Qual a diferença entre solecismo e barbarismo?

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Solecismo é um erro de sintaxe (ordem das palavras, concordância) ou regência. Barbarismo é um erro de grafia, pronúncia ou formação de palavras. Um afeta a estrutura da frase, o outro a palavra em si.
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Solecismo e barbarismo: o que são e qual é a diferença?

A gente, sabe, fala umas coisas às vezes que quando paramos para pensar, até assusta. Eu outro dia, numa reunião em Coimbra, no ano passado, estava o chefe a falar sobre um projeto lá dos 500 mil euros, e ele disse que "a excessão à regra era rara". Fiquei ali a pensar, "excessão?". A palavra martelou na minha cabeça, não era bem assim que se escrevia nem falava, não é?

Essa coisa da "excessão", para mim, entra logo no que chamam de barbarismo. É tipo quando a palavra em si está meio torta, seja na pronúncia, na grafia, ou quando a pessoa usa uma que nem existe direito. É o léxico a tropeçar. Lembro que na faculdade, lá em 2010, na Católica, um professor corrigia-nos sempre se alguém dissesse "menas" cadeiras, tipo, a palavra "menos" é invariável, um bocado obsessivo ele era, mas fez a diferença.

Mas, olha, isso é uma coisa. O solecismo já é outra história, um bocado mais "subtil", mas igualmente... uhm... notório. Não é tanto a palavra em si, mas como elas dançam juntas na frase. O erro está na construção, na sintaxe, na concordância, tipo, na maneira como a frase toda se estrutura.

A minha avó, tadinha, sempre dizia, "eu vi eles no mercado, na Praça da Fruta, em Alcobaça, no sábado de manhã". E eu penso logo na questão dos pronomes, sabe? "Eu os vi". Não é que a palavra "eles" ou "vi" estejam erradas sozinhas, mas é a forma como se juntam ali, na frase, que foge um bocadinho à norma. É uma questão de colocação, de regência.

É como quando, por exemplo, alguém fala em "os carro" em vez de "os carros", ou "as casa" em vez de "as casas". Essa questão do plural, especialmente com substantivos, é um clássico do solecismo. O erro não é na palavra "carro" ou "casa", mas na falta de concordância numérica com o artigo ou mesmo com outros elementos da frase. É um desarranjo na estrutura gramatical.

Então, para mim, a grande diferença está ali: o barbarismo ataca a palavra individualmente, a sua forma ou existência. É a palavra errada, ou mal dita, mal escrita. O solecismo, por outro lado, é um erro de montagem. As peças (as palavras) podem até estar certas, mas a forma como as encaixas umas nas outras é que não funciona gramaticalmente.

É um bocado como montar um móvel. No barbarismo, a peça já vem com defeito de fábrica, tipo um parafuso empenado. No solecismo, tens todas as peças boas, mas montas as gavetas ao contrário, ou pões uma prateleira onde não deve. O resultado é sempre um bocado... torto, mas a origem do "torto" é diferente, entende?

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O que é Solecismo? O solecismo é um erro gramatical de sintaxe que compromete a concordância, regência, colocação pronominal, ou construção frásica, desviando-se da norma culta da língua.

O que é Barbarismo? Barbarismo é um erro de natureza lexical que se manifesta na grafia, pronúncia, ou significado de uma palavra, incluindo o uso de termos inexistentes, deturpados ou estrangeirismos desnecessários.

Qual a diferença entre Solecismo e Barbarismo? A principal diferença reside na natureza do erro. O solecismo é um erro de sintaxe, afetando a estrutura da frase e a relação entre as palavras. O barbarismo é um erro lexical, relacionado à forma, pronúncia ou uso incorreto da própria palavra individual.

Exemplo de Solecismo (Substantivo Plural): "Os livro" em vez de "Os livros". O erro é na concordância do substantivo "livro" com o artigo "os", não na palavra "livro" em si.

O que é barbarismo e estrangeirismo?

Barbarismo, meu caro, é quando a língua se escorrega, tropeça em si mesma. É como colocar um sapato no pé errado, ou dar um nó que desfaz a beleza da frase. Geralmente, envolve erros de pronúncia, escrita ou forma, tipo trocar um "r" por um "l" na correria da vida – ninguém é perfeito, né?

