Como não errar concordância verbal?

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Para não errar a concordância verbal, foque no sujeito e seu núcleo. Atente-se ao verbo SER, HAVER (sentido de existir), à partícula SE e ao pronome "que". A prática leva à perfeição e evita deslizes comuns.
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Evitar erros de concordância verbal? Qual o segredo?

Essa coisa de evitar erros de concordância verbal, para mim, é um bocado como tentar acertar na afinação de um instrumento. A gente pensa que sabe, que domina, mas depois está ali uma nota a desafinar, sabes? Eu sinto isso bastante quando estou a escrever algo mais sério, tipo aquele relatório para a reunião de investidores em Lisboa, lá para o final de outubro de 2023, sobre o desempenho da empresa no último trimestre. É uma pressão, ver cada frase, cada verbo.

Lembro-me de uma vez, quando ainda estava a dar os primeiros passos na escrita, lá no liceu em Viseu, e o professor de português, o Dr. Almeida, sublinhava sempre os meus trabalhos. "O sujeito", ele dizia, "é o rei da frase, e o verbo tem de o seguir." Eu escrevia "A maioria dos estudantes estavam satisfeitos", e ele corrigia para "estava". Aquilo ficou-me na cabeça, tipo um mantra, e ainda hoje me pego a pensar nisso. Não é só seguir a regra, é entender o que faz sentido ali.

Depois, há o verbo "ser", que é um verdadeiro camaleão. Recordo-me de uma discussão com os meus primos à mesa do almoço de Natal de 2022, na casa da avó no Alentejo, sobre se "Os Lusíadas é uma obra complexa" ou "são uma obra complexa". Nós trocámos argumentos, rimos um bocado, e chegámos à conclusão que depende do foco, se estamos a falar da obra como um todo (singular) ou das suas várias partes (plural). É uma nuance que me faz pensar na flexibilidade da língua.

E aquela do verbo "haver" com o sentido de existir, essa é um clássico. É "Havia poucos lugares disponíveis" e não "Haviam". Isso é algo que me irrita um pouco quando oiço por aí, nas notícias ou até em conversas informais. Há uns anos, lá para 2017, numa formação que fiz em Coimbra, a palestrante enfatizou muito isso, dando exemplos de textos que pareciam mais formais mas pecavam nesse detalhe. Parece pequeno, mas faz uma diferença enorme na qualidade do que se lê ou ouve.

A partícula "se", então, é uma mina de armadilhas. "Aluga-se apartamentos" ou "Alugam-se apartamentos"? A minha forma de ver é pensar quem está a alugar o quê. Se os apartamentos são o que está a ser alugado, então "alugam-se" eles, no plural. Já vi tantos letreiros com essa confusão, desde montras de lojas de roupa no Porto, na Rua de Santa Catarina, a dizer "Vende-se camisolas", o que me parece tão estranho, até a anúncios online. Fico sempre com a sensação de que quem escreveu não pensou bem.

Por fim, o pronome relativo "que" exige uma atenção especial, sim. O verbo que o segue tem de concordar com o termo anterior, aquele a que o "que" se refere. É como um elo, sabes? Quando estou a reler os meus textos, imagino sempre essa ligação. É um processo de verificação rápida que aplico, pensando sempre "o que é que isto está a descrever?". É uma das minhas últimas checagens antes de considerar um texto finalizado.

Dicas Essenciais para a Concordância Verbal

Para evitar erros de concordância verbal, é fundamental observar alguns pontos-chave da gramática portuguesa.

  1. Sujeito: O verbo concorda em número e pessoa com o seu sujeito. Se o sujeito é singular, o verbo fica no singular; se plural, no plural.
  2. Verbo SER: A sua concordância pode variar. Com pronomes pessoais, concorda com o pronome; com percentagens ou expressões de quantidade, pode concordar com o numeral ou com o substantivo.
  3. Núcleo do Sujeito: Em sujeitos compostos por coletivo seguido de termo no plural, o verbo pode concordar com o coletivo (singular) ou com o termo no plural.
  4. Verbo HAVER (existencial): Quando significa "existir", "acontecer" ou "ocorrer", é impessoal e usado sempre na 3ª pessoa do singular.
  5. Partícula SE: Se for partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente. Se for índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular.
  6. Pronome Relativo QUE: O verbo concorda com o antecedente do pronome "que".