Quem foi o general Gomes da Costa?

0 visualizações
Saber quem foi o general gomes da costa envolve compreender a história política portuguesa do século XX. O militar liderou o movimento revolucionário de 28 de maio de 1926 que derrubou a Primeira República. Posteriormente assumiu a presidência da república em Portugal. O general também combateu na Primeira Guerra Mundial.
Comentário 0 curtidas

Quem foi o general Gomes da Costa: Líder de 1926

Descobrir quem foi o general gomes da costa ajuda a entender a transição política em Portugal. O militar comandou ações decisivas na Primeira Guerra Mundial e chefiou a revolta que encerrou a Primeira República. Compreender essa biografia evita lacunas sobre os governantes históricos portugueses.

Quem foi o General Gomes da Costa?

O general Manuel Gomes da Costa foi um proeminente oficial militar e político português que desempenhou um papel determinante na queda da 1.ª República Portuguesa ao liderar o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926. Figura complexa e carismática, acumulou prestígio nas campanhas ultramarinas e na gomes da costa primeira guerra mundial antes de assumir a chefia do governo e do Estado por um período curtíssimo de apenas 22 dias, terminando tragicamente traído, preso e exilado pelos seus próprios aliados do movimento.

A sua trajetória reflete a enorme volatilidade política da época. O golpe de 1926, que começou sob a sua liderança em Braga com o objetivo declarado de regenerar a pátria, acabou por lançar as bases institucionais para a Ditadura Militar e, posteriormente, para o regime do Estado Novo. Para quem estuda este período, entender a sua ascensão e queda rápida é fundamental para destrinçar as lutas de fações internas que redesenharam o século vinte em Portugal.

A Trajetória Militar: Das Colónias à Primeira Guerra Mundial

Nascido em Lisboa em 1863, Gomes da Costa construiu uma carreira militar assinalável no Ultramar, servindo em comissões na Índia, em Moçambique e em Angola. Tornou-se um operacional respeitado nas campanhas de pacificação sob as ordens de Mouzinho de Albuquerque. No entanto, o seu verdadeiro batismo de projeção mediática e popular deu-se nos campos de batalha europeus durante a Primeira Guerra Mundial, quando assumiu o comando da Segunda Divisão do Corpo Expedicionário Português enviada para a Flandres, em França.

O Corpo Expedicionário Português mobilizou cerca de 55.000 soldados para a frente europeia entre 1917 e 1918. O momento mais dramático ocorreu na Batalha de La Lys, a 9 de abril de 1918, quando as tropas sob o comando interino de Gomes da Costa foram esmagadas por uma ofensiva alemã numericamente muito superior, resultando em mais de 7.000 prisioneiros portugueses.

Apesar do desfecho trágico da batalha e do colapso das lines, a sua postura no terreno garantiu-lhe o estatuto de herói de guerra junto da opinião pública e dos setores militares em Portugal, capitalizando um prestígio que usaria mais tarde na arena política.

A Revolução de 28 de Maio de 1926 e a Queda da 1.ª República

Em maio de 1926, Portugal vivia num cenário de profunda instabilidade social, económica e parlamentar. Escolhido pelos setores mais conservadores e nacionalistas do exército devido à sua imensa popularidade, o general gomes da costa 28 de maio de 1926 assumiu a liderança militar do golpe a partir de Braga. A marcha revolucionária avançou até Lisboa sem encontrar resistência significativa, forçando a demissão do último governo constitucional e o fim definitivo da instável 1.ª República.

Mas o golpe não era um movimento ideologicamente homogéneo. Coexistiam fações republicanas moderadas, representadas inicialmente pelo comandante José Mendes Cabeçadas em Lisboa, e fações profundamente conservadoras e de direita no Norte. Pouco depois de entrar triunfalmente na capital à frente das suas tropas, gomes da costa voltou a primeira republica e entrou em colisão direta com Mendes Cabeçadas devido à composição do ministério e aos rumos do novo regime. Numa manobra de força militar, forçou o afastamento de Cabeçadas e assumiu plenos poderes.

A Presidência Mais Curta: 22 Dias de Poder e o Contragolpe

A experiência de Gomes da Costa na chefia do Estado e do Ministério começou formalmente a 17 de junho de 1926. O general acumulou as pastas da Guerra e do Interior, concentrando uma autoridade quase absoluta no papel. No entanto, a sua falta de tato político e a incapacidade de conciliar as exigências das correntes civis e militares que o apoiavam rapidamente o isolaram no palácio governamental.

O seu consulado durou escassos 22 dias, terminando abruptamente a 9 de julho de 1926. Uma conspiração interna liderada pelo general Óscar Carmona e por João José Sinel de Cordes executou um contragolpe fulminante. O futuro presidente gomes da costa portugal foi surpreendido no Palácio de Belém, detido pelas próprias forças que o rodeavam e enviado sob prisão para o Forte de Caxias, de onde seria posteriormente transferido para Cascais para aguardar o seu afastamento definitivo da metrópole.

