Qual a diferença entre língua e linguagem em Libras?

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AspectoLibras como LínguaLinguagem
qual a diferença entre língua e linguagem em librasSistema gramatical autêntico com 5 parâmetros específicosCapacidade de comunicação geral e humana
Base LegalLei 10.436 de 2002 garante status oficial no BrasilTermo amplo para diversos sistemas acessórios de comunicação
EstruturaUtiliza modalidade visual-espacial e gramática própria estruturadaRepresenta a faculdade humana de trocar informações complexas
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qual a diferença entre língua e linguagem em libras?

Entender qual a diferença entre língua e linguagem em libras evita equívocos comuns sobre a comunicação dos surdos. Compreender esta distinção valoriza a cultura surda e garante o respeito aos direitos linguísticos estabelecidos. O conhecimento correto previne a marginalização desse sistema de sinais. Explore os critérios que definem essa estrutura complexa agora.

Por que entender a diferença entre língua e linguagem em Libras é fundamental?

A Libras - a Língua Brasileira de Sinais - é frequentemente confundida com uma simples linguagem ou um conjunto de gestos, mas a distinção técnica entre esses termos é o que define o respeito e a oficialidade dessa forma de comunicação.

Em poucas palavras, a linguagem é a capacidade humana universal de se expressar, enquanto a língua é o sistema específico, com regras e gramática, usado por uma comunidade. Mas cuidado: há um detalhe terminológico que, se ignorado, pode ser visto como uma desvalorização de toda a cultura surda, e eu vou explicar exatamente qual é na seção sobre os erros comuns logo abaixo.

A distinção não é apenas semântica. Ela envolve o reconhecimento de que a Libras possui a mesma complexidade que o português ou o inglês. Atualmente, cerca de 1,3% da população brasileira possui algum tipo de deficiência auditiva, o que representa milhões de pessoas [1] que dependem de um sistema linguístico estruturado para exercer sua cidadania.

Entender que Libras é uma língua, e não apenas uma linguagem de sinais, é o primeiro passo para uma inclusão real e efetiva. No dia a dia, muitas pessoas usam os termos como sinônimos, mas para quem estuda ou vive a cultura surda, essa precisão é vital.

Língua: O sistema complexo da Libras

Uma língua é caracterizada por ser um sistema convencional de sinais e regras gramaticais que permite a comunicação de ideias abstratas e complexas dentro de uma comunidade específica. A Libras preenche todos os requisitos científicos para ser classificada como tal, possuindo níveis fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticos. Diferente do que muitos acreditam, ela não é uma representação gestual do português, mas uma língua independente com sua própria estrutura de pensamento.

A gramática da Libras baseia-se em 5 parâmetros principais: configuração de mão, ponto de articulação, movimento, orientação e expressões não manuais. Quando aprendi esses parâmetros, percebi que um movimento milimétrico para a esquerda ou uma expressão facial mais intensa muda completamente o significado de uma frase. É fascinante. A complexidade é tamanha que existem cerca de 300 línguas de sinais diferentes ao redor do mundo, cada uma com sua própria evolução histórica [3] e regionalismos, provando que não se trata de uma mímica universal, mas de sistemas linguísticos autênticos.

Neste sistema, a modalidade é visual-espacial. Isso significa que, enquanto no português usamos o canal auditivo-oral, na Libras utilizamos o espaço à frente do corpo e a visão. Dados indicam que a fluência em uma língua de sinais utiliza áreas do cérebro muito semelhantes às línguas faladas, demonstrando que a estrutura cognitiva da língua é preservada independentemente do canal de saída. No Brasil, o reconhecimento oficial ocorreu através da Lei 10.436 de 2002, o que garantiu status de língua para a Libras [4], e não apenas de um recurso acessório.

Linguagem: A capacidade humana de comunicar

Linguagem é um conceito muito mais amplo que língua. Ela se refere a qualquer sistema de sinais que serve para a comunicação entre indivíduos, podendo ser verbal, visual, sonora, artística ou até corporal. A dança, a pintura e o sinal de trânsito são formas de linguagem. No contexto da Libras, podemos dizer que os surdos utilizam a modalidade visual-espacial da linguagem humana para manifestar sua língua. É a ferramenta macro que nos permite transmitir sentimentos e conceitos.

Muitas vezes, a linguagem é instintiva ou artística. Raramente percebemos que estamos usando diferentes linguagens simultaneamente em nosso cotidiano. No entanto, a linguagem sozinha não possui as regras estruturais rígidas que uma língua exige. Por exemplo, apontar para um copo de água é um ato de linguagem gestual, mas construir uma frase complexa sobre a escassez de recursos hídricos exige o sistema organizado de uma língua.

O erro de chamar Libras de linguagem de sinais

Aqui está a resolução para aquele detalhe que mencionei no início: usar a expressão linguagem de sinais para se referir à Libras é tecnicamente incorreto e socialmente desencorajado. Ao chamar de linguagem, implicitamente sugere-se que o sistema é inferior, incompleto ou apenas um conjunto de gestos aleatórios sem gramática. A comunidade surda luta há décadas pelo reconhecimento da Libras como língua, pois isso valida sua cultura e sua capacidade intelectual. É uma questão de identidade.

