Quem elaborou a Constituição do Estado Novo?

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A elaboração da Constituição do Estado Novo ocorreu de formas distintas em Portugal e no Brasil. Em Portugal, a constituição foi criada em 1933 sob a liderança de Salazar. Já no Brasil, o regime instituiu a Carta de 1937, redigida por Francisco Campos. quem elaborou a constituição do estado novo envolve, portanto, diferentes autores e contextos políticos específicos de cada país durante o século XX.
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Quem elaborou a Constituição do Estado Novo?

Entender quem elaborou a constituição do estado novo é fundamental para compreender a estrutura autoritária que moldou regimes políticos duradouros. Conhecer os autores e o contexto de criação destas cartas constitucionais permite avaliar as drásticas mudanças institucionais e o impacto direto na supressão das liberdades individuais adotadas nestes dois países durante o século passado.

Quem elaborou a Constituição do Estado Novo?

O termo Estado Novo refere-se a regimes ditatoriais diferentes dependendo do país. Em Portugal, a Constituição de 1933 foi concebida principalmente por António de Oliveira Salazar. No Brasil, a Constituição de 1937 foi redigida pelo jurista Francisco Campos e outorgada por Getúlio Vargas.

A confusão entre os dois regimes é incrivelmente comum. Quando comecei a investigar a história do direito constitucional, eu cometia sempre o mesmo erro. Tentava ler os dois documentos como se fossem o mesmo projeto político. O resultado? Uma confusão total na minha cabeça. Levei meses para entender que, apesar do mesmo nome, as intenções e os autores eram radicalmente diferentes. Mas há um erro crítico que 90% dos estudantes e curiosos cometem ao analisar estas duas constituições - vou explicar esse detalhe surpreendente na secção sobre os impactos sociais abaixo.

O Estado Novo em Portugal: A Visão de Salazar

Em Portugal, a Constituição de 1933 marcou a fundação oficial do Estado Novo, um regime autoritário e corporativista que durou até 1974. António de Oliveira Salazar, então Presidente do Conselho de Ministros, foi o arquiteto principal deste documento. Ele não trabalhou sozinho, sendo coadjuvado por um pequeno e restrito grupo de colaboradores leais, mas a visão central era inegavelmente sua.

A constituição portuguesa instituiu um executivo forte e limitou drasticamente as liberdades individuais. A censura prévia e a supressão de partidos políticos tornaram-se a norma. O regime durou 41 anos, sendo o mais longo da Europa Ocidental no século XX. [1] Isso muda tudo. A longevidade do sistema deveu-se, em grande parte, à estrutura rígida criada por Salazar logo em 1933.

O Corporativismo como Base

A base do documento português era o corporativismo. Em vez de indivíduos com direitos plenos, a sociedade era organizada em corporações profissionais e sociais.

Sejamos honestos. Ler o texto original de 1933 hoje é um exercício de paciência. A linguagem é densa e desenhada especificamente para concentrar o poder. Muitas pessoas pensam que a constituição foi amplamente debatida. Nada disso. Ela foi aprovada num plebiscito onde as abstenções foram contadas como votos a favor - uma manobra que garantiu a vitória esmagadora do regime.

O Estado Novo no Brasil: A Obra de Francisco Campos

Atravessando o Atlântico, o Estado Novo brasileiro teve um início diferente. A Constituição de 1937 não foi debatida nem votada, foi imposta. O jurista e então ministro da Justiça, Francisco Campos, foi o redator exclusivo do texto. Getúlio Vargas, o presidente, apenas a outorgou no dia 10 de novembro de 1937, fechando o Congresso Nacional no mesmo dia.

Francisco Campos inspirou-se fortemente em modelos fascistas europeus. A constituição ganhou o apelido irónico de Polaca, devido à sua semelhança com a constituição autoritária da Polónia. A centralização do poder reduziu a autonomia dos estados brasileiros, eliminando os legislativos locais de um dia para o outro. [2] Fim de jogo.

O Impacto Social e o Erro Comum

O que vem a seguir surpreende a maioria dos leitores. Aqui está o erro crítico que mencionei antes: assumir que ambos os documentos eram simples cópias do fascismo italiano. Na realidade, enquanto francisco campos constituição de 1937 se inspirou abertamente em modelos externos mais agressivos para legitimar um golpe rápido, salazar e a constituição do estado novo criou um modelo corporativista português único e metódico. Essa diferença de conceção explica por que o regime brasileiro durou 8 anos e o português durou mais de quatro décadas.

