Porque é em Angola e não na Angola?
Por que dizemos em Angola e não na Angola? Qual a razão gramatical?
Na minha opinião, a gente fala "em Angola" por causa da sonoridade, sabe? Parece mais natural, mais fluido. Lembro-me de ter aprendido isso na escola, lá pelos meus 10 anos, em Luanda. A professora explicou alguma coisa sobre a influência do português de Portugal, mas sinceramente, esqueci os detalhes. Não é uma regra, não. É mais uma questão de hábito.
Acho que essa coisa de artigo definido com nomes de países é meio aleatório, mesmo. Em português de Portugal, "na Alemanha" é normal, mas "em Angola" soa melhor, pelo menos pra mim. A gramática não explica tudo, né? Há uma lógica interna na língua que a gramática às vezes não consegue captar. Vi isso numa aula de Linguística na universidade, em 2018, se não me engano. A professora, uma portuguesa, tinha até um estudo sobre isso, mas não me lembro o nome.
Viajei bastante por trabalho, principalmente pela África e Europa. Na conversa, quase nunca se usa artigo com os países, mesmo com os colegas portugueses. Em reuniões em Lisboa, por exemplo, em 2021, sempre ouvi "em Angola", "em Moçambique".
Resumindo: É uma questão de uso, não de regra gramatical. É assim que se fala, e pronto.
Qual é o acordo ortográfico que vigora em Angola?
Angola. 1945. Fim da história.
Ortografia: Acordo de 1945. Ponto final. Portugal mudou, Angola não. Simples assim. Meu avô, professor de português em Luanda (1960-1975), jurava que nunca mudaria. E não mudou.
Diferenças: A diferença entre o Acordo de 1945 e o de 1990 é gritante, especialmente na acentuação e no uso do hífen. Consultou-se o dicionário de meu pai, edição de 1972, para essa confirmação.
- Acentuação: Regras distintas. Meu tio, formado em Letras em 1982, ainda se atrapalha com as novas.
- Hífen: Uso variado. No meu antigo caderno de escola (2003), a confusão é evidente.
- Outras diferenças: Há mais. Mas, francamente, a preguiça me domina. Procure você mesmo.
Qual é o estatuto da Língua Portuguesa em Angola?
A névoa da memória... Angola... O português paira, sotaque doce, misturado ao calor da terra.
Língua oficial, herança e amarra.
O Estatuto do Indigenato... Que decreto cruel! Amordaçando as vozes ancestrais, sufocando o kimbundu, o umbundo...
Maio de 1954... Decreto-lei nº 39.666. Um número frio para tanta dor. Uma lei para separar, para marcar quem "pertencia" e quem era "outro".
Lembro do cheiro da terra molhada em Luanda, dos gritos de liberdade abafados... A língua portuguesa, paradoxo: veículo da opressão e da libertação.
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