O que mais atrai os jovens hoje em dia?
O que mais atrai e interessa os jovens na atualidade?
Jovens atualmente se interessam por tecnologia e mídias sociais, sustentabilidade, diversidade, viagens e saúde mental.
Quando penso no que agarra a atenção da malta mais nova agora, é uma mistura, sabe. Eu vejo muito no meu sobrinho, o Tiago, que faz 16 anos este ano, a vida dele é toda à volta do telemóvel, do TikTok. Ele passa horas a ver uns vídeos muito curtos, a fazer uns desafios estranhos que sinceramente eu não percebo, mas para ele aquilo é o mundo, é a forma de estar ligado aos amigos, de ver o que está a acontecer.
Lembro-me uma vez, em agosto do ano passado, estávamos na praia da Costa da Caparica, e ele não parava de filmar, de gravar coisinhas para o Instagram. É uma necessidade quase, de mostrar onde estão, o que fazem, de construir uma imagem ali. E não é só ele, vejo por toda a parte.
Eles têm uma consciência que a minha geração talvez não tinha tanto assim, pelo menos não com esta urgência. Falo da sustentabilidade, de como o planeta está. Eu estive numa feira de artesanato no LX Factory em Lisboa, tipo há uns meses, acho que foi em março, e vi uma miúda super nova a vender umas pulseiras feitas de materiais reciclados, com uma paixão. Ela explicava tudo, tipo, o impacto de cada peça.
Aquela conversa ficou na cabeça. Não é só moda, é uma coisa séria para eles. Querem marcas que se importem, que não explorem ninguém, que pensem no ambiente. Isso é diferente. A minha preocupação com o ambiente surgiu mais tarde, quando já era adulta.
Outra coisa que me salta à vista é a valorização da diversidade. Antigamente, parecia que tínhamos de encaixar num molde. Hoje, os miúdos parecem mais abertos a serem quem são, a aceitar as diferenças nos outros. Na faculdade, na Nova, onde faço uns cursos de vez em quando, vejo turmas com gente tão variada, de sítios diferentes, com ideias distintas, e a forma como interagem é tão mais natural e respeitosa, sem aquelas piadas velhas que a gente ouvia.
Eles querem é viver. Não sei bem explicar, mas não é só ter coisas, é ter experiências. Viagens, por exemplo. Não querem só ir de férias para um hotel e ficar ali. Querem ir para a Ásia, para a América do Sul, fazer voluntariado, aprender, conhecer. Tipo, a Sofia, filha de uma amiga, foi para a Tailândia sozinha em janeiro, passou lá um mês a explorar. Impressionou-me a coragem e a sede de mundo.
E a saúde mental é algo que eles discutem abertamente. Lembro-me, na minha altura, ninguém falava de ansiedade ou de burnout. Era quase um tabu. Hoje, eles procuram ajuda, falam com os amigos, procuram recursos online. Sabem que está tudo bem não estar bem, e isso é um passo gigante. Eles valorizam o cuidado consigo mesmos, com o seu interior. É uma coisa bonita de se ver.
O que os jovens mais desejam?
Cara, essa coisa de "o que os jovens mais querem" é complexa pra caramba, né? Mas olha, pelo que eu vejo e ouço por aí, a molecada tá muito focada em se sentir útil, sabe? Tipo, não é só ganhar dinheiro, é ter um trampo que faça sentido.
- Crescimento pessoal e profissional é chave. Eles querem aprender, evoluir, tipo, não ficar parados no mesmo lugar, isso é super importante.
- Carreiras com propósito. Pensa em algo que ajude o mundo, que tenha um impacto. Isso mexe com eles.
- Flexibilidade é lei. Poder trabalhar de onde quiser, ter horários mais soltos, isso é um baita atrativo. Não querem ficar presos a um escritório das 8h às 18h.
E a grana? Ah, a grana é importante sim, não vou mentir, ninguém quer viver na pindaíba, mas não é o único santo que eles rezam.
- Equilíbrio entre vida e trabalho. Isso é fundamental. Curtir a vida, ter tempo pra amigos, família, hobbies, sem se sentir culpado por não estar trabalhando.
- Ambientes que incentivem a inovação. Um lugar onde possam dar ideia, ser criativos, colaborar com os outros. Ninguém aguenta mais lugar engessado, né?
- Aprendizado contínuo. Eles querem estar sempre se atualizando, aprendendo coisas novas. Isso é mais valioso que um salário alto às vezes.
Sabe, é tipo um pacote completo. Eles querem se sentir bem no trabalho, mas também ter uma vida fora dele. E o dinheiro? Bom, ajuda a pagar as contas e as experiências, claro. Mas o mais importante é essa sensação de que o que fazem importa.
O que os jovens buscam hoje em dia?
Nossa, hoje passei o dia todo no TikTok, é um vício. A gente vive online, né? Tudo acontece lá, as trends, as tretas, o trabalho. Meu primo largou a facul pra virar streamer. Loucura, mas quem sou eu pra julgar, eu gasto meu dinheiro com skin de jogo. É uma fuga da realidade.
A galera se preocupa com umas coisas pesadas:
- Saúde mental: ansiedade no talo, burnout é o novo normal. Todo mundo faz terapia ou deveria fazer. A pressão pra ser produtivo e feliz o tempo todo é surreal, principalmente no instagram.
- Grana: como q paga aluguel e ainda vive? impossivel. O custo de vida subiu demais, ninguém consegue comprar uma casa. A gente vive de bicos e freelas, tentando fazer o dinheiro esticar.
- O planeta: sério, às vezes bate um desespero com as notícias sobre o clima. Qual o sentido de planejar o futuro se tudo pode acabar?
A Geração Z busca autenticidade, experiências e propósito. Valorizam a flexibilidade no trabalho e causas sociais.
Interesses:
- Games online (eSports)
- Criação de conteúdo (TikTok, Instagram)
- Streaming de séries e filmes
- Música (shows, festivais)
Preocupações:
- Estabilidade financeira e carreira
- Saúde mental (ansiedade, depressão)
- Sustentabilidade e mudanças climáticas
- Identidade e aceitação social
Outra coisa é a necessidade de pertencimento. Encontrar sua tribo, sabe? Seja no Discord jogando Valorant a noite toda ou nos roles de k-pop. Eu mesma faço parte de uns três grupos diferentes. É onde a gente se sente seguro pra ser quem é de verdade, longe dos julgamentos.
E o consumo mudou muito. A gente compra muito em brechó, é mais sustentável e estiloso, mas ao mesmo tempo cai na cilada da Shein. É essa contradição o tempo todo. Querer salvar o planeta mas também querer a blusinha da moda que custa 20 reais. Complicado. O que eu mais quero é viajar, conhecer lugares, colecionar momentos, nao coisas.
Quais são os principais desafios que os jovens de hoje enfrentam?
Os jovens enfrentam desafios globais substanciais. Isto inclui a crise climática, a desigualdade social crescente e instabilidades políticas generalizadas.
- Clima: O planeta arde. A retórica é vazia. As promessas, mais ainda. Eles herdam um fardo. É uma herança pesada, talvez insuperável. Meu irmão, por exemplo, não fala sobre o futuro. Ele apenas observa as notícias. Um silêncio pesado.
- Desigualdade: A distância entre o que se tem e o que se precisa aumenta. Estruturas sociais rígidas persistem. Mérito é uma palavra esvaziada. Eu mesmo, quando jovem, vi amigos lutarem por uma chance que nunca veio. Não era falta de esforço.
- Política: A confianca nas instituições esvai-se. Pouca representatividade, decisões distantes. A máquina segue, ignorando vozes. Um ciclo conhecido. Parece que a participação, para muitos, é apenas uma formalidade. Não muda nada, a fundo.
Sentem a responsabilidade. Um peso invisível, mas real. Buscam soluções, às vezes sem rumo. A impotência, porém, é um muro. Frustração acompanha. É a única resposta lógica para a magnitude do problema.
Uma luta inglória, muitas vezes. A existência é, por si só, um ato de resistência ou resignação. Eu já experimentei os dois.
- A ação individual parece mínima. Mudanças sistêmicas são necessárias, mas distantes.
- A esperança, quando existe, é frágil. E a indiferença, um escudo útil.
- O futuro é uma tela em branco que já vem rabiscada. Não lhes deram a tinta, apenas a responsabilidade de limpar. É assim que vejo.
Quais são os principais riscos que os adolescentes enfrentam?
Ah, adolescência. É uma fase que mexe com a cabeça da gente, né? Fico pensando nos meus sobrinhos, a pressão que eles vivem. Lembro daquelas listas que aparecem na internet sobre o que os jovens enfrentam. É tanta coisa...
Os principais riscos que adolescentes enfrentam incluem baixa autoestima, isolamento social, timidez, bullying, vício em tecnologia, amizades problemáticas e estresse.
