O que é colocar verbo no infinitivo?

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Colocar um verbo no infinitivo significa apresentá-lo em sua forma básica, sem flexão de pessoa, número, tempo ou modo. No português, o infinitivo pessoal é caracterizado pela terminação -r (por exemplo, amar, comer, dormir), enquanto o infinitivo impessoal tem a terminação -se (por exemplo, amar-se, comer-se, dormir-se).
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O Infinitivo: A Forma Pura do Verbo

O infinitivo, na gramática portuguesa, representa a forma básica, primordial de um verbo. É a sua essência, desprovida das marcas de conjugação que indicam pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles), número (singular ou plural), tempo (presente, passado, futuro) e modo (indicativo, subjuntivo, imperativo). Pensando assim, podemos entender o infinitivo como o verbo em sua forma pura, antes de ser moldado para se encaixar em uma frase específica.

A sua importância reside na capacidade de transmitir a ação verbal sem a necessidade de se vincular a um sujeito gramatical determinado. Essa característica o torna um elemento fundamental na construção de frases, especialmente quando se quer enfatizar a ação em si, independentemente de quem a realiza. Observe:

  • Cantar é uma atividade prazerosa. (Infinitivo impessoal, sujeito indeterminado)
  • É importante aprender novas línguas. (Infinitivo impessoal, sujeito indeterminado)
  • Desejo viajar pelo mundo. (Infinitivo impessoal, sujeito determinado implícito – eu)

Note como, nos exemplos acima, o infinitivo cantar, aprender e viajar transmitem a ação sem precisar indicar quem canta, aprende ou viaja. A ênfase está na ação em si. No último exemplo, embora o sujeito seja implícito (eu), a forma do infinitivo permanece inalterada.

No português, distinguimos essencialmente dois tipos de infinitivos: o impessoal e o pessoal.

O infinitivo impessoal, como já exemplificado, é a forma mais comum e usual, terminando em -r. Ele não sofre flexão alguma, mantendo-se sempre na mesma forma, independente do contexto. É a forma mais neutra e abstrata do verbo.

Já o infinitivo pessoal apresenta uma flexão, embora mínima, que indica a pessoa gramatical. Ele surge, predominantemente, com a adição do pronome oblíquo átono -se ou -me, -te, -nos, -vos, ao infinitivo impessoal, formando assim um infinitivo reflexivo (amar-se, ferir-se) ou, menos comumente, um infinitivo com pronome oblíquo em função de complemento verbal (ajudar-me, lembrar-te). Apesar da flexão, sua função básica permanece a mesma: indicar a ação verbal sem a marcação completa da conjugação.

A distinção entre infinitivo pessoal e impessoal pode gerar algumas nuances de interpretação na frase. Por exemplo, Deixaram-me sair e Deixaram sair-me possuem estruturas diferentes, embora o sentido seja próximo. A primeira indica uma permissão para que eu saia; a segunda, mais enfática, ressalta o ato de alguém me deixar sair. É a presença do pronome átono que cria essa distinção.

Compreender a utilização do infinitivo, suas variantes e suas implicações na construção de frases é fundamental para dominar a língua portuguesa e expressar-se com clareza e precisão. Sua simplicidade aparente esconde uma riqueza de possibilidades estilísticas e semânticas, que enriquecem a fluidez e a expressividade da escrita e da fala. A análise do uso do infinitivo em diferentes contextos gramaticais revela a riqueza e a sutileza da nossa língua.