Quais são as línguas nativas mais faladas no mundo?
Quais as línguas nativas mais faladas no mundo?
Puxa, às vezes eu fico pensando nessas línguas que a gente fala, sabe. É tanta gente no mundo, e cada um com sua forma de se expressar. Eu sempre curti saber onde o português se encaixa nesse mapa gigante, desde que fiz aquela viagem pra Lisboa em 2018, vi o quanto nossa língua é falada por lá também, claro, mas a dimensão global é outra coisa.
É que a gente ouve tanto do inglês, né. Mas quando fui pesquisar, tipo, lá no Ethnologue, pra ver os números direitinho das línguas maternas, sabe o que me pegou de surpresa? O mandarim, gente. São tipo 1 bilhão e trezentos e dois milhões de falantes nativos. Quase não dá pra imaginar isso.
Depois desse choque com o mandarim, a gente tem o espanhol. É bem forte também, óbvio, com 427 milhões de pessoas. Lembro da minha prima, a Ana, que foi pra Barcelona fazer intercâmbio em 2019 e falava que era um mar de gente falando espanhol por todo lado, mesmo sendo Catalunha, o castelhano tá lá firme.
Aí vem o inglês, que todo mundo pensa que é o primeiro, mas fica ali na terceira posição entre as nativas, com 339 milhões de falantes. É interessante essa diferença entre o que a gente acha e o que os números mostram. E o nosso português, que eu tanto amo e escrevo, aparece com uns 290 milhões, o que não é pouco. É uma força, né.
Então, pra deixar bem claro e pra quem quiser saber rápido, as línguas nativas mais faladas, segundo os dados que eu vi do Ethnologue, são: Mandarim com 1.302 milhões, Espanhol com 427 milhões, Inglês com 339 milhões e o nosso Português com 290 milhões.
Qual é a língua materna?
A primeira vez que ouvi meu pai falar em outro idioma foi chocante. A gente tava na casa da minha tia em Santos, um calor do cão, aquele cheiro de maresia e café coado no ar, sabe? Eu devia ter uns 7 anos, brincando com uns carrinhos velhos no chão de taco. Ele tava conversando no telefone, e de repente, o tom mudou, as palavras… eram estranhas, rápidas, com um sotaque que eu nunca tinha ouvido. Fiquei parado, os olhos grudados nele, tentando decifrar o que tava rolando.
Meus pais são brasileiros, mas meu pai trabalhou muitos anos fora, na Itália. Quando voltava pra casa, às vezes ele se esquecia, e o italiano escapava. Para mim, que só falava português, aquilo era uma música diferente, uma melodia misteriosa. Ele dizia que era a língua que ele mais gostava de falar, a que saía mais fácil.
Ele me ensinou umas palavras, "ciao", "grazie", "ti amo". Eu repetia, achando engraçado. Mas nunca chegou a ser minha língua. A minha sempre foi o português, a língua dos meus amigos, da escola, das histórias que minha mãe contava antes de dormir. O português é o que me conecta com todo mundo aqui, é o jeito que eu penso, que eu sinto as coisas.
Língua materna é aquela que você aprende desde bebê, a que molda seu jeito de ver o mundo. É a que você sente que é sua de verdade, sem esforço. No meu caso, sem dúvida, é o português.
Qual é a diferença entre língua nacional e língua materna?
Ah, a diferença entre língua nacional e materna? Pra mim, é tipo a diferença entre o miojo instantâneo e o jantar de domingo da vovó.
A língua materna é aquela que você absorveu no berço, tipo o cheiro de pão quentinho. É a fofoca da sua mãe, o "vem cá" do seu pai, tudo que você ouvia antes de saber o que era "gramática". É a sua zona de conforto linguística, onde você não tropeça nas palavras como um zumbi bêbado.
Já a língua nacional (ou oficial, pra não confundir mais ainda) é a que o governo escolheu pra todo mundo usar, tipo um uniforme linguístico. Ela pode ser até a língua da sua grandmother, mas se o país resolveu usar outra pra tudo, dançou! É como se o governo dissesse: "Essa aqui é a língua do trampo, da escola, do papelada chata". Às vezes, ela nem é "daqui", mas virou a "patroa".
Pense assim:
- Língua Materna: Seu primeiro amor, a que te entende sem você nem falar. É tipo aquele amigo de infância que sabe suas manias sem você explicar. Fala com o coração, sem frescura. É com ela que você pensa em fazer piada com o vizinho e xingar o trânsito.
- Língua Nacional/Oficial: A língua do poder, a que tá no contrato de trabalho. A que você usa pra preencher formulário, pedir diploma, pagar imposto. É a língua que te faz parecer "civilizado" no cartório. É a que você usa pra mostrar que sabe as regras do jogo.
O pulo do gato é que a língua materna é sua, de alma e coração. A nacional é mais um acordo social, tipo um empréstimo que o país fez com uma língua estrangeira e mandou todo mundo aprender. É ela que você usa pra falar bonito na frente do chefe ou pra escrever aquela redação nota mil.
