Tem de haver ou têm de haver?
Tem de haver ou têm de haver? A concordância verbal que teima em nos confundir
A concordância verbal, a harmonia entre o verbo e o sujeito na frase, é uma das áreas da gramática que mais costumam gerar dúvidas. E uma das construções que mais nos deixa em dúvida é a utilização de “tem de haver” ou “têm de haver”. A resposta, como muitas vezes acontece em gramática, não é tão simples quanto um sim ou um não. A escolha correta depende, fundamentalmente, do núcleo do sujeito.
A expressão “haver”, quando empregada no sentido de existir, é um verbo impessoal. Isso significa que ele permanece na terceira pessoa do singular, independente do número de elementos que se referem à existência. Em outras palavras, a concordância não se faz com o que "existe", mas com o próprio verbo "haver".
Vejamos exemplos:
- Tem de haver mais oportunidades de emprego na região. (Refere-se à existência de oportunidades, no singular, embora existam muitas delas)
- Tem de haver muitos candidatos a essa vaga. (Novamente, o foco é na existência, no singular, mesmo que os candidatos sejam vários).
- Há muitos problemas a resolver. (Mesmo com muitos problemas, o verbo "haver" permanece no singular).
Perceba que, mesmo quando o que “existe” é plural, o verbo “haver” (e consequentemente, “tem de haver”) permanece no singular. A concordância não se dá com o complemento verbal (os problemas, os candidatos, as oportunidades), mas com o próprio verbo impessoal “haver”.
Quando usar “têm de haver”?
A forma “têm de haver” é gramaticalmente incorreta quando “haver” significa “existir”. Não existe uma situação em que o verbo “haver” nesse sentido deva ir para o plural. Seu uso incorreto é frequente em conversas informais, mas deve ser evitado em textos formais.
Casos em que a concordância é diferente:
É importante salientar que a impessoalidade do verbo “haver” se aplica apenas quando ele significa “existir”. Se “haver” for usado em outro sentido (como em “houve muitas festas” que significa “ocorreram”), a concordância verbal se faz normalmente com o sujeito.
Em resumo: Na grande maioria das vezes, a forma correta é “tem de haver”, mesmo quando o que existe é plural. A forma “têm de haver” é incorreta quando “haver” significa “existir”. A atenção à semântica do verbo é crucial para a correta concordância verbal. A dúvida entre “tem” e “têm” reside na compreensão da impessoalidade do verbo "haver" no sentido de existir. Priorize sempre a forma singular ("tem de haver") neste contexto.
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