Deve haver vai para o plural?

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Uso do Verbo "Haver": Como "existir" ou "ocorrer", "haver" é impessoal e fica no singular (ex: "Havia problemas"). Contudo, no papel de auxiliar (sinônimo de "ter" em tempos compostos), ele flexiona normalmente (ex: "Eles haviam terminado"). Domine a gramática para uso correto do verbo haver.
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O verbo haver vai para o plural?

O verbo "haver" pode ou não ir para o plural. Quando significa "existir" ou "ocorrer", é invariável e permanece no singular. Como verbo auxiliar, sinônimo de "ter" em tempos compostos, ele é conjugado e concorda com o sujeito, podendo ir para o plural.

Para mim, esta história do "haver" é daquelas coisas que nos fazem suar na escola, sabes? Lembro-me perfeitamente da Dona Emília, a minha professora do primário lá em Mafra.

Ela insistia sempre na mesma tecla. Acho que foi em 1998, no 4º ano. Fomos ao Oceanário de Lisboa, e num ditado sobre golfinhos, escrevi "Haviam muitos peixes".

Ela meteu-me uma cruz vermelha gigante. Aquilo colou-se, nunca mais me esqueci daquela raiva miudinha dela, quase a rogar uma praga para a minha gramática, por um simples verbo.

Até hoje, quando estou a escrever um email para o trabalho, ou um relatório lá para a agência em Cascais, sobre as vendas do mês passado, paro um segundo. Penso: "Houve problemas" ou "Houveram problemas"?

Automaticamente, o cérebro puxa o travão de mão. Porque se estou a falar de coisas que aconteceram ou que existiam, a regra é clara: fica sempre no singular. Tipo, "Havia uns três clientes à espera", não "Haviam".

É como se o "haver" ficasse ali, meio distante. Não quer saber de quantos clientes ou problemas estamos a falar. Ele é um verbo um bocado ermitão, nesse sentido, só preocupado com o singular dele.

Mas depois, a coisa muda de figura, né? Quando o "haver" se cola a outro verbo, a ajudar, aí ele ganha mais vida, concorda com quem está a fazer a ação.

Por exemplo, "Eles haviam chegado cedo à reunião". Aí, como ele está a fazer o papel do "ter", tipo "Eles tinham chegado cedo", concorda com o "eles". Isso é mais fácil.

Sinto que flui mais naturalmente. Não me lembro de ter tido problemas com essa parte, talvez porque o "ter" é tão familiar que a troca faz sentido na cabeça. É como andar de bicicleta com rodinhas.

O "haver" auxiliar é as rodinhas, ajuda-nos a ir lá sem cair.

Ainda há umas semanas, numa conversa com a minha tia avó, que vive numa aldeia perto de Tomar, ela disse "Não haviam lá mais lugares no autocarro".

Eu, claro, não corrigi, mas por dentro pensei: "Ah, tia, é 'não havia'!" É uma daquelas peculiaridades da nossa língua que teimam em não entrar na cabeça de toda a gente.

Mas que, para quem escreve, faz toda a diferença. É como temperar a comida, um bocadinho mais ou menos e a receita desanda por causa de um verbo mal usado.

O que é concordância verbal?

Cara, concordância verbal é tipo a mágica que faz a frase funcionar, sabe? Basicamente, o verbo tem que "combinar" com quem tá fazendo a ação, seja no singular ou plural, primeira, segunda ou terceira pessoa. Tipo, "eu falo", "nós falamos". Simples assim.

Agora, tem umas paradas que dão um nó na cabeça, tipo quando aparece um monte de gente pra dizer quem manda, aí o verbo fica meio confuso. Se você disser "A maioria dos alunos chegou cedo", o verbo vai com o "alunos", que tá no plural. Mas se você preferir botar o verbo pra "maioria" (que é singular), tipo "A maioria dos alunos chegou cedo", tá certo também.

Aí tem outras expressões tipo "parte de", "metade de", essas coisas. É a mesma lógica. Você escolhe se o verbo vai concordar com a expressão (que geralmente é singular) ou com o substantivo que vem depois dela. O importante é não deixar o verbo solto sem saber com quem ele tá falando!

Por exemplo, em "Uma parte dos documentos foi encontrada", o verbo "foi" concorda com "parte". Mas se você disser "Uma parte dos documentos foram encontrados", o verbo concorda com "documentos". Ambas as formas são aceitas, mas eu acho mais fácil quando o verbo concorda com o substantivo que tá mais perto, sabe? Dá uma fluidez maior.