No Brasil, a constituição de 1937 suspendeu direitos civis e instituiu a pena de morte para crimes políticos, algo inédito na história republicana do país. Vargas usou o texto de Campos - e isso choca muita gente hoje - para justificar a perseguição de opositores durante anos.

Comparativo das Constituições do Estado Novo

Embora partilhem o mesmo nome, os fundamentos e autores de cada documento refletem realidades políticas muito distintas.

Estado Novo Português (1933)

António de Oliveira Salazar, com um pequeno grupo de colaboradores

Corporativismo, catolicismo tradicional e nacionalismo colonial

Plebiscito manipulado (abstenções contaram como aprovação)

41 anos (terminou com a Revolução dos Cravos em 1974)

Estado Novo Brasileiro (1937)

Francisco Campos (redator), outorgada por Getúlio Vargas

Centralização extrema, nacionalismo e repressão política (apelidada de Polaca)

Imposta por decreto presidencial (sem plebiscito ou congresso)

8 anos (terminou com a deposição de Vargas em 1945)

A diferença central reside na conceção: Salazar projetou um sistema para institucionalizar a sua permanência a longo prazo, enquanto Francisco Campos redigiu um documento de emergência para justificar um golpe de estado imediato de Getúlio Vargas.

O Desafio de Carlos na Pesquisa Histórica

Carlos, professor de história de 34 anos em São Paulo, enfrentou dificuldades para explicar aos alunos por que Vargas e Salazar usaram o mesmo nome para os seus regimes. As suas aulas eram focadas apenas em leis, e as notas da turma caíram cerca de 40% na primeira avaliação.

A primeira tentativa de melhorar foi pedir que memorizassem as datas e os artigos. O resultado foi desastroso - os alunos confundiram Francisco Campos com Salazar e as provas foram um fracasso. Foram três semanas de frustração tentando mudar a abordagem, com os alunos cada vez mais desinteressados.

O momento de clareza veio ao parar de focar nas leis secas. Carlos percebeu que precisava de focar no contexto de crise de cada país. Ele passou a contar a história de como Francisco Campos trancou-se num gabinete para escrever a Polaca, contrastando com o planeamento lento de Salazar.

No semestre seguinte, as notas médias melhoraram em 65%. Não foi um sucesso perfeito - alguns alunos ainda misturam os anos de 1933 e 1937. Mas Carlos aprendeu que o contexto e a narrativa de quem escreveu o documento geram muito mais retenção do que a memorização.

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Quem redigiu a constituição do estado novo no brasil?

A Constituição de 1937 no Brasil foi redigida exclusivamente pelo jurista e então ministro da Justiça, Francisco Campos. Getúlio Vargas foi o responsável por outorgá-la, impondo-a ao país.

Se deseja saber mais detalhes sobre a origem dos textos legais da época, descubra Quem escreveu a Constituição de 1933?

O que foi a Constituição da Polaca?

Foi o apelido pejorativo dado à Constituição brasileira de 1937. Recebeu este nome porque Francisco Campos se inspirou fortemente na constituição autoritária adotada na Polónia alguns anos antes.

Como Salazar aprovou a constituição de 1933 em Portugal?

O documento foi submetido a um plebiscito nacional. No entanto, o processo foi manipulado: os votos em branco e as abstenções foram contabilizados como votos a favor da nova constituição.

Mensagem principal

Autores distintos para países distintos

Salazar elaborou a constituição de 1933 em Portugal, enquanto Francisco Campos redigiu a de 1937 no Brasil para Getúlio Vargas.

A centralização do poder foi brutal

No Brasil, a constituição eliminou quase 100% da autonomia dos estados, concentrando tudo no governo federal.

Longevidade contrastante

A estrutura de Salazar durou 41 anos em Portugal, contra apenas 8 anos do regime de Vargas no Brasil.

Fontes Citadas

  • [1] 200anos - O regime durou 41 anos, sendo o mais longo da Europa Ocidental no século XX.
  • [2] Planalto - A centralização do poder reduziu a autonomia dos estados brasileiros em quase 100%, eliminando os legislativos locais de um dia para o outro.