Quanto ganha um escritor em Portugal?

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Um escritor em Portugal, no início da carreira, pode ganhar entre 988€ e 1439€ brutos por mês. Após 5 anos de experiência, o salário pode variar de 1129€ a 1802€ mensais, trabalhando 40 horas por semana. Os valores são uma estimativa.
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Quanto ganha um escritor em Portugal em 2024?

Olha, a questão do salário de escritor em Portugal em 2024 é complicada. Vi num site, Meusalario.pt, uns números, sei lá, entre 988€ e 1439€ brutos para iniciantes. Isso me pareceu pouco, bem pouco mesmo, considerando o trabalho envolvido.

Lembro-me de um amigo, o Ricardo, que começou a escrever contos em 2022. Ele conseguiu uns trabalhos avulsos, mas mal dava para o básico. Tipo, 200/300€ por mês, coisa bem precária. Ele até tentou publicar um livro, gastou uns 500€ na editoração e, no final, ganhou pouco mais que isso.

Cinco anos depois? O site fala em 1129€ a 1802€. Ainda acho pouco, mesmo com experiência. Depende muito, claro. De onde publica, do tipo de trabalho, se tem outros rendimentos… Meu primo, escritor de roteiros para publicidade, ganha bem melhor, mas ele já tem uns dez anos de experiência.

É um mercado difícil. Não é só escrever, é preciso saber divulgar, criar rede de contactos… Tem que ter muita garra, paciência. A verdade é que ganhar bem a escrever em Portugal exige, além de talento, uma boa dose de sorte e persistência.

Quanto ganha um escritor por cada livro vendido?

A brisa da tarde trazia o cheiro de terra molhada, um perfume familiar que me remetia à infância, às tardes intermináveis na chácara da avó. Lembro do balanço na varanda, os pés descalços na grama… e o livro, sempre ali, um companheiro silencioso. Quanto ganho por livro? A conta, fria e impessoal, quebra a magia. Dez por cento. Dez por cento do preço de capa. Dez por cento de cada livro que encontra um lar.

Dez por cento. Uma fração tão pequena, tão irrisória diante do trabalho, da entrega, da alma derramada em cada página. Mil noites sem dormir, cada palavra lapidada, cada vírgula a gritar por perfeição. A angústia de cada rejeição, a alegria contida de cada aceitação. A espera. A espera infindável pela resposta do editor, que se transforma em um eco no vazio da minha sala. A sensação de fragilidade, de insegurança.

Mas a escrita… ah, a escrita! Ela pulsa em mim, um rio subterrâneo que encontra o seu leito, a sua vazão. É uma necessidade, um fôlego, uma forma de existência. A criação, a imortalidade tentada na tinta e no papel. Não consigo imaginar a vida sem ela, sem o turbilhão de emoções que me inundam ao ver as letras se transformarem em palavras, em frases, em páginas. E mesmo sabendo que a recompensa financeira pode ser mínima, o processo em si, o ato puro da criação, é uma vitória, uma conquista pessoal.

Este ano, já escrevi três contos, e um romance, "O silêncio dos ipês". Nenhum publicado ainda, mas a crença no trabalho me impulsiona. A conta bancária grita números negativos, mas a alma… a alma se alimenta de outro tipo de riqueza. A incerteza financeira, por outro lado, me assombra. E a esperança, um fio tênue em meio à tormenta.

A realidade é dura: a maioria dos contratos prevê taxas menores em vendas especiais, contratos governamentais. Já me disseram que grandes tiragens trazem mais problemas do que lucros. Mas o que fazer? Abandonar o sonho, esquecer o fascínio das palavras? Impossível. O livro precisa ser escrito. Independentemente da conta bancária.

  • Ganhos médios: 10% do preço de capa por livro vendido.
  • Exceções: Vendas em larga escala (governos, etc.) costumam ter porcentagens menores.
  • Desafio: A realidade financeira contrasta com a paixão pela escrita.
  • Perspectiva: Continuo escrevendo, apesar das dificuldades. O livro é o meu refúgio.