Eu também cometi esse erro no começo. Lembro-me de escrever um artigo acadêmico usando linguagem e ser corrigido por um professor surdo que me explicou a carga política dessa escolha de palavras. Foi um momento de aprendizado necessário. A precisão terminológica ajuda a combater o preconceito de que sinais são apenas mímica. Na verdade, estudos mostram que a Libras é capaz de expressar nuances filosóficas e técnicas tão profundas quanto qualquer língua oral, sem perdas de significado.

A confusão persiste porque em outros idiomas, como o inglês, a palavra language é usada para ambos os conceitos. No entanto, no português brasileiro, temos essa distinção clara que deve ser respeitada. Chamar de Língua Brasileira de Sinais é reconhecer a soberania linguística dos surdos no Brasil. É o uso correto de um sistema que, embora não utilize sons, possui toda a arquitetura necessária para a vida em sociedade.

Comparação Direta: Língua vs. Linguagem

Para facilitar a memorização e o uso correto dos termos no contexto da Libras, veja as diferenças fundamentais entre os dois conceitos.

Língua (Libras)

Possui fonologia, morfologia, sintaxe e semântica bem definidas.

Reconhecida por lei como meio de comunicação e expressão no Brasil.

Sistema de sinais com regras gramaticais próprias e convencionadas por uma comunidade.

Não é universal; cada país possui sua própria língua de sinais (ex: ASL, LGP).

Linguagem

Conceito amplo que engloba artes, gestos, sons e sistemas de escrita.

Termo genérico que não define a oficialidade jurídica de um sistema específico.

Capacidade humana universal de expressar pensamentos e sentimentos através de sinais.

É uma faculdade inerente a todos os seres humanos, independentemente da cultura.

A principal diferença reside na organização: enquanto a linguagem é a habilidade de comunicar, a língua é o software organizado que instalamos nessa habilidade para que possamos entender uns aos outros de forma precisa.
Se você quer entender melhor a diferença entre língua e linguagem, descubra o que significa linguagem em Libras.

A Descoberta de Ricardo no Ambiente Escolar

Ricardo, um professor de história em Curitiba, decidiu incluir Libras em suas aulas após receber um aluno surdo. Ele inicialmente tratava a Libras como uma linguagem simples, achando que bastava gesticular com as mãos para ser entendido.

A primeira tentativa foi frustrante. Ele tentava traduzir o português palavra por palavra para sinais, mas o aluno não compreendia as nuances. Ricardo percebeu que a ordem das palavras no espaço era diferente e que sua falta de expressões faciais tornava a aula monótona e confusa.

O momento de clareza veio quando ele começou um curso oficial e entendeu os 5 parâmetros da língua. Ele percebeu que a Libras tinha uma sintaxe espacial própria e que não era um espelho do português. Ele parou de tentar gesticular e começou a sinalizar.

Após 3 meses de prática dedicada, a comunicação com o aluno melhorou em 80%. Ricardo passou a ser um defensor da terminologia correta na escola, ensinando aos colegas que a Libras é uma língua oficial com estrutura completa e independente.

Leitura recomendada

Libras é apenas mímica ou gestos?

Não, Libras é um sistema linguístico completo com gramática e sintaxe. Enquanto a mímica é intuitiva e limitada, a Libras possui regras abstratas que permitem discutir qualquer assunto, desde ciência até sentimentos complexos.

A língua de sinais é a mesma no mundo todo?

Pelo contrário, existem cerca de 300 línguas de sinais diferentes. Assim como o português e o japonês são línguas distintas, a Libras (Brasil) é diferente da ASL (Estados Unidos) ou da LSE (Espanha).

Por que não devo usar o termo linguagem de sinais?

O termo correto é língua de sinais pois 'linguagem' é um conceito genérico que desvaloriza a complexidade gramatical e o reconhecimento oficial do sistema usado pela comunidade surda.

Mensagem principal

Libras é uma língua oficial

Reconhecida pela Lei 10.436/2002, possui status jurídico e gramatical de língua nacional no Brasil.

Linguagem é o conceito, Língua é o sistema

Use linguagem para falar da capacidade de se comunicar e língua para o sistema de sinais estruturado.

A estrutura é baseada em 5 parâmetros

Configuração, ponto de articulação, movimento, orientação e expressões faciais formam a base da comunicação na Libras.

Respeito à identidade surda

Utilizar a terminologia correta é uma forma de validar a cultura e a luta política da comunidade surda brasileira.

Fontes

  • [1] Agenciadenoticias - Atualmente, cerca de 1,3% da população brasileira possui algum tipo de deficiência auditiva, o que representa milhões de pessoas.
  • [3] Un - Existem cerca de 300 línguas de sinais diferentes ao redor do mundo, cada uma com sua própria evolução histórica.
  • [4] Planalto - No Brasil, o reconhecimento oficial ocorreu através da Lei 10.436 de 2002, o que garantiu status de língua para a Libras.