Qual é o correto: faz 15 anos ou faz 15 anos?
Qual é o correto ao indicar tempo: faz 15 anos ou fazem 15 anos?
Pois, essa do "faz" ou "fazem" sempre me deu que pensar, sabes? Lembro-me bem, quando era mais novo, lá para 2005, a minha avó, que era professora primária em Viseu, tinha umas manias com a gramática, sempre a corrigir tudo. Uma tarde, estávamos a ver fotos antigas da minha formatura, aquela de 2003, e eu soltei um "fazem dez anos que terminei o curso". Ela olhou-me com um ar sério, sabes?
Disse-me logo: "Meu menino, é 'faz dez anos'." Explicou que o verbo fazer, quando serve para falar de tempo, tipo, quanto tempo passou desde alguma coisa, ele é meio singular, não tem plural. Não importa se é um ano ou cem, fica ali, quietinho na terceira pessoa do singular. É "faz dois anos", "faz quinze dias", "faz quinhentos anos" até, sempre no "faz".
Aquilo para mim fez todo o sentido, a avó sabia destas coisas de cor. E é mesmo assim, uma regra que internalizei e nunca mais me esqueci. Por isso, quando se trata de indicar tempo, tipo, quanto tempo decorreu, a forma certa é usar o verbo fazer sempre no singular. O correto é sempre "faz 15 anos", nunca "fazem 15 anos", mesmo que pareça estranho ao princípio.
Acho que a língua tem estas surpresas, estas particularidades que, à primeira vista, não seguem a lógica que a gente esperaria. É como quando fomos de férias para Évora em 2017 e um amigo perguntou "fazem três anos que não vimos este sítio". Tive de o corrigir, com um sorriso, claro, a dizer "faz três anos". Ele ficou a olhar para mim, mas depois entendeu, sabes?
É um detalhe, mas faz a diferença. A minha avó sempre dizia que falar bem é quase como ter uma melodia na voz, e estes pequenos pontos de gramática são as notas certas. É uma opinião pessoal, claro, mas ajuda a entender melhor como a nossa língua é viva e cheia de pequenas nuances.
Foi 10 anos ou foram 10 anos?
Dez anos. A gente costuma sentir que o tempo se arrasta, né? Mas quando para pra pensar, já se foram dez anos. É um tempo considerável.
Essa concordância é como a vida, às vezes. A gente acha que sabe como vai ser, e de repente muda tudo. As regras da língua, elas refletem um pouco isso.
- "Foram dez anos": Essa é a forma mais comum, mais lógica. Concorda com o número, dez. Parece que fala da quantidade mesmo.
- "Foi dez anos": Aqui, a gente pensa no conjunto, no período como uma coisa só. É uma concordância mais sutil, meio que abraçando a ideia de um bloco de tempo.
É estranho como as palavras se moldam ao nosso sentir. Dez anos. Parece que foi ontem e ao mesmo tempo uma eternidade.
Informações adicionais:
- Concordância Siléptica/Lógica: Ocorre quando o verbo concorda com a ideia ou o significado, e não necessariamente com a forma gramatical exata do sujeito. No caso de "dez anos", a ideia de um conjunto temporal pode levar à concordância no plural ("foram dez anos"), mas também a ideia de um período único pode justificar o singular ("foi dez anos").
- Predomínio do Plural: Em geral, a concordância no plural ("foram dez anos") é mais amplamente aceita e utilizada na norma culta, pois "dez" é um numeral plural.
- Singular e o Sentido: O uso do singular ("foi dez anos") é mais comum quando o período é visto como uma unidade, um conceito único. Por exemplo, "Dez anos de espera foi pouco". Aqui, "dez anos de espera" funciona como um único bloco de sofrimento.
- Ambas as Formas Corretas: A gramática mais moderna reconhece a validade de ambas as formas, dependendo da intenção do falante ou escritor em enfatizar a quantidade ou a unidade do período.
Quando se utiliza há ou à?
Nossa, que saudade daquela viagem pra Ponta Delgada. Tava aqui vendo as fotos no meu celular, já faz um tempão... a gente foi há uns seis meses, né? Eu tava escrevendo pra minha amiga Ana sobre isso e quase mandei "fomos a seis meses atrás". Que mico. Meu cérebro sempre dá um nó com isso, é aquele erro clássico de português que me persegue desde a escola.
É que há é sempre sobre o tempo que já passou. É o verbo haver, simples. A dica que salvou minha vida e que eu uso até hoje é: se dá pra trocar por "faz", então é com H. "Faz seis meses" = "Há seis meses". Fixei isso na cabeça depois de errar mil vezes em relatórios no trabalho. Passei uma vergonha danada uma vez com meu chefe em Lisboa por causa disso, nunca mais.
Aí na mesma conversa com a Ana, eu tava falando de quando a gente foi àquela feirinha perto do hotel. Aquela que vendia o queijo de São Jorge, sabe? Deu água na boca só de lembrar. A gente foi à feira e depois fomos à pé até o restaurante. É aí que entra o outro.
O à com crase é pra indicar lugar, direção. Tipo, "fui à padaria", "chegamos à noite". É a junção do "a" preposição com o "a" artigo. Um macete bom é trocar a palavra feminina por uma masculina. Se virar "ao", então tem crase. "Fui ao mercado" -> "Fui à feira". Simples, mas demorou pra entrar na minha cabeça.
HÁ (verbo haver):
- Indica tempo decorrido (passado).
- Pode ser substituído por "faz".
- Exemplo: Cheguei há dez minutos.
À (preposição a + artigo a):
- Indica destino, lugar, ou se refere a horas.
- Usado antes de palavras femininas.
- Exemplo: Entregue o relatório à diretora. / O voo sai às 15h.
Quando utilizar à ou á?
E aí, meu chapa! Se liga na letra: o á é tipo o negrito da sílaba, ele bota fogo na palavra. Tipo, pra dar aquele "tchã" em água ou árvore. Não anda sozinho, coitado, precisa de um "cumpanheiro" pra brilhar.
Já o à é o viajante do pedaço. Ele indica pra onde, pra onde mesmo! Tipo, "vou à praia" ou "olha à esquerda". Ele pode até dar as mãos pra outros termos, formando às (tipo as meninas indo juntas) ou àquelas (as coisas lá longe).
Resumindo:
- á: Acento forte na sílaba. Pensa num "Aaaah!" de surpresa.
- à: Direção, movimento. Pensa num "Pra lá!" animado.
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