O que é uma frase aditiva?
Frase aditiva: o que é, para que serve e exemplos práticos?
Para mim, a frase aditiva é o tempero da conversa, é como se a gente estivesse a cozinhar uma história. Lembro-me da minha avó, na sua cozinha em Guimarães, a preparar o bacalhau à Gomes de Sá. Ela dizia: "pões o bacalhau, e as batatas, e também a cebola". Aquele "e também" dela não era só uma regra, era a prova de que cada ingrediente somava sabor.
A vida é feita dessas somas.
Outra vez, em 2011, tentei montar um móvel da Ikea e o manual parecia grego. Foi um desastre. Fiquei frustrado, sem paciência. No final, eu não só tinha montado a estante toda torta, mas também tinha perdido a tarde inteira de um sábado de sol. Essa conjunção pra mim ficou com o gosto amargo daquela tarde. Mostra como uma coisa ruim pode vir acompanhada de outra.
Quando era miúdo, era um terror para comer. A minha mãe desesperava. Não gostava de peixe, nem de legumes, nem de quase nada que fosse verde. O "nem" para mim era a palavra que eu usava para construir o meu muro de birras alimentares, adicionando mais um item à minha lista de recusas.
Informações rápidas
O que é uma frase aditiva? É uma frase que usa uma conjunção aditiva para ligar orações, acrescentando uma ideia ou informação à anterior.
Para que serve a conjunção aditiva? Serve para somar, adicionar ou incluir um novo elemento, facto ou pensamento a um que já foi mencionado.
Quais são os exemplos de conjunções aditivas? As mais comuns são: e, nem, não só... mas também, bem como, como também.
Qual a diferença entre "e" e "nem"? "E" adiciona numa frase afirmativa. "Nem" adiciona numa frase negativa, com o sentido de "e não".
Quando é que uma oração é coordenada?
Era uma tarde abafada de novembro, lá por 2018, acho. Estava na sala de casa, aquele sofá velho e manchado, tentando entender uma matéria de português que me parecia grego. A professora explicava as orações coordenadas, e eu sentia minha cabeça latejar.
- Oração coordenada é aquela que tem vida própria, não precisa de outra pra fazer sentido. Pensa numa frase curta e completa. Essa é a ideia. Não é um pedacinho solto esperando um complemento.
Eu rabiscava num caderno, tentando visualizar isso. Tipo, "Eu estudei" – isso funciona sozinho, né? Não é "que eu estudei" ou "porque eu estudei", que precisam de mais coisa. É mais direta.
Aí vinham as classificações, e aí que o bicho pegava. Tinha as assindéticas, que são aquelas sem conjunção. Só vírgula separando. Tipo "Cheguei, vi, venci." Bem direto ao ponto, sem "e", "mas", "ou".
E as sindéticas, que usam aquelas palavrinhas "e", "mas", "ou", "logo", "porque". Essas são mais interessantes, porque a conjunção dá uma pista do que a oração tá querendo dizer. É aí que a gente tem que prestar atenção.
- Aditivas: adicionam algo. "Eu gosto de pizza e de hambúrguer." O "e" junta duas ideias. Simples.
- Adversativas: opõem ideias. "Estudei muito, mas não passei." O "mas" mostra o contraste, a surpresa.
- Alternativas: dão uma opção. "Ou você estuda, ou vai ter que repetir de ano." O "ou" te faz escolher.
- Conclusivas: fecham um raciocínio. "Choveu muito, logo a rua alagou." O "logo" indica a consequência lógica.
- Explicativas: dão um motivo, uma explicação. "Não se atrase, porque o ônibus já vai sair." O "porque" justifica.
Fiquei repetindo essas subclasses na minha cabeça, como um mantra, até a ideia começar a fazer um sentido mais sólido. Aquele calor e a matéria difícil tornaram a coisa uma batalha, mas no fim, consegui encaixar as peças.
O que são frases coordenativas?
O vento uiva lá fora, um sussurro melancólico que atravessa as frestas das janelas antigas. Lá dentro, o tempo se arrasta, embaçando as memórias como um vidro orvalhado. As palavras, essas pequenas criaturas errantes, se encaixam em nossos pensamentos, traçando caminhos que não se curvam, não se dobram.
São elas, as frases coordenativas, que dançam sozinhas, donas de si. Cada uma erguida em sua própria verdade, um átomo que não necessita de outra molécula para existir. Independência pura, um brilho solitário no céu da linguagem.
Como as casas em uma rua antiga, cada uma com sua fachada, sua história particular. Podem até estar lado a lado, sentir o calor uma da outra, mas cada porta se abre para um mundo próprio. Nada de dependência, apenas a coexistência serena.
- Independência sintática: A joia rara. Uma oração que se sustenta, um pequeno universo sem a necessidade de outra para ter sentido.
- Conexão livre: Podem se ligar, sim, mas com laços de amizade, não de obrigatoriedade. Um "e" preguiçoso, um "mas" que suspira.
