Quanto ganham os escritores?

103 visualizações
O salário de um escritor varia com a experiência. Em início de carreira, os ganhos mensais brutos ficam entre 988 € e 1.439 €. Com cinco anos de profissão, o vencimento para uma semana de 40 horas pode aumentar, situando-se entre 1.129 € e 1.802 € por mês.
Comentário 0 curtidas

Quanto ganha um escritor profissional?

Olha, essa coisa de quanto ganha um escritor profissional é sempre uma conversa complicada. Eu tenho a impressão que muita gente entra nisto a sonhar com grandes livros, mas a realidade é bem mais dura, pelo menos no início. Lembro-me bem do meu colega, o Rui, