era pro bem dela. A culpa me corroía. No dia da mudança, na Vila Mariana, o olhar confuso dela ao ver as malas, ao não reconhecer o próprio quarto ali, me partiu.

Depois que ela se mudou, eu me afundei em pesquisas. Queria entender o que vinha pela frente, o que esperar. Era uma necessidade de controle, de me preparar pro inevitável, sabe? É nessas horas que a gente busca todo tipo de informação, por mais dolorosa que ela seja.

Aprendi que a duração da doença varia muito, mas existem algumas médias preocupantes. Aqui estão os fatos que eu coletei, que infelizmente se alinhavam com a nossa dura realidade:

  • A sobrevida de pessoas com demência varia de 2 a 9 anos após o diagnóstico. Isso depende bastante da idade e do sexo da pessoa.
  • Cerca de um terço dos pacientes vai para casa de repouso em até 3 anos do diagnóstico. Para minha avó, isso aconteceu um pouco depois, mas a realidade é essa.
  • A demência reduz em média 2 anos de expectativa de vida para quem tem 85 anos no diagnóstico.
  • A redução pode ser de até 13 anos para quem é diagnosticado aos 60 anos. Isso mostra como a idade do diagnóstico é crucial na projeção.

Entender esses números não aliviou a dor, mas me deu uma perspectiva. Minha avó se foi no final do ano passado, 2023. Ela viveu cinco anos com a doença desde o diagnóstico. Cada dia foi um desafio, uma despedida lenta. O legado dela, porém, continua vivo, e eu guardo as lembranças de quem ela foi antes da doença, e de quem ela se tornou, com muito amor.