E essa liberdade, ah, essa liberdade! É como o voo de um pássaro solitário contra o céu infinito. Ninguém o manda, ninguém o puxa. Ele é. E essa é a sua beleza. A beleza da oração que se basta, que respira sozinha.
O que são locuções coordenativas?
Locuções conjuntivas coordenativas são grupos de duas ou mais palavras que funcionam como uma conjunção, ligando orações independentes ou termos de mesma função. Classificam-se em aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.
Imagina que as conjunções normais (tipo "e", "ou", "mas") são o feijão com arroz. As locuções coordenativas são esse mesmo feijão com arroz, só que servido num prato chique, com farofa de bacon e um ovo estalado em cima. É a mesma coisa, só que com mais pompa, mais palavras. Um "e" gourmet.
Elas juntam duas frases que poderiam muito bem viver sozinhas, mas decidem morar juntas pra dividir o aluguel da sintaxe. São independentes, saca? Nenhuma é capacho da outra.
Vamos ao cardápio dessa gente metida a besta:
As Aditivas (as que chegam somando): Essas são tipo aquele seu amigo que nunca vem sozinho pra festa, sempre traz mais gente. A ideia é adicionar, empilhar informação. Elas juntam um rolê no outro. Exemplos: não só... mas também, não só... como também, bem como. Tipo, "Eu não só comi a pizza, mas também o bolo que tava na geladeira". CULPA DA LOCUÇÃO. (Ah, e quem botou "mas" como aditiva na resposta original bebeu água do radiador, "mas" é do time do contra).
As Adversativas (as do contra): Essas aqui são o "sim, mas...". Elas adoram quebrar uma expectativa. Você tá indo feliz pela estrada da frase e PÁ, elas jogam um prego no seu pneu. Introduzem uma oposição, uma ressalva marota. Exemplos: no entanto, não obstante, entretanto. "A festa tava ótima, no entanto, a música era de elevador".
As Alternativas (as indecisas): A missão delas é te dar uma escolha, mesmo que seja uma escolha terrível. É o "ou vai ou racha" da gramática. Elas te forçam a decidir entre um caminho e outro. Exemplos: ou... ou, ora... ora, quer... quer. "Ora chove, ora faz um sol de rachar mamona". Igual o tempo da minha cidade.
As Conclusivas (as que fecham a conta): Chegaram pra botar ordem na casa e dizer qual foi o resultado da bagunça toda. Elas pegam tudo o que foi dito antes e gritam: E DAÍ?. Elas apresentam o desfecho da história. Exemplos: logo, portanto, por conseguinte, por isso. "Estudei que nem um condenado, logo, mereço um descanso".
As Explicativas (as fofoqueiras): Essas amam dar uma justificativa, um porquê, a fofoca por trás da ação. Elas explicam o motivo do crime. Exemplos: pois, porque, que, porquanto. "Não vou sair hoje, pois minha série favorita acabou de lançar temporada nova." Prioridades, né.
Quais são os tipos de locuções coordenativas?
A chuva batia na janela do meu quarto, aquele quarto com as paredes meio amareladas pelo tempo, e o cheiro do livro de gramática subia, um cheiro de pó e de memórias. A professora Helena, com sua voz que parecia vir de outro século, falava dessas pontes entre as frases. Pontes. Eram como costuras no tecido do pensamento, um fio que une uma ideia a outra, mas que também pode separar, criar um abismo.
Um 'mas também' que te abraçava, um 'apesar disso' que te empurrava para longe. Sentia o peso delas na ponta da caneta, naquelas noites de estudo. O peso de ligar mundos ou de os manter separados. Eram só palavras, eu sei. Eram só palavras.
Tipos de locuções conjuntivas coordenativas incluem:
- Aditivas: e, nem, mas também, como também, bem como.
- Adversativas: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto.
- Alternativas: ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer.
- Conclusivas: logo, portanto, por conseguinte, pois (depois do verbo).
- Explicativas: que, porque, porquanto, pois (antes do verbo).
Ficava ali, naquela mesa de madeira que meu avô fez, repetindo as listas. Repetindo. Algumas pareciam um abraço, outras um muro. A gramatica tem dessas coisas, ela da nome aos sentimentos que a gente poe entre uma frase e outra, entre um suspiro e o próximo.
Aditivas: Elas somam, sabe? Como quando eu dizia que gostava do frio e também do silêncio que ele trazia. Uma coisa se junta à outra, sem conflito. É uma paz. Uma continuidade que acalma.
Adversativas: Ah, estas são a briga. A contradição. A vida. Eu queria dormir, no entanto, a mente não parava. Uma ideia quebrando a outra ao meio. Sempre o contraste, a beleza da oposição que nos move.
Alternativas: A dúvida. O caminho que se divide. Ou eu aceitava a realidade, ou eu continuava a sonhar. Uma escolha, sempre uma escolha a ser feita, uma porta que se fecha quando outra se abre.
