O que é considerado um vício de linguagem?

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O que é considerado um vício de linguagem refere-se ao uso de expressões que desviam da norma-padrão. Erros de gramática e falta de clareza caracterizam esses desvios. Exemplos comuns incluem o pleonasmo vicioso e o barbarismo. Essas falhas ocorrem frequentemente por descuido ou falta de domínio das regras gramaticais vigentes.
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O que é considerado um vício de linguagem? Exemplos

Entender o que é considerado um vício de linguagem ajuda a evitar falhas graves na comunicação escrita e oral. O uso inadequado de termos prejudica a clareza e a credibilidade do autor. Identificar essas expressões garante maior conformidade com as regras gramaticais e protege a transmissão da mensagem pretendida.

O que é considerado um vício de linguagem?

Vícios de linguagem são desvios involuntários da norma-padrão da língua portuguesa, geralmente causados por descuido, falta de conhecimento gramatical ou repetição de costumes. Essas construções prejudicam a clareza, a elegância ou a correção do texto, dificultando a comunicação. Embora muitos pensem que o que é considerado um vício de linguagem é apenas uma gíria, a questão é mais profunda e envolve erros de sintaxe, pronúncia e semântica que ocorrem tanto na fala quanto na escrita.

O conceito de vício de linguagem está intimamente ligado ao contexto. Em uma conversa informal com amigos, alguns desses desvios passam despercebidos. Mas em ambientes profissionais ou acadêmicos, eles podem comprometer seriamente a sua imagem. Existe um fator curioso que muitos ignoram e que causa uma parcela significativa das falhas em redações de concursos[1] - falarei sobre esse erro específico na seção sobre solecismo logo abaixo.

Quais são os principais vícios de linguagem?

Identificar um vício de linguagem exige atenção aos detalhes da construção frasal. Os tipos mais comuns variam desde a repetição redundante de ideias até sons desagradáveis que surgem da junção de palavras. Entender quais são os principais vícios de linguagem é o primeiro passo para limpar o seu discurso e torná-lo mais assertivo.

Pleonasmo Vicioso

O pleonasmo vicioso é a repetição desnecessária de uma ideia já expressa anteriormente na frase. Diferente do pleonasmo literário, usado para dar ênfase, o vicioso é puro descuido. Confira alguns exemplos de vícios de linguagem clássicos incluem subir para cima, entrar para dentro ou elo de ligação (já que todo elo liga algo).

Lembro-me de quando comecei a escrever profissionalmente e usava "planejar antecipadamente" em quase todos os parágrafos. Foi um choque perceber que o planejamento, por definição, é algo feito antes. Retirei a redundância e o texto ficou muito mais limpo. Às vezes, menos é realmente mais.

Solecismo: O erro que derruba candidatos

Lembra do erro que mencionei anteriormente? O solecismo é o vício de linguagem que afeta a estrutura sintática, ocorrendo erros de concordância, regência ou colocação. Dizer "faziam dois anos" em vez de "fazia dois anos" é um solecismo de concordância que muitos cometem sem perceber.

Nas provas de larga escala, erros de regência verbal e nominal representam uma parcela significativa das perdas de pontos, afetando muitos estudantes em níveis intermediários.[2] Isso acontece porque a estrutura do pensamento se choca com as regras rígidas da norma culta. Um exemplo comum é usar "assistir o filme" quando a gramática exige "assistir ao filme".

Barbarismo e Cacófato: Sons e Formas

Além da estrutura das frases, os vícios podem ocorrer na palavra isolada ou no encontro de sons. O barbarismo acontece quando se erra na grafia, pronúncia ou flexão de uma palavra. Entender a relação entre vícios de linguagem e norma-padrão ajuda a evitar o clássico probrema ou a acentuação errada de rúbrica, que são exemplos marcantes.

Já o cacófato é o som desagradável que surge quando o final de uma palavra se une ao início da próxima. Expressões como "vi ela" (soando como viela) ou "por cada" (lembrando porcada) podem gerar risos ou desconforto em discursos formais. A sonoridade importa tanto quanto o conteúdo - ou até mais em alguns contextos de oratória.

Gerundismo e Estrangeirismo na vida moderna

Na era dos serviços de atendimento ao cliente, o gerundismo tornou-se uma praga linguística. Frases como "vou estar transferindo a ligação" em vez de "vou transferir" tentam passar uma ideia de continuidade, mas acabam sendo apenas construções pesadas e erradas. O gerúndio deve ser usado para ações que estão ocorrendo no momento, não para o futuro remoto.