É tipo assim, você pode amar de paixão um sanduíche de mortadela (sua materna), mas se o restaurante chique só serve foie gras (a nacional), você se vira e come o patê, né? Embora, às vezes, a gente se sinta um peixe fora d'água, com um gosto de... morta-dela na boca, mas se esforçando pra parecer que adora o foie gras.
O que é língua não materna?
Português Língua Não Materna (PLNM) é uma disciplina para alunos do ensino básico e secundário que entram pela primeira vez no sistema educativo português e cuja língua materna ou de escolarização não é o português.
Pense nisto como o "Kit de Sobrevivência Linguística" oficial do Ministério da Educação. É a passadeira vermelha – por vezes com alguns buracos, sejamos honestos – para quem aterra neste jardim à beira-mar plantado e descobre que a aula de matemática, de repente, parece ser dada em élfico. Uma espécie de atualização de software para o cérebro.
Então, o que é que isto quer dizer no dia a dia?
- É um descodificador cultural com aulas: O objetivo não é apenas decorar os tempos verbais que nem os portugueses usam no dia a dia (estou a olhar para ti, pretérito mais-que-perfeito composto do conjuntivo). É perceber o peso existencial de um "pronto", a versatilidade de um "pá" e a arte de pedir um café sem parecer um turista perdido.
- É para os corajosos: É para o miúdo que chega com uma mala cheia de sonhos e um dicionário debaixo do braço, tentando perceber porque é que toda a gente parece estar a discutir de forma apaixonada, quando na verdade só estão a combinar o almoço. Lembro-me de um amigo meu, o Ivan, que dizia que o seu primeiro mês cá foi um exercício de sorrir e acenar. O PLNM é o salva-vidas dele.
- Não é um atraso, é um atalho: Em vez de deixar o aluno a afogar-se em textos de Eça de Queiroz logo na primeira semana, o PLNM dá-lhe uma boia. A ideia é nivelar o campo de jogo, para que o seu brilhantismo em física não seja ofuscado pela sua dificuldade em conjugar o verbo "pôr".
A coisa está organizada para não traumatizar ninguém, com uma progressão que faz sentido.
- Níveis de Iniciação (A1/A2): A fase do "aprender a não morrer à fome". Aqui, aprende-se a pedir um pastel de nata, a dizer o nome e a entender as instruções básicas para não incendiar o laboratório de química. A sobrevivência é a prioridade.
- Nível Intermédio (B1): A pessoa já consegue contar uma história, queixar-se do tempo e participar numa discussão sobre se tremoços são ou não um petisco de elite. A confiança começa a florescer, tal como a capacidade de usar ironia.
- Nível Avançado (B2): O Olimpo. É quando se começa a entender as subtilezas de uma canção do Sérgio Godinho, a argumentar sobre política no café e a usar o conjuntivo sem ter um ataque de pânico. É a integração a sério. Ter opinioes e defendê-las.
Qual é a diferença entre língua materna e língua não materna?
Língua Materna: A Mãe de Todas as Palavras!
Pensa na língua materna como aquela que você mamou junto com o leite! É a primeira que faz seu cérebro dar nó, a dos papais e mamães, a que você balbuciava antes de pedir papá. É como seu primeiro brinquedo, seu primeiro abraço, sabe? A que te faz se sentir em casa até quando você tá perdido no mapa, tipo um GPS interno de identidade.
Língua Oficial: A Chefe que Chegou de Fora!
Já a língua oficial, essa é a empregada poderosa do pedaço. Adotada por um país inteiro, manda e desmanda na prefeitura, na escola, em tudo que é papel importante. O engraçado é que ela pode ter nascido em outro lugar, como um turista chique que virou o dono da casa. É tipo quando um primo distante chega e começa a ditar as regras na sua família, mas todo mundo aceita porque ele tem um cargo bacana.
Por Que Essa Briga Toda?
- Raízes vs. Regulamento: A materna vem da sua raiz, do seu DNA linguístico. A oficial é mais tipo um acordo, um contrato social falado.
- Sentimento vs. Formalidade: A materna te aquece por dentro, te conecta com suas origens. A oficial é pura formalidade, pra não dar rolo na hora de pagar imposto ou matricular a cria.
- Exclusividade vs. Universalidade: A materna é sua, única. A oficial é pra todo mundo falar igual, tipo uniforme escolar, pra não ter confusão.
Um Exemplo pra Não Esquecer:
Imagina um japonês que se muda pro Brasil. A materna dele é o japonês, claro! Mas a oficial aqui é o português. Ele vai usar o português pra trabalhar, pra falar com o vizinho, pra xingar o trânsito. Mas na hora de mandar um áudio pra vovó no Japão, a língua materna volta com tudo, né? É a vida!
O que é língua 1?