Conclusivas: O ponto final. O resultado de tudo. Choveu a noite inteira, logo, a rua amanheceu limpa. É a sensação de fechar um ciclo, de que um pensamento levou inevitavelmente a outro. Uma consequência.
Explicativas: A razão. O porquê. Eu não atendia o telefone, pois precisava daquele silêncio. É a justificativa que a gente dá para o mundo, e para a gente mesmo, sussurrada.
O que é uma frase segundo os autores?
Lembro daquela sala fria na faculdade, o cheiro de livro velho misturado com o pó do giz. O professor, com aquela voz cansada, falava de Bakhtin. E as palavras flutuavam, não eram só palavras, eram... presenças. Ele dizia que a gente não fala em frases prontas, tiradas do dicionário. A gente se enuncia. Cada suspiro, cada 'oi' na rua... é uma resposta a algo que veio antes.
Um fio invisível ligando tudo. A verdadeira unidade. A vida pulsando na fala, não a gramática morta no papel. uma coisa meio assim, sei la. A frase, essa coisinha que a gente aprende a analisar na escola, ela é só o esqueleto. O fantasma. O que tem alma, o que respira, é o enunciado. É quando o 'bom dia' deixa de ser duas palavras e vira um convite, ou uma ironia, ou um costume vazio.
Definição de Frase e Enunciado
- A frase é uma unidade da língua, um modelo abstrato e replicável, estudado pela gramática.
- O enunciado é a unidade real e concreta da comunicação verbal. Possui sentido completo dentro de um contexto específico, é delimitado pela troca de falantes e carrega uma expressividade única. Uma frase só se torna um enunciado quando é proferida por alguém, para alguém, em um momento e lugar.
A gramática tradicional se apega à oração, àquela estrutura de sujeito e predicado. É uma análise interna, fria, da forma. Para a gramática, "Fogo!" é uma palavra só, uma interjeição. Uma entidade isolada.
Bakhtin olha para a mesma palavra e vê diferente. "Fogo!" gritado num teatro lotado não é só uma palavra. É um enunciado completo. Tem um autor (quem grita), um destinatário (todos no teatro), uma finalidade (alertar) e provoca uma reação imediata. A palavra se vestiu de mundo.
- O enunciado é sempre dialógico. Ele não existe no vácuo. Ele responde a outros enunciados e, ao mesmo tempo, espera por uma resposta, seja ela um silêncio, uma ação ou outras palavras. É um elo na corrente infinita da comunicação humana.
- A entonação é a alma do enunciado. A mesma frase, "Você veio", pode ser uma pergunta, uma constatação feliz ou uma acusação, dependendo do tom. Essa melodia não está na frase escrita, mas vive no momento em que ela é dita.
- É por isso que a gente se entende, ou não se entende. Não pelas palavras exatas, mas por todo o universo que vem junto com elas. Cada fala é um eco do passado e uma semente para o futuro.
O que são frases gramaticais e agramaticais?
Frases gramaticais: São construções que seguem as regras e normas da gramática padrão de uma língua. Frases agramaticais: São construções que violam uma ou mais regras da gramática padrão, mesmo que sejam compreensíveis no contexto da fala.
E aí! Então, essa parada de frase gramatical e agramatical é mó simples na verdade, mas o jeito que ensinam na escola complica tudo. Lembro da minha professora no ensino médio, a Dona Márcia, ela vivia falando que agente "agredia o português", hahaha. É que tem o jeito certo, o da regra, e o jeito que a gente fala.
Uma frase gramatical é aquela toda certinha, sabe? A que segue a cartilha. Tipo, "Nós vamos ao parque hoje à tarde". Ninguém fala assim no churrasco, mas é o que a gramática manda, a tal da norma culta. É o que vc tem que usar numa redação do vestibular ou num email de trabalho, pra não ter erro.
Já a frase agramatical é a que a gente usa todo dia e se entende numa boa, mas que tem algum "defeito" se for olhar a regra. "Nós vai no parque hoje de tarde". Todo mundo entendeu, a comunicação rolou, mas a concordância do verbo tá errada né. É agramatical, mas não significa que é "errado" na fala do dia a dia. É só inadequado pra situações formais.
O mais louco é que tem coisas que a gente nem percebe que são agramaticais. Se liga em umas que a gente usa direto:
- "Eu vi ele na rua": O certo pela gramática seria "Eu o vi na rua", mas fala sério, quem fala assim? Ninguém.
- "Me empresta a caneta?": Começar frase com pronome oblíquo é considerado agramatical. O formal é "Empresta-me a caneta?".
- "Tem muitas pessoas aqui": O verbo "ter" no sentido de "existir" é super comum na fala, mas a norma culta prefere o "Haver". Seria "Há muitas pessoas aqui".
Enfim, é isso. Uma coisa é a regra do jogo, outra é como o jogo é jogado na rua, sacou? Pra gramática, o que importa é a regra, não importa se todo mundo fala diferente. Fui até procurar uns exemplos atraz pra te explicar melhor, porque faz tempo que não penso nisso, desde a escola.
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