Quais são os critérios de estratificação social?

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Os critérios de estratificação social organizam a sociedade em hierarquias. Os principais são econômicos (renda, posse de bens), políticos (poder, status) e sociais (prestígio, etnia, gênero). Sistemas como castas, estamentos ou classes sociais usam esses fatores para definir posições.
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Critérios de estratificação social: o que são e como funcionam?

Acho que essa coisa de estratificação social, essa mania de nos dividirmos em caixinhas, sempre foi algo que me incomodou desde miúdo. Lembro-me bem, lá por 1998, quando mudei de escola, na minha aldeia no Alentejo, e de repente percebi que havia "os filhos do doutor" e os outros. Uma diferença subtil, mas que se sentia no ar.

Aqueles critérios de estratificação, que são tipo as razões pelas quais a gente se organiza ou se desorganiza em camadas, parecem uma forma de entender o mundo, mas também de perpetuar umas injustiças. Castas e ordens, tipo aquelas que via em documentários sobre a Índia ou no tempo dos nossos avós com a nobreza e o clero, são barreiras que quase ninguém conseguia transpor.

Mas a que mais me toca, a que vejo no dia a dia, é a das classes sociais. Essa é a que opera mesmo forte, e funciona com base no dinheiro, no trabalho que se tem, no sítio onde se mora. Eu vi isso quando fui trabalhar para Lisboa em 2010, no primeiro emprego, e percebi logo as diferenças salariais brutais entre quem fazia o mesmo que eu, mas tinha um apelido diferente ou falava com um sotaque mais "refinado".

E depois há os grupos por sexo ou idade, que são mais difíceis de digerir porque parecem tão arbitrários. Já senti na pele o peso de ser jovem demais para ser levado a sério em algumas reuniões de trabalho, tipo em 2015, quando tentei apresentar uma ideia e olhavam para mim como para um miúdo. E a minha mãe, que sempre me contou as dificuldades de ser mulher num mundo de homens no trabalho dela, nos anos 80, na fábrica.

Essa é a forma como tudo se amarra, como estas camadas se formam. E a verdade é que os tipos que pensaram nisto a fundo, o Marx, o Weber, o Durkheim, eles viram essa engrenagem. Não li os livros todos deles, claro, mas a ideia central de cada um, de como as coisas se dividem e se encaixam, faz todo o sentido quando olhamos à nossa volta.

Funciona assim, de uma forma que nos divide em patamares. O que eu acho é que estes critérios, sejam eles quais forem – o dinheiro, a família, a idade, o género – acabam por ditar quem tem mais poder, mais acesso a coisas boas, mais voz. Não é justo, mas é como a sociedade se organiza, e isso é o que me tira o sono às vezes.