Como pode ser a conjunção?

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Conjunção Subordinativa Como

A conjunção como é um tipo de conjunção subordinativa que introduz orações subordinadas e estabelece diversos efeitos de sentido. Pode aparecer em três tipos de orações subordinadas: comparativa, consecutiva e causal.

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A Versatilidade da Conjunção “Como”: Além da Comparação

A conjunção “como”, apesar de frequentemente associada à comparação, apresenta uma riqueza semântica que a insere em um espectro mais amplo de funções sintáticas e semânticas, especialmente no universo das orações subordinadas. Sua interpretação, portanto, exige atenção ao contexto frasal para a adequada compreensão do sentido pretendido. Vamos explorar suas principais nuances:

1. Conjunção Comparativa: Esta é a função mais conhecida da conjunção “como”. Ela estabelece uma comparação entre dois elementos, indicando semelhança ou analogia. A comparação pode ser explícita ou implícita, dependendo da construção da frase.

  • Comparação Explícita: “Ele canta como um anjo.” (comparação direta entre a forma de cantar e a de um anjo).
  • Comparação Implícita: “Trabalhou como um louco para concluir o projeto a tempo.” (a comparação é implícita, sugerindo esforço intenso e exaustivo, semelhante ao trabalho de um louco).

Nesse contexto, “como” pode ser substituído, muitas vezes, por “tal como”, “assim como” ou “da mesma forma que”, sem alterar significativamente o sentido da frase.

2. Conjunção Consecutiva: Menos usual, mas presente na linguagem, “como” pode indicar uma consequência ou resultado de uma ação ou fato anterior. Nesse caso, geralmente expressa uma ideia de “tão… que”.

  • “Choveu tanto, como as ruas ficaram alagadas.” (a inundação das ruas é consequência da forte chuva). A substituição por “de modo que” ou “de sorte que” torna a consequência mais explícita.

A distinção entre a conjunção consecutiva e a comparativa nesse caso pode ser sutil e dependerá da ênfase do autor. No exemplo acima, a ênfase está na consequência da chuva, e não na comparação direta entre a intensidade da chuva e o nível de alagamento.

3. Conjunção Causal: Em certos contextos, “como” pode introduzir uma oração subordinada adverbial causal, indicando a causa ou razão de algo. Essa função é menos frequente e frequentemente confundida com a comparativa.

  • Como estava doente, faltou à aula.” (a doença é a causa da ausência). Aqui, a substituição por “já que”, “visto que” ou “porque” torna a relação causal mais evidente. A nuance crucial é que a doença justifica a falta, e não a compara.

Considerações Finais:

A identificação da função da conjunção “como” depende fortemente do contexto e da relação estabelecida entre as orações. Analisar cuidadosamente as relações de sentido entre as orações, bem como a possibilidade de substituições por outras conjunções equivalentes (comparativas, consecutivas ou causais), é crucial para uma correta interpretação e análise sintática. A flexibilidade semântica de “como” enriquece a língua, mas exige atenção do leitor e do escritor para evitar ambiguidades.