  • Erros de grafia: "Poblema" em vez de "problema". Um clássico dos desavisados.
  • Erros de vocalização: Falar "aruá" em vez de "arroz". Para quem ama um bom arroz, um sacrilégio!
  • Formação inadequada: "Onde está o carpe" em vez de "carrinho". Uma licença poética para quem esqueceu a gramática.

Estrangeirismo, por outro lado, é quando a gente abre a porta pra galera de fora dar um rolê na nossa língua. Às vezes, é charmoso, tipo "delivery" pra pedir comida sem sair de casa. Outras vezes, dá uma sensação de que inventamos a roda de novo, sabe?

  • Empréstimos lexicais: Palavras inteiras que chegam de outros idiomas, como "jeans", "mouse" ou "shopping". Bem úteis, mas às vezes me pergunto se não dava pra inventar um "calça de brim" melhorzinho.
  • Neologismos: Novas palavras criadas a partir de termos estrangeiros, como "googlar" ou "stalkear". Moderno, mas aposto que a minha avó não faz ideia do que seja "dar um like".
  • Adaptações: Quando a gente dá um jeitinho brasileiro em algo estrangeiro, tipo "bife" (beef). Um bom exemplo de como a gente faz as coisas serem nossas.

Basicamente, um é o deslize interno, o outro é a visita externa que, às vezes, decide ficar pra sempre. Ambos, de um jeito ou de outro, fazem a língua ser viva.

São exemplos de vícios de linguagem?

A memória... ah, essa tecelã de instantes, às vezes me trazia cenas antigas, como a poeira dançando nos raios de sol que entravam pela vidraça da sala dos meus avós. Havia uma sensação no ar, um cheiro de café passado e de histórias que a gente sentia, não via. As palavras pareciam ter outro peso, outra cadência.

Lembro de minha avó, Dona Clara, com sua voz suave, sempre corrigindo com um sorriso: "Menino, não se diz 'subir para cima'. É só 'subir'. A ideia já está ali." A gente, com a inocência infantil, insistia. Era como um eco no tempo, um resquício de uma fala mais livre, mais solta.

E essa repetição, esse "subir para cima", "descer para baixo", soava como um murmulho antigo, quase um encantamento involuntário. É um pleonasmo, sim. Uma repetição que, por vezes, parece querer reforçar algo que já está dito, mas que, na verdade, dilui a força da própria palavra.

Mas não é só isso que se emaranha nas tramas da linguagem. Há outros nós, outras dissonâncias que surgem, como sussurros no corredor escuro:

  • Ambiguidade: quando uma frase pode ter mais de um significado, nos deixando perdidos no labirinto das intenções.
  • Cacofonia e Eco: sons que se chocam, que se repetem de forma desagradável, como pedras rolando em um barranco.
  • Gerundismo: o abuso do gerúndio, a sensação de que tudo está sempre em andamento, sem um fim, sem uma conclusão clara.
  • Barbarismo: um desvio da norma, seja na grafia, na pronúncia ou no sentido, como uma flor exótica que cresce onde não deveria.

Esses são os tropeços, as hesitações da fala. Evitar esses vícios torna a comunicação mais afiada, mais direta, um cristal translúcido em vez de um vidro embaçado. A clareza, ah, a clareza é um farol na noite.

Lembro-me de uma vez, num ônibus lotado em dia de chuva, alguém gritou: "Abre para dentro!". O riso coletivo, mesmo no aperto, era um reconhecimento dessa pequena falha, dessa poesia involuntária que, às vezes, escapa. É um pleonasmo, sim.

Vícios de linguagem exemplos:

  • Pleonasmo: "subir para cima", "descer para baixo", "entrar para dentro", "sair para fora". Repetição desnecessária de uma ideia.
  • Ambiguidade: Frases com múltiplos significados.
  • Cacofonia: Sons desagradáveis pela junção de palavras.
  • Eco: Repetição de sons similares ao final de frases.
  • Gerundismo: Abuso do gerúndio ("estamos fazendo").
  • Barbarismo: Erro de pronúncia, grafia ou significado.