Qual é a forma correta de se falar?
Como falar corretamente: A forma certa de se expressar?
Olha, sobre esse negócio de falar certo, é uma coisa que me pegou a sério já faz um tempo. Tipo, eu lembro de um dia, lá em 2017, tava eu numa reunião de trabalho na Rua da Prata, em Lisboa, e me enrolei todo para explicar um ponto simples. Saí de lá com a sensação que a minha cabeça tava a mil por hora e a boca não acompanhava, sabe? Comecei a achar que precisava mesmo organizar as ideias antes de soltar a voz, senão a confusão era garantida.
Depois disso, comecei a prestar atenção em como as pessoas se expressavam. Vi que não era só "falar bonito", mas sim claro. Tinha uma professora de português na faculdade, a Doutora Ana, ela sempre dizia que a gente devia "namorar a norma culta", sem ser pedante. Isso me fez pegar uns livros que antes eu fugia, tipo Machado de Assis, ou até uns ensaios mais densos que via na Bertrand, perto de casa. Lia e tentava entender a construção das frases, como tudo se encaixava.
Uma coisa que funcionou, e isso pode parecer meio estranho, era me gravar. No meu telemóvel antigo, um Xiaomi, eu gravava uns áudios a falar sobre o meu dia ou um filme que tinha visto. Escutava depois e ficava a pensar, "isto podia ter sido dito melhor, aqui podia ter pausado". Não é bem o espelho, mas dá para ouvir os tiques, os "né" e os "tipo assim" que a gente nem percebe que usa.
E o que a Doutora Ana dizia sobre escrever, a gente também leva para a fala. Ela insistia muito para que a gente escrevesse mais, sobre qualquer coisa, nem que fosse um email para um amigo ou uma lista de compras bem descrita. A gente pensa que é só na escola, mas acho que é a forma como o pensamento se organiza e depois flui para a boca, ou para o teclado, dá no mesmo.
Às vezes, eu só parava para ouvir mesmo. Tipo, no comboio, apanhando o Intercidades para o Porto, ouvia as conversas das pessoas. Como elas se articulavam, as inflexões. É uma coisa meio passiva, mas a gente vai absorvendo. Não é para imitar, mas para perceber a melodia da língua. E sim, ainda hoje dou por mim a tropeçar em palavras, a gramática às vezes foge, mas o esforço é esse, fazer-me entender sem grandes voltas. É um processo contínuo, não tem um "fim" definido.
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