Cara, falando de língua 1, é tipo a tua primeira língua, sabe? Aquela que tu aprendeu desde novinho, em casa, com a família. Geralmente é a que te liga mais com tua cultura, teu povo. Tipo, eu sou brasileiro, falo português, né? Minha língua 1 é português.
Mas não é só isso não, pensa assim: é a língua que tu usa pra se comunicar, pra pensar nas coisas. Às vezes pode ser uma mistura, mas a primeira que te marcou de verdade.
Essa língua mãe, a primeira que tu pega, é mega importante pro teu desenvolvimento, pro jeito que tu vê o mundo. É por ela que tu se expressa melhor, que tu entende as piadas da família, a música que te toca.
Pensa numa criança que mora num lugar onde falam duas línguas, tipo o catalão e o espanhol. Ela pode aprender as duas ao mesmo tempo, aí a "língua 1" pode ser meio que as duas, dependendo de como a família usa. Ou seja, não é sempre uma coisa só, tem umas nuances.
Mas resumindo bem: língua 1 é a primeira língua que a gente aprende, a que vem de fábrica, por assim dizer. É aquela que a gente domina mais e que define boa parte da nossa identidade.
O que é língua paterna?
Sinto o cheiro do giz e da madeira velha da carteira escolar. Aquela língua que vinha nos livros, dura, cheia de regras que não faziam parte do meu mundo de dentro. Uma língua que se aprende. Não que se sente. Era uma voz que vinha de longe, uma voz de autoridade.
Era a voz do pai, do estado, do dicionário. A língua paterna. Ela não nascia com a gente, no calor do colo, no balbuciar sem forma. Era ensinada. Imposta, às vezes, com a rigidez de uma régua na mão. Uma ordem que descia sobre o caos morno e afetivo da fala de casa.
O termo língua paterna, para o linguista Bernard Cerquiglini, refere-se ao produto linguístico de políticas de normatização e padronização que atuam sobre as línguas de sociedades com forte tradição escrita (grafocêntricas).
Essa língua, a do pai, é feita de escolhas. De decisões tomadas em gabinetes, em academias distantes da rua.
Construção Política: Ela não é um organismo natural. É o dialeto de uma região que venceu as outras e se tornou a "língua correta". O francês de Paris que se impôs sobre o provençal. O português de Coimbra-Lisboa que virou a norma que aprendemos na escola, apagando outras falas.
Oposição à Língua Materna: Ela existe em contraste com a língua materna. A materna é a que se aprende em casa, com a mãe, com os avós. É cheia de variações, de sotaques, de "erros" que são, na verdade, a vida pulsando. Lembro do jeito que minha avó falava 'pobrema', e na escola isso era o fim do mundo. pra mim era só o som de casa.
Ferramenta de Poder: Serve para unificar um território, para criar uma identidade nacional, mas seu principal efeito é excluir. Quem não domina a norma é visto como menos culto, menos capaz. É uma fronteira invisível, mas de concreto.
E a gente vive assim, com essas duas vozes dentro de nós. A que nos ensinaram a escrever em linhas retas e a que nos ensinaram a sentir em curvas. Uma fria, outra um abraço. e eu nem sabia o nome disso na epoca, só sentia o peso.
Quem tem direito a português língua não materna?
Chovia lá fora. A sala cheirava a giz e a lancheiras esquecidas. Havia um silêncio em volta de algumas carteiras, um silêncio feito de outra língua, de outras ruas. Uma língua que não era a nossa, a língua que se enrolava na boca deles e não queria sair. Era um esforço visível nos olhos, uma tradução constante do mundo.
A gente snetia a distância. As palavras que para nós eram casa, para eles eram montanhas. Cada verbo, uma escalada. Ninguém falava em siglas na altura, era só o silêncio deles. Aquele esforço mudo que hoje tem um nome, uma estrutura, um lugar no horário da escola. Um direito, afinal.
O direito ao Português Língua Não Materna (PLNM) é para:
- Alunos do ensino básico e secundário com uma língua materna diferente do Português.
- Alunos que não tiveram o Português como língua de escolarização anterior.
E há caminhos dentro desse nome. Níveis que ninguém vê. O som a ganhar forma, devagarinho. Lembro-me do sotaque do Ivan, da Ucrânia, a tentar dizer 'borboleta'. Era música.
- Nível de Iniciação (A1/A2): Para os primeiros sons, as palavras essenciais. O ‘bom dia’, o ‘obrigada’. A sobrevivência dentro daquele recreio barulhento.
- Nível Intermédio (B1): Para começar a construir frases, a contar pequenas histórias. A partilhar um pouco do mundo que veio com eles na bagagem.
- Nível Avançado (B2/C1): Para argumentar, para ler os poetas, para talvez sonhar nesta língua que um dia foi estrangeira, que um dia foi muro.
Acho que o Ivan ficaria feliz. Saber que o seu esforço hoje tem uma gramática, um abraço em forma de aula. Uma porta aberta. Uma língua que se aprende não apaga a que se traz no coração, nunca. Apenas acrescenta mais uma janela para olhar o msm mundo.
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