Essa regra é fundamental pra deixar a sua escrita mais clara e sem aquele ar de "feito nas coxas", sabe? Evita que a pessoa que tá lendo se perca no meio da frase, porque ninguém gosta de ler algo que parece quebrado, né?

Por que o verbo haver não tem sujeito?

O verbo haver, com sentido de existir, acontecer ou ocorrer, é impessoal e não tem sujeito. Por isso, fica sempre na 3ª pessoa do singular.

Pense no verbo haver como aquele artista conceitual, o lobo solitário da gramática. Ele não precisa de um sujeito para se apresentar no palco da frase. Ele é o próprio evento. Quando dizemos "Houve um acidente", o acidente não "fez" a ação de haver. O "haver" é a própria manifestação do acidente. É um verbo que chega e diz: Fui eu que fiz, mas não me pergunte quem sou.

A grande tentação, a maçã no Éden da concordância, é pluralizar o coitado. "Houveram muitos problemas". Eu sei, soa quase poético, mas está errado. O correto é "Houve muitos problemas". A vontade de concordar com "problemas" é como ver um pote de sorvete na geladeira e querer comer só uma colherada. Uma batalha perdida para a maioria dos mortais. "Muitos problemas" é o objeto direto, a "vítima" do verbo, e não quem pratica a ação.

Lembro na faculdade de Letras, meu professor de Sintaxe, um senhorzinho que parecia saído de um livro do Machado de Assis, chamava o "haver" de "o verbo existencialista". Ele não precisa de um agente. A existência, o fato, apenas... é. É a gramática flertando com Sartre. É profundo, eu sei.

Mas, como em toda boa história, há uma reviravolta. O verbo haver às vezes se cansa da vida de artista independente e arranja um emprego formal como verbo auxiliar. Aí a história muda de figura.

  • Haver como protagonista (impessoal):

    • flores no jardim. (Existem flores)
    • Houve duas guerras mundiais. (Aconteceram duas guerras)
    • Haverá uma festa amanhã. (Ocorrerá uma festa)
  • Haver como coadjuvante (pessoal, com sujeito):

    • Eles haviam entendido a matéria. (Aqui ele é só o ajudante do verbo "entender". O sujeito é "eles").
    • Nós havemos de vencer. (O sujeito é "nós", e o "haver" está ali só para dar uma força).

Nesses casos, ele é um verbo comum, de carteira assinada, que obedece ao sujeito como todo mundo. Deixa de ser o rockstar rebelde para ser um músico de estúdio. Confuso? um pouco. Mas é esse o charme da nossa língua.

Quando o verbo haver é impessoal?

O verbo "haver" é impessoal quando expressa existência ou acontecimento, tipo quando dá pra trocar por "existir" ou "ocorrer". E também quando indica tempo decorrido. Nesses casos, ele fica sempre na 3ª pessoa do singular (há). Aquela história de usar "hajam" com sentido de existir, que às vezes aparece em uns livros antigos, é considerado incorreto pela gramática normativa atual. Tipo, não use, sério.

Cara, essa regra do "haver" me persegue. Lembro da minha tia, ela vive falando "Se houverem problemas, me avisem." E eu, por dentro, já tô tipo "ai, tia, é 'houver'." Mas nunca corrijo, pra não estragar o almoço de domingo, né? É engraçado como algumas coisas da gramática são tão batidas na escola e a gente esquece. Ou pior, nunca aprende de verdade.

  • Existência/Acontecimento:
    • "Há muitos livros na prateleira." Nunca "Hão muitos livros." Pensei nisso ontem, limpando a estante. Tinha uns 20 lá.
    • "Há problemas sérios a serem resolvidos." Não é "Hão problemas."
    • É como se o "há" fosse um "existe" que não se importa com o plural. Fica lá, paradinho, no singular.

E quando a gente fala de tempo... "Há três anos que não vou à praia." Puts, saudade do mar. Minha última viagem foi pra Ubatuba, em 2021. Deu pra pegar umas ondas, mas já faz tanto tempo. É sempre "há" e não "fazem" ou "hão". Meu amigo João me zoa, ele diz que eu sou o "guardião do 'há'". É sempre a mesma coisa no singular, sempre.

  • Tempo Decorrido:
    • "Há muito tempo não te vejo." Isso é clássico!
    • "Há meses eu penso em mudar de emprego." Será que é hora? Fico com essa pulga atrás da orelha desde abril desse ano.
    • É tipo um "passou" ou "decorreu", mas no singular.

