O que se entende por concordância?
Além da Regra: Explorando a Subjetividade da Concordância Verbal e Nominal
A concordância gramatical, frequentemente apresentada como um conjunto de regras rígidas, é na verdade um mecanismo muito mais sutil e complexo do que aparenta. Enquanto a definição básica – a harmonia entre os termos de uma oração em gênero e número – permanece correta, a sua aplicação prática revela nuances que transcendem a simples memorização de paradigmas. Este artigo busca explorar essas nuances, indo além da descrição superficial e mergulhando na essência da concordância, suas motivações e as zonas cinzentas que desafiam a norma culta.
A concordância, seja nominal (entre substantivo e adjetivo, artigo, numeral, pronome) ou verbal (entre verbo e sujeito), busca a coerência semântica da frase. Em outras palavras, a concordância não é apenas uma questão formal, mas também uma ferramenta para garantir que a mensagem seja transmitida com clareza e precisão, refletindo a relação lógica entre as palavras. Observemos alguns exemplos:
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Concordância Nominal: "A casa grande e antiga estava à venda." Aqui, o adjetivo "grande" e "antiga" concordam em gênero (feminino) e número (singular) com o substantivo "casa". A concordância reforça a ligação entre os atributos e o objeto descrito.
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Concordância Verbal: "Os alunos estudaram muito para a prova." O verbo "estudaram" concorda em número (plural) com o sujeito "os alunos". A concordância torna evidente a ação coletiva dos alunos.
Porém, a aparente simplicidade se desfaz quando lidamos com casos mais complexos. A concordância não é um processo mecânico, pois a língua viva é dinâmica e permeada por fatores contextuais e estilísticos. A escolha por uma concordância ou outra pode refletir:
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Ênfase: "A maioria dos alunos faltou à aula." vs. "A maioria dos alunos faltaram à aula." Ambas são gramaticalmente aceitáveis, mas a primeira enfatiza a unidade do grupo, enquanto a segunda individualiza os alunos.
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Contexto semântico: Em expressões como "um e outro", "nem um nem outro", a concordância pode ser feita no singular ou no plural, dependendo da ênfase que se quer dar.
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Subjetividade: A concordância com coletivos (por exemplo, "equipe", "grupo") depende da intenção do falante. Quer-se destacar o coletivo como unidade ou os seus membros individualmente?
A concordância, portanto, revela-se um processo de negociação entre a gramática normativa e a necessidade de expressar com precisão e eficácia as ideias. A norma culta estabelece diretrizes, mas a flexibilidade da língua permite variações, desde que a clareza e a coerência da mensagem sejam mantidas. Compreender a concordância significa ir além das regras, analisando o contexto, a intenção comunicativa e a relação semântica entre os elementos da frase. É uma jornada de interpretação, não apenas de aplicação de regras.
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