Quais são as normas de concordância verbal?

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O verbo concorda com o sujeito. Se o sujeito for uma expressão partitiva seguida de um nome (ex: a maioria dos alunos), o verbo pode concordar com o partitivo (a maioria foi) ou com o nome (a maioria foram). A concordância dependerá do contexto e da ênfase desejada, priorizando a clareza e a naturalidade da frase.

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As Nuances da Concordância Verbal: Mais do que Regras, um Jogo de Equilíbrio

A concordância verbal, a harmonia entre o verbo e seu sujeito, é um pilar fundamental da gramática portuguesa. Apesar de parecer simples – o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa – a realidade apresenta nuances e casos que exigem atenção e bom senso. Este artigo explora algumas dessas particularidades, focando em situações que frequentemente geram dúvidas.

A regra básica, como mencionado, é a concordância direta: o verbo acompanha o número (singular ou plural) e a pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) do sujeito. “Eu estou feliz”, “Nós estamos felizes”, “Ele está feliz”, “Eles estão felizes” – exemplos claros e incontestáveis. A complexidade surge quando o sujeito apresenta estruturas mais elaboradas.

1. Sujeitos Compostos:

Com sujeitos compostos antepostos ao verbo, a concordância se faz normalmente no plural: “Maria e João foram ao cinema”. Contudo, se os núcleos do sujeito são sinônimos ou quase sinônimos, o verbo pode concordar no singular: “A tristeza e a melancolia invadiu seu coração” (embora o plural também seja correto e, para muitos, preferível). Se os núcleos são unidos por “ou” ou “nem”, o verbo concorda com o núcleo mais próximo, ou vai para o plural se houver ênfase na pluralidade: “Nem João nem Maria foram / foi à festa”.

2. Expressões Partitivas:

Expressões como “a maioria de”, “a metade de”, “uma parte de”, “grande número de” seguidas de um substantivo plural, permitem a concordância com o núcleo do sujeito (plural) ou com a expressão partitiva (singular). “A maioria dos alunos aprovou / aprovouram na prova”. A escolha recai sobre a ênfase: a concordância com o plural enfatiza a quantidade de alunos aprovados, enquanto a concordância com o singular enfatiza a maioria como um todo. A clareza e a naturalidade devem sempre prevalecer.

3. Sujeito Coletivo:

Os coletivos (ex: grupo, multidão, elenco) admitem a concordância com o coletivo (singular) ou com o elemento coletivo (plural), dependendo do contexto e da ênfase: “O grupo debatou longamente o assunto” (ênfase no grupo como unidade) ou “O grupo debateram longamente o assunto” (ênfase nos indivíduos que compunham o grupo).

4. Sujeito Oracional:

Quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva, o verbo principal fica na terceira pessoa do singular: “É importante que você estude.”

5. Pronomes de Tratamento:

Os pronomes de tratamento (você, Vossa Senhoria, etc.) exigem a concordância na terceira pessoa, singular ou plural, dependendo do contexto formal ou informal: “Você está bem?” (informal) ou “Vossa Excelência está satisfeito?” (formal).

Conclusão:

A concordância verbal, apesar de regida por regras, apresenta flexibilidade em determinadas construções. A prioridade deve ser a clareza e a naturalidade da frase, buscando a opção que melhor transmite a mensagem desejada sem incorrer em erros gramaticais grosseiros. O contexto é fundamental para a escolha mais adequada, e a prática da leitura e da escrita contribui significativamente para o desenvolvimento da sensibilidade linguística necessária para o domínio desta importante regra gramatical.