Que nome se dá a uma pessoa que tem duas personalidades?
A pessoa com duas ou mais personalidades: além do rótulo
Muito se fala sobre pessoas com "duas personalidades", um termo popular que frequentemente evoca imagens de filmes e séries, muitas vezes distorcidas e sensacionalistas. Mas qual o termo correto para se referir a alguém que vivencia essa condição? Embora a expressão popular persista, a designação clínica atual é pessoa com Transtorno Dissociativo de Identidade (TID), anteriormente conhecido como Transtorno de Personalidade Múltipla.
É importante destacar que o TID é um transtorno complexo e frequentemente mal compreendido. Não se trata simplesmente de ter "duas personalidades" bem definidas e contrastantes, como frequentemente retratado na ficção. Na realidade, o TID envolve a presença de duas ou mais identidades distintas, também chamadas de alters, que se alternam no controle do comportamento, pensamentos, memórias e percepções da pessoa.
Cada alter pode possuir características próprias, como nome, idade, gênero, trejeitos, habilidades, gostos e até mesmo história de vida, criando a impressão de indivíduos separados coabitando o mesmo corpo. A transição entre as identidades pode ser repentina ou gradual, e frequentemente é desencadeada por situações de estresse ou gatilhos específicos.
Vale ressaltar a importância de não rotular a pessoa apenas pela sua condição. Em vez de dizer "a pessoa com múltiplas personalidades", é mais adequado e respeitoso referir-se a ela como "pessoa com TID" ou simplesmente como "indivíduo que vivencia TID". O foco deve estar na pessoa como um todo, reconhecendo sua complexidade e evitando a estigmatização que rótulos simplistas podem gerar.
Além disso, é crucial lembrar que o TID é uma condição de saúde mental séria, frequentemente resultante de traumas severos na infância. O diagnóstico e o tratamento devem ser conduzidos por profissionais de saúde mental qualificados, como psiquiatras e psicólogos, que podem oferecer o suporte necessário para a integração das identidades e a recuperação da pessoa. A automedicação ou a busca por informações em fontes não confiáveis pode ser prejudicial e deve ser evitada.
Portanto, embora a expressão "duas personalidades" seja comum, ela simplifica demais um transtorno complexo e multifacetado. Utilizar a terminologia correta, Transtorno Dissociativo de Identidade (TID), e focar na pessoa em sua totalidade, contribui para a desmistificação do transtorno e para uma abordagem mais humana e respeitosa. A conscientização e a busca por informação precisa são fundamentais para combater o estigma e promover a compreensão daqueles que vivenciam o TID.
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