Baixa autoestima é real. Na minha época, lá pelos 14, eu me sentia um lixo às vezes. Sempre comparando com as "populares" da escola, achando que nada que eu fazia era bom o suficiente. É um ciclo horrível que a gente cria na própria mente.
E o isolamento social? Vejo uns que se fecham no quarto, sabe? Só no celular. Isso me preocupa muito. E a timidez muitas vezes vem junto, não é? Dá um medo de interagir, de ser julgado. Lembro de tremer pra apresentar trabalho na frente da turma. Não conseguia falar direito.
Bullying é um nojo. Eu vi de perto. Tinha um menino na minha sala que era zoado por causa dos óculos, e ninguém fez nada. Me arrependo até hoje de não ter defendido ele. Com a internet, então, é ainda pior, o cyberbullying é implacável. Sem escapatória.
Vício em tecnologia... Esse é um problemaço. Meu primo mais novo, 16 anos, vive grudado na tela. Só joga, não sai, não estuda direito. Os pais dele brigam, mas parece que ele vive num mundo paralelo, só tela. É uma dependência que assusta.
Amizades problemáticas, clássico da adolescência. Eu mesma me meti com umas pessoas que não eram boas influências. Fiz umas besteiras pra me sentir aceita no grupo. Que fase louca. Meus pais, por sorte, foram firmes e me tiraram dessa. A gente faz tanta bobagem por aceitação.
E o estresse? Ah, o estresse... Escola, provas, vestibular, expectativas dos pais, o futuro incerto. É muita coisa para uma cabeça tão jovem processar. Lembro das crises de ansiedade antes das provas, a sensação de que o mundo ia acabar se eu tirasse uma nota baixa. Uma pressão insana. Será que a gente como adulto pressiona demais? Preciso ligar pra minha irmã e perguntar como o Miguel está lidando com tudo isso na escola agora. Ser pai de adolescente hoje é um desafio gigante.
Como é que as redes sociais podem influenciar a personalidade dos jovens?
O uso de redes sociais está associado ao aumento de ansiedade e depressão em jovens. A exposição a vidas idealizadas e o medo de exclusão (FOMO) geram sentimentos de inadequação.
Ah, as redes sociais. O grande palco onde a vida de todo mundo parece um comercial de margarina, enquanto a nossa é mais um episódio de série de drama com baixo orçamento. A personalidade de um jovem, que já é uma espécie de bonsai em pleno crescimento, passa a ser podada não pela vida, mas pelo algoritmo. É um processo sutil, quase uma infiltração na parede da alma.
O "eu" digital vira uma startup que precisa de investimento constante (likes) pra não falir emocionalmente. A gente começa a pensar em que ângulo a nossa tristeza ficaria mais poética prum story, em vez de simplesmente ficar triste. É a performace da vida, 24 horas por dia.
Aqui vai a anatomia desse desastre charmoso:
A construção de uma identidade editada. Ninguém posta foto do boleto chegando. O perfil vira um portfólio de sucessos, viagens e cafés com desenhos na espuma. A personalidade real, com suas manias e dias ruins, fica escondida nos rascunhos, com vergonha de não ser "instagramável".
A economia da atenção e da validação externa. O like virou a nova moeda do afeto. O cérebro recebe aquela microdose de dopamina e fica viciado, transformando a autoestima numa montanha-russa que depende da boa vontade alheia. É como entregar o controle do seu humor para uma plateia de desconhecidos.
A comparação como esporte olímpico. Rolar o feed é como passear por um museu de vidas perfeitas que não existem. O cérebro, coitado, não sabe distinguir o palco da realidade e começa a sussurrar: "por que sua vida não é assim?". A grama do vizinho não é só mais verde, ela tem filtro e foi postada de uma praia em Bali.
O medo crônico de ficar de fora (FOMO). Aquele pânico silencioso de não estar na festa que todo mundo foi, não ter visto a série do momento, não ter entrado na trend. É um fantasma digital que assombra e gera uma ansiedade constante para se manter conectado, para não se tornar obsoleto socialmente aos 17 anos.
Lembro do meu sobrinho, o Guto, que ficou genuinamente triste porque a foto do seu cachorro não "performou" bem. O cachorro é o mesmo, fofíssimo, mas a falta de likes o fez sentir que ate o cachorro dele era menos legal. É um exemplo bobo, mas que ilustra perfeitamente essa loucura.
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