O que é um texto descritivo explicativo?
Como compreender o que é um texto descritivo-explicativo e suas características?
Para mim, um texto descritivo-explicativo é como contar uma história em duas camadas. Uma camada mostra a foto, a outra explica o que está acontecendo dentro da foto, o mecanismo por trás. Uma coisa não vive sem a outra, na minha cabeça.
Lembro-me de um trabalho na faculdade, lá para 2011, em Letras na Universidade de Lisboa. A tarefa era analisar um objeto. Escolhi a cafeteira italiana da minha avó. A primeira versão que fiz foi só descrição, o cheiro do café, o barulho da água a ferver, o alumínio gasto. O professor devolveu-me o texto com uma nota: "falta explicar o motor disto".
Foi aí que entendi de verdade. Não bastava dizer como a cafeteira era, eu tinha que explicar por que ela funcionava daquele jeito. Tive que pesquisar como a pressão do vapor empurrava a água para cima. A descrição era o corpo, mas a explicação era a alma da coisa.
Então, quando penso neste tipo de texto, não vejo uma técnica de escrita. Vejo essa fusão. É como descrever o mar, as ondas, a cor da água, e logo em seguida explicar as marés, a influência da lua, as correntes. Uma coisa sem a outra fica coxa, parece que falta uma peça no puzzle.
O que é um texto descritivo-explicativo? Um texto descritivo-explicativo é um género textual que combina a descrição de características de um objeto, ser ou fenómeno com a explicação das suas causas, funcionamento ou consequências.
Quais as principais características do texto descritivo-explicativo? As suas características incluem o uso de linguagem objetiva, a apresentação de dados e factos, a relação de causa-efeito e a estrutura que intercala passagens descritivas (como é) com passagens explicativas (por que é assim).
Qual a diferença entre um texto descritivo e um descritivo-explicativo? Um texto descritivo foca-se em apresentar as características visuais e sensoriais (aparência, som, cheiro). O descritivo-explicativo vai além, analisando e explicando os processos e razões por trás dessas características.
Quais são as características de uma descrição?
A luz entrava, sabe? Pela janela da cozinha da minha avó. Era uma luz amarelada, poeirenta, cansada. Ela pousava na toalha de xadrez, a toalha vermelha e branca que nunca saía de lá. O cheiro era de café e de bolo de fubá, sempre. Um cheiro que ficou em mim, que me construiu.
Eu sinto aquele cheiro até hoje. As vezes, do nada, ele volta. E eu vejo a mão dela, enrugada, segurando a xícara de louça branca, a xícara que tinha uma lasquinha na borda. Descrever é isso, é trazer de volta. É pintar um fantasma com palavras para que os outros também possam vê-lo.
Caracterização do texto descritivo:
- Uso predominante de adjetivos, substantivos e locuções adjetivas para detalhar o objeto, pessoa ou cena.
- Emprego de verbos de estado (ser, estar, parecer, ficar) para indicar características e condições permanentes ou momentâneas.
- Predomínio do tempo verbal no presente ou no pretérito imperfeito do indicativo.
- Construção de imagens sensoriais (visuais, auditivas, olfativas, táteis e gustativas).
As palavras são como pincéis. O adjetivo é a cor que você escolhe. A casa não é só uma casa, ela é amarela, é antiga, é solitária. Vê? O verbo de estado, ele congela a cena pra gente poder olhar direito. Como uma fotografia antiga, meio gasta nas bordas.
E o tempo... o tempo fica suspenso. O pretérito imperfeito é o tempo da saudade. A luz entrava, a mão dela segurava, o cheiro era. Não acontece mais, mas continua acontecendo na lembrança. Na minha lembrança, pelo menos.
É sobre sentir. A descrição te faz sentir o cheiro do café sem ter café. O áspero da toalha sem tocar nela. É uma magia estranha, essa de colocar o mundo dentro das palavras. O meu mundo, aquele da cozinha, ainda existe por causa disso. Existe nessas linhas.
Qual é o objetivo da descrição?
Putz, descrição... É tipo, pra que serve? Pensa bem. A descrição tem como objetivo principal informar sobre algo ou alguém, detalhando suas características. Tipo, é pra contar o que é, saca? Ou quem é. Sem isso, a gente não entende nada.
Às vezes, penso que é só pra dizer o que eu vejo. Essa é a parte que pode ser subjetiva, né? Tipo, quando descrevo meu café da manhã de hoje: pão com manteiga e café puro. Pra mim, "perfeito". Mas pra outra pessoa? Talvez ache simples demais, sei lá.
Essa é a graça, as impressões e sentimentos que a gente coloca. O jeito que a gente vê. Lembro da minha avó descrevendo o pôr do sol na praia de Itapuã... Ela falava dum jeito que você sentia o calor e as cores berrantes, mesmo sem estar lá. Coisa linda!
E tem a outra parte, a objetiva. Que é tipo quando o médico descreve um sintoma, sabe? Dor aguda no lado esquerdo, febre alta. Aí não tem muito espaço pra "achei meio estranho". É pra ser factual, focando em dados concretos.
Pra mim, isso é mais fácil de entender. Menos "aberto a interpretações". Na faculdade de design, eu apanhava pra descrever meus projetos de forma objetiva. Sempre ia pro lado da emoção.
"Ah, essa cor me lembra a infância..." E o professor "João, qual o código HEX dessa cor?". Ai que raiva! Sempre o João me pegava nisso.
Então, no fundo, a sua apresentação ocorre em conversas, textos ou imagens. Simples. É o que a gente faz todo dia. Desde o áudio que mando pra Bia explicando como chegar na festa, até as fotos que posto com legenda no Insta.
E claro, nos livros, nos relatórios de trabalho. Tudo tem descrição. É fundamental. Mas confesso, ainda erro muito. Ontem, tentei descrever um filme pra minha irmã, ela não entendeu nada. Fiquei frustrado.
Será que sou tão ruim nisso? Preciso melhorar minhas habilidades de observação, acho. Ou talvez eu só seja distraído. Quem sabe?
- Objetivo: Informar sobre o que é ou quem é.
- Detalhes: Essenciais para a compreensão.
- Subjetivo: Minha visão, minhas emoções, minhas experiências. Tipo, aquele cheiro de chuva na terra que eu acho bom demais.
- Objetivo: Fatos, dados, coisas que não mudam independente de quem vê. Tipo, a altura da minha mesa, 75 cm. É isso e pronto.
É tudo uma questão de perspectiva e de qual a intenção. Às vezes só quero que entendam meu sentimento, outras vezes, preciso que saibam exatamente o que aconteceu.
É bem mais complexo do que parece, né? A gente usa isso sem pensar, mas por trás tem um monte de coisa. Preciso parar de pensar tanto nisso agora, estou com fome. Que loucura.
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