O que é uma violação de concordância?

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Violação de concordância ocorre quando o verbo não concorda em número e pessoa com o sujeito. Exemplos de erros: Ele estudam e Eles estuda. A forma correta é Ele estuda e Eles estudam.

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A Fina Linha da Concordância Verbal: Quando a Música da Língua Destoa

A beleza da língua portuguesa reside, em parte, na sua harmonia. Essa harmonia se manifesta, entre outras coisas, na concordância verbal, a regra que garante a perfeita sintonia entre o verbo e seu sujeito. Mas o que acontece quando essa sintonia se quebra? Entramos no terreno da violação de concordância, um erro que, por mais sutil que possa parecer, compromete a clareza e a elegância da escrita e da fala.

A concordância verbal, em sua essência, estabelece uma relação de dependência mútua entre o verbo e o sujeito da oração. O verbo, elemento nuclear da predicacão, deve “concordar” com o sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira). Essa concordância se manifesta na flexão verbal, ou seja, na alteração da forma do verbo para refletir as características do sujeito a que se refere.

A violação da concordância, portanto, ocorre quando essa harmonia é rompida, quando o verbo não se flexiona corretamente para concordar com seu sujeito. Imagine uma orquestra onde um instrumento toca em uma tonalidade diferente dos demais. O resultado é uma dissonância, que prejudica a apreciação da música. O mesmo acontece com a concordância verbal. Uma violação, mesmo pequena, pode perturbar a fluidez e a compreensão do texto ou da fala.

Vamos além dos exemplos clássicos, como “Ele estudam” e “Eles estuda”. A complexidade da concordância verbal vai muito além desses casos simples. Consideremos situações que envolvem:

  • Sujeitos compostos: “O professor e os alunos participaram da reunião” (verbo no plural, concordando com o sujeito composto). Um erro seria: “O professor e os alunos participou da reunião”.
  • Sujeitos pospostos: “Chegaram os convidados e os presentes.” (verbo no plural, concordando com o sujeito posposto). A proximidade com o verbo pode levar a erros, especialmente em estruturas mais complexas.
  • Sujeitos com núcleo no singular e adjunto adverbial no plural: “A maioria dos alunos aprovou na prova” (verbo no singular, concordando com o núcleo do sujeito). O adjunto adverbial “dos alunos” não interfere na concordância. Porém, é comum a concordância no plural (“A maioria dos alunos aprovouram“), demonstrando a dificuldade que essa construção sintática apresenta.
  • Expressões que indicam quantidade: “Mais de um aluno faltou” / “Mais de dois alunos faltaram“. A concordância depende do numeral que acompanha a expressão.
  • Verbos impessoais: Verbos como “haver” (no sentido de existir) e “fazer” (indicando tempo) permanecem na terceira pessoa do singular, independentemente do contexto. “Há muitos problemas” / “Faz dez anos”.

A violação da concordância, portanto, não é apenas um erro gramatical, mas um indício de falta de atenção à estrutura da frase e à relação entre seus componentes. Dominar a concordância verbal é fundamental para uma comunicação eficaz e precisa, permitindo que a “música” da nossa língua flua com harmonia e clareza. A prática constante e a atenção à sintaxe são as melhores ferramentas para evitar esses deslizes e garantir que a sua mensagem chegue ao receptor da forma mais nítida e elegante possível.