O que contribui para o preconceito linguístico?

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O preconceito linguístico surge da inadequada comparação entre a língua idealizada de gramáticas e dicionários e as diversas formas de falar da sociedade. Essa discrepância entre o que é "correto" e a riqueza da fala real alimenta a discriminação e a desvalorização de variados sotaques e jargões.
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Quais são as principais causas do preconceito linguístico?

Acho que a gente tem essa mania de prender a língua numa caixinha, sabe? Tipo, quando eu era miúdo, lá em 1998, na escola primária, a professora de português na Rua da Graça, em Lisboa, ensinava que havia um jeito certo de falar e escrever, e o resto era errado. Era quase como se houvesse um manual de instruções para a boca das pessoas, e se desviasse um bocadinho, pronto, já não servia.

Essa ideia de que existe só um português "perfeito", o que está nos livros e nos dicionários — aquela língua que ninguém fala de verdade, que é mais um ideal, uma coisa de museu –, é onde tudo descamba. Porque na vida real, cada um tem o seu sotaque, o seu calão, a sua maneira de arrumar as palavras. E as pessoas olham para quem fala diferente e rotulam, sem pensar na riqueza que é isso.

Lembro-me de um colega da faculdade, em 2005, que era do Alentejo e falava com um "a" muito aberto, muito característico. Eu via gente a rir-se, a imitar, a fazer piadas à custa da fala dele. Não era por maldade pura, mas porque a forma dele de se expressar não encaixava no que eles consideravam "normal" ou "culto". Isso é preconceito linguístico puro, sabes? Julgar o valor de alguém pela forma como as palavras saem da boca.

Na minha cabeça, a principal causa do preconceito com a língua nasce dessa comparação injusta entre o que a gente aprende na escola como sendo o "padrão certo" e as mil e uma formas genuínas como as pessoas realmente comunicam, no dia a dia. É a rigidez de uma norma contra a fluidez natural da fala.

E essa fixação no "correto" faz com que a gente perca a beleza da diversidade. É uma pena, porque a língua é viva, muda com a gente, com os lugares. Não dá para engessar. Acho que deveríamos celebrar cada sotaque, cada expressão regional, em vez de olhar com desdém para quem não se conforma a um modelo artificial. É uma visão meio tacanha, sinceramente.