Quem criou as smart cities?

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A IBM cunhou o termo smart city em 2008, conceituando-o como a aplicação estratégica de tecnologias para otimizar a infraestrutura urbana. Isso visa a eficiência e a melhoria da qualidade de vida nos centros urbanos, integrando soluções inovadoras para diversos setores da cidade.
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A Origem e Evolução das Cidades Inteligentes: Além da IBM e do "Smart"

Embora a IBM tenha popularizado o termo "smart city" em 2008, cunhando a expressão e promovendo ativamente a ideia de cidades otimizadas por tecnologia, a história das cidades inteligentes é mais complexa e remonta a um período anterior, com precursores e influências diversas que pavimentaram o caminho para a concepção moderna. Reduzir a criação das cidades inteligentes à IBM seria simplificar uma trajetória multifacetada.

Precursores Históricos da Urbanização Inteligente:

Antes do advento da computação moderna, ideias e projetos que buscavam otimizar a vida urbana já existiam. Desde o planejamento urbano visionário de cidades como Brasília, no Brasil, até as teorias de urbanistas como Patrick Geddes, que no início do século XX defendia a importância de entender a interconexão entre o homem e o ambiente urbano, podemos identificar sementes do conceito de cidade inteligente. Geddes, em particular, defendia uma abordagem holística para o planejamento urbano, buscando soluções baseadas no conhecimento da ecologia local e das necessidades da comunidade.

A Influência da Cibernética e da Teoria dos Sistemas:

A cibernética, desenvolvida na década de 1940, e a teoria dos sistemas, que se popularizou posteriormente, influenciaram profundamente a maneira como pensamos sobre as cidades. Ambas as disciplinas fornecem um arcabouço teórico para entender a cidade como um sistema complexo, interconectado e dinâmico. A aplicação desses conceitos permitiu a criação de modelos computacionais para simular o comportamento urbano, o que se mostrou fundamental para o desenvolvimento das tecnologias que sustentam as cidades inteligentes.

O Papel da Tecnologia na Convergência Urbana:

O avanço das tecnologias da informação e comunicação (TIC) nas décadas de 1990 e 2000 foi um catalisador fundamental para a concretização das cidades inteligentes. A crescente disponibilidade de dados, a capacidade de processamento computacional e a proliferação de dispositivos conectados (IoT) permitiram a coleta, análise e utilização de informações em tempo real para otimizar diversos aspectos da vida urbana. Empresas como a Cisco, Siemens e outras, além da IBM, investiram fortemente no desenvolvimento de tecnologias para cidades, contribuindo para a criação de soluções para tráfego, energia, segurança e outros setores.

Além da Tecnologia: Foco no Cidadão e na Sustentabilidade:

É importante ressaltar que o conceito de cidade inteligente evoluiu para além da mera aplicação de tecnologia. Atualmente, o foco se concentra na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, na promoção da sustentabilidade ambiental e no desenvolvimento de soluções que abordem os desafios sociais e econômicos específicos de cada cidade.

A Evolução Contínua do Conceito:

Portanto, as cidades inteligentes não foram "criadas" por uma única entidade, mas sim fruto de um processo evolutivo que envolveu diversas influências, desde o planejamento urbano clássico até a cibernética e as tecnologias da informação. A IBM desempenhou um papel importante na popularização do termo e na promoção da ideia, mas a história das cidades inteligentes é mais rica e complexa, refletindo a busca constante por soluções inovadoras para os desafios da urbanização. O futuro das cidades inteligentes depende da nossa capacidade de integrar tecnologia, planejamento urbano, sustentabilidade e participação cidadã para criar centros urbanos mais eficientes, equitativos e resilientes.

Em resumo, a história das cidades inteligentes é uma narrativa de convergência, onde o planejamento urbano clássico encontra a teoria dos sistemas, a cibernética e as tecnologias de informação, tudo em busca de cidades mais humanas e sustentáveis. A IBM ajudou a dar um nome a esse movimento, mas a jornada para cidades realmente inteligentes está apenas começando.