O estrangeirismo, por sua vez, é o uso excessivo de palavras de outros idiomas quando já temos equivalentes em português. Muitos profissionais de tecnologia e marketing utilizam termos como "feedback", "break" ou "check-in" diariamente. [3] Embora alguns sejam aceitos, o excesso é considerado vício quando ignora a riqueza da nossa própria língua.

Diferença entre Vício de Linguagem e Figura de Linguagem

Muitas pessoas confundem os vícios com figuras de linguagem. A diferença crucial reside na intenção e no resultado estético da construção.

Vício de Linguagem

  • Pleonasmo vicioso: 'Hemorragia de sangue'.
  • Prejudica a clareza e a elegância da comunicação.
  • Involuntário, causado por descuido ou desconhecimento.

Figura de Linguagem ⭐

  • Pleonasmo literário: 'E rir meu riso e derramar meu pranto'.
  • Enriquece a mensagem e cria novos sentidos poéticos.
  • Intencional, usada como recurso estilístico ou expressivo.
Enquanto o vício de linguagem é um erro que deve ser evitado para garantir a correção gramatical, a figura de linguagem é uma ferramenta poderosa para escritores e poetas. O contexto decide se uma repetição é um erro grosseiro ou um toque de mestre.

O Desafio de Ricardo em uma Entrevista de Emprego

Ricardo, um engenheiro de 32 anos em São Paulo, preparou-se semanas para uma vaga em uma multinacional. Ele dominava a técnica, mas tinha o hábito de usar muito gerundismo, herdado de anos em call centers no início da carreira.

Durante a entrevista, ele explicou: "Eu vou estar analisando os dados e vou estar enviando os relatórios semanalmente". O recrutador franzia a testa a cada construção futura desnecessária, sentindo uma certa prolixidade no discurso.

Ricardo percebeu o desconforto e, no meio da conversa, lembrou-se de um conselho: simplificar os verbos. Ele respirou fundo e mudou para: "Eu analiso os dados e envio os relatórios". A comunicação fluiu instantaneamente.

Após a mudança, Ricardo sentiu-se mais seguro e direto. Ele conseguiu a vaga e, dois meses depois, relatou que sua clareza ajudou a reduzir o tempo de reuniões da equipe, eliminando vícios que antes confundiam seus colegas.

Algumas sugestões extras

Usar gírias é considerado um vício de linguagem?

Não necessariamente. Gírias são variações linguísticas informais e culturais. Elas tornam-se vício apenas quando usadas de forma viciada e repetitiva em contextos onde a norma culta é exigida, prejudicando a compreensão do interlocutor.

Como posso parar de falar 'né' ou 'tipo assim'?

Esses são chamados tiques nervosos ou vícios de elocução. A melhor forma de eliminá-los é exercitar a pausa. Em vez de preencher o silêncio com essas palavras, simplesmente pare de falar por um segundo enquanto organiza o próximo pensamento.

Todo estrangeirismo é um erro?

Não. Termos como 'mouse' ou 'internet' já estão incorporados. O vício ocorre quando substituímos palavras perfeitamente adequadas como 'intervalo' por 'break' apenas por hábito ou para parecer mais sofisticado, sem necessidade real.

Dicas úteis

A consciência é o primeiro passo

Cerca de 80% das correções de vícios ocorrem apenas pelo ato de ler o próprio texto em voz alta para identificar sons estranhos ou repetições.

Se você quer aprofundar seu conhecimento gramatical, veja também quais são os vícios de linguagem mais comuns e como eliminá-los.
Simplifique as estruturas verbais

Substituir locuções como 'vou estar fazendo' por 'farei' ou 'faço' reduz a extensão das frases e aumenta a assertividade em 50%.

Cuidado com o contexto

Vícios de linguagem são aceitáveis em conversas rápidas, mas devem ser eliminados de documentos formais para manter a credibilidade profissional.

Notas

  • [1] Brasilescola - Existe um fator curioso que muitos ignoram e que causa cerca de 60% das falhas em redações de concursos.
  • [2] Todamateria - Erros de regência verbal e nominal representam uma parcela significativa das perdas de pontos, afetando cerca de 38% dos estudantes em níveis intermediários.
  • [3] Brasilescola - Cerca de 67% dos profissionais de tecnologia e marketing utilizam termos como 'feedback', 'break' ou 'check-in' diariamente.