O que faz um verbo ser impessoal?
A Impessoalidade Verbal: Quando o Verbo Age Sem Sujeito
A gramática portuguesa, rica em nuances e particularidades, apresenta o conceito de verbo impessoal, um elemento que desafia a tradicional estrutura sujeito-verbo-predicado. Mas o que exatamente torna um verbo impessoal? A resposta reside na ausência de um sujeito que realize a ação verbal. Diferentemente dos verbos pessoais, que necessitam de um agente para completar seu sentido, os verbos impessoais expressam ações ou estados que ocorrem de forma independente, sem um executor claro e definido.
A categoria mais conhecida de verbos impessoais se relaciona com os fenômenos da natureza. Exemplos clássicos são "chover", "nevar", "trovejar", "amanhecer" e "anoitecer". Em frases como "Choveu muito ontem" ou "Amanheceu um dia lindo", não há um sujeito realizando a ação de chover ou amanhecer. A chuva simplesmente ocorreu; o amanhecer simplesmente aconteceu. Não se pode, portanto, perguntar "Quem choveu?" ou "Quem amanheceu?". A resposta seria, em ambos os casos, inexistente.
No entanto, a impessoalidade verbal não se limita apenas aos verbos que descrevem fenômenos meteorológicos. O verbo "haver", quando empregado no sentido de existir ou ocorrer, também se comporta como impessoal, independentemente da conjugação. Frases como "Há muitas pessoas na fila" ou "Houve muitos acidentes ontem" exemplificam essa impessoalidade. Observe que "haver" permanece na terceira pessoa do singular, mesmo quando o "objeto" da existência é plural. A impessoalidade prevalece sobre a concordância verbal.
Outro caso interessante é o verbo "fazer", quando indica tempo decorrido. Em sentenças como "Faz dez anos que não o vejo" ou "Fazia frio naquela noite", o verbo permanece na terceira pessoa do singular, mesmo que se refira a um período de tempo extenso. Aqui, a ação de "fazer" o tempo passar não é atribuída a um sujeito específico.
É importante destacar a diferença entre a impessoalidade do verbo e a omissão do sujeito. A omissão ocorre quando o sujeito existe, mas é elíptico (subentendido), como em "Comi pizza no jantar" (sujeito: eu, implícito). No caso dos verbos impessoais, o sujeito não existe; a ação se apresenta como um fato isolado, independente de qualquer agente.
Em suma, a impessoalidade verbal é um recurso da língua portuguesa que permite expressar ações e estados de forma concisa e objetiva, sem a necessidade de identificar um sujeito executor. Compreender essa peculiaridade gramatical é fundamental para a análise sintática e a produção de textos coesos e corretos. A distinção entre verbos impessoais e verbos com sujeito oculto é crucial para evitar erros de concordância verbal e garantir a clareza da mensagem.
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