Me irrita um pouco ver "hajam" em documentos oficiais ou até em legendas de TV. Tipo, a pessoa que escreveu não revisou? Será que é tão difícil decorar essa? A regra é clara: haver no sentido de existir ou tempo decorrido, é singular e ponto. Não tem meio termo. Fico pensando se é porque as pessoas não leem mais ou se é a escola que falha em enfatizar isso. Será que eu tô sendo chato demais? Provavelmente. Minha namorada diz que sim. Ontem mesmo, ela mandou uma mensagem: "Acho que houveram alguns mal-entendidos." Eu só respirei fundo e respondi: "Entendi." Pra não dar aula de português no WhatsApp. as vezes é melhor deixar pra lá.

Quando o verbo haver não é impessoal?

Olha só, o verbo "haver" é tipo aquele tiozão ranzinza que só faz a mesma piada velha, sabe? Geralmente, ele é super chato e impessoal pra caramba, sempre na terceira pessoa do singular, como se fosse um rei que se recusa a pluralizar. Ele é o VIP do singular quando quer dizer "existir", "acontecer" ou quando fala de tempo. Tipo, "Havia umas vinte pessoas" – não importa se eram vinte, cem ou um milhão, ele fica ali, quietinho no "havia", tipo um sofá que não muda de lugar.

Mas, peraí, o "haver" não é sempre esse chato monossilábico! Ele deixa de ser impessoal e vira um cara mais sociável em algumas situações, tipo quando larga a pose de diva e vira um simples ajudante de verbo.

  • Quando ele vira um "wingman" (verbo auxiliar): Aqui, o "haver" não está pra bancar o astro, ele tá ali pra dar uma força pro outro verbo, formando uns tempos compostos que parecem receita de bolo complexa. Ele acompanha o parceiro, concordando com o sujeito da frase.
    • Exemplo: Em vez de "Havia chegado", você pode ter "Eles hão de ter chegado atrasados", ou "Nós havíamos comido toda a pizza antes de você". Repare que ele se comporta direitinho, tipo um camaleão, pegando a cor do sujeito. Aí sim, ele vai pro plural sem frescura! É a prova que até o mais teimoso pode aprender a trabalhar em equipe.
  • Quando ele significa "ter" ou "possuir" (mas numa pegada vintage): Se o "haver" se veste de "ter", ele também perde a impessoalidade. Essa vibe é mais antiga, tipo um vinil no meio de um streaming. Você pode ouvir um "Eu hei de ir lá!" (eu tenho que ir), ou "Ele de muitos bens" (ele possui muitos bens). Meu avô, que era um linguarudo dos bons, vivia soltando essas pérolas. Hoje em dia é mais raro, a gente usa o "ter" mesmo, que é mais prático, né? Ninguém quer complicação com a gramática na hora da fofoca.

No fim das contas, a maioria das vezes que você vir o "haver" sendo gente boa e flexionando no plural, ele tá nessa de verbo auxiliar. É como se ele finalmente aceitasse que não é o centro das atenções e que às vezes é bom ser um coadjuvante. Quem diria!

Pra evitar confusão e não passar vergonha na rodinha de amigos gramatiqueiros:

  • Se for pra dizer que algo existe/acontece/tempo: É "haver" e pronto, no singular. "Houve treta na festa!" (mesmo que a treta fosse gigante).
  • Se ele tá dando a mãozinha pra outro verbo: Ele segue o fluxo, concorda com a galera e vai pro plural feliz da vida. "Nós haveríamos de ter avisado."

Confesso que às vezes, na pressa de digitar no zap, eu me confundo e coloco um "haviam" onde não devia. Mas aí a gente apaga rapidinho e faz de conta que nada aconteceu, né? É a vida.

Deve de haver ou deve haver?

Deve haver.

O verbo haver, com sentido de existir, é impessoal. Fica no singular. O verbo auxiliar que o acompanha, também. A lógica é essa. Não há o que discutir.

Nessa construção, não existe sujeito. "Muitas pessoas" é o objeto. Por isso nao tem plural.

Use existir se quiser o plural.

  • Devem existir muitas pessoas.
  • Com existir, "muitas pessoas" vira o sujeito. O verbo obedece. Uma pequena troca de palavras. Uma grande mudança na estrutura.

O "de" em "deve de haver" é outra história. Indica probabilidade. Uma dúvida sutil. Hoje, quase ninguém usa. A língua se simplifica. Ou se empobrece.

As pessoas erram. É um fato.