O Exílio nos Açores, o Título de Marechal e os Últimos Anos

Para neutralizar por completo o risco de uma nova sublevação popular em nome do herói de La Lys, as novas autoridades da Ditadura Militar decidiram deportá-lo. A 11 de julho de 1926, Gomes da Costa partiu a bordo do pacote Carvalho Araújo rumo ao exílio em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores. Ali permaneceu afastado da atividade governativa num exílio político forçado que visava consolidar a liderança de Óscar Carmona na presidência.

Numa bizarra ironia do destino e como manobra de pacificação interna do próprio exército, o mesmo regime que o baniu concedeu-lhe o bastão de marechal em setembro de 1926, recompensando os seus antigos serviços militares. Ao analisar a biografia gomes da costa general, percebe-se que após passar por Ponta Delgada e viver um breve período no estrangeiro, em Itália e França, regressou a Portugal Continental em maio de 1928. Afastado da vida pública, faleceu em Lisboa em dezembro de 1929, amargurado e desiludido com os rumos políticos do país.

Se quiser entender mais sobre as expressões da época, descubra Como se diz moça em português de Portugal?.

Os Três Líderes do Golpe de 28 de Maio de 1926

A transição da 1.ª República para a Ditadura Militar envolveu figuras militares com visões e destinos profundamente distintos na história contemporânea portuguesa.

Mendes Cabeçadas

  • Afastado precocemente pelos militares radicais, acabou mais tarde por se opor ativamente ao Estado Novo
  • Exerceu funções governativas por cerca de 20 dias antes de ser forçado a ceder o poder a Gomes da Costa
  • Iniciou a revolta em Lisboa; representava a fação republicana moderada e constitucionalista do movimento

Gomes da Costa ⭐

  • Derrubado por um contragolpe militar interno, foi preso, exilado nos Açores e promovido a marechal
  • Exerceu as funções de Chefe do Estado e do Governo durante 22 dias, entre junho e julho de 1926
  • Comandante carismático da marcha do Norte (Braga); rosto popular e símbolo militar da revolução

Óscar Carmona

  • Figura central de legitimação institucional do regime e aliado decisivo na ascensão de Salazar
  • Consolidou o seu poder na Ditadura Militar, governando o país como Presidente até à sua morte em 1951
  • Inicialmente na sombra, liderou o contragolpe de 9 de julho que destituiu o general Gomes da Costa
Enquanto Mendes Cabeçadas procurava uma transição constitucional e Gomes da Costa encarnava o carisma militar sem visão política de longo prazo, Óscar Carmona revelou-se o verdadeiro estratega político. Foi a fação de Carmona que logrou estabilizar o poder militar e abrir caminho para a institucionalização do regime ditatorial.

A Jornada de Gomes da Costa: De Braga a Angra do Heroísmo

O general Gomes da Costa iniciou a revolta militar em Braga a 28 de Maio de 1926, aclamado por uma multidão cansada da instabilidade republicana. O veterano sentia-se investido de uma missão quase divina para salvar Portugal.

Ao chegar a Lisboa, o general deparou-se com intensas intrigas políticas. O seu plano de governar de forma autocrática esbarrou na resistência interna dos seus camaradas de armas, gerando grande fricção.

Em Belém, percebeu tarde demais que o carisma militar não bastava para travar a máquina da política de bastidores. O contragolpe de julho isolou-o completamente no palácio.

Conduzido ao exílio no paquete Carvalho Araújo, o marechal passou meses na ilha Terceira, compreendendo que a glória das armas raramente sobrevive às ambições do poder civil e ditatorial.

Mais referências

Quanto tempo durou o mandato presidencial de Gomes da Costa?

O mandato de Gomes da Costa durou apenas 22 dias, estendendo-se de 17 de junho a 9 de julho de 1926. Ele acumulou a chefia do governo e do Estado antes de ser deposto por Óscar Carmona.

Onde ficou exilado o general Gomes da Costa após ser deposto?

Após a sua destituição e prisão temporária, o general foi exilado para Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores. Partiu para o arquipélago a 11 de julho de 1926.

Qual foi o papel de Gomes da Costa na Primeira Guerra Mundial?

Na Primeira Guerra Mundial, Gomes da Costa comandou a Segunda Divisão do Corpo Expedicionário Português na Flandres, França. Ele liderou as tropas na trágica Batalha de La Lys em 1918.

Resumo e conclusão

Líder do golpe de 28 de Maio

Gomes da Costa foi o comandante militar escolhido para liderar a revolta a partir de Braga que derrubou a 1.ª República.

Mandato relâmpago de 22 dias

Assumiu os plenos poderes a 17 de junho de 1926, mas acabou deposto por um contragolpe militar interno a 9 de julho.

Herói de La Lys na Flandres

Apesar do colapso militar português na Batalha de La Lys em 1918, a sua imagem pública ficou associada à bravura no terreno.

Exilado e promovido a marechal

O regime afastou-o para os Açores para evitar dissidências, mas atribuiu-lhe o bastão de marechal no exílio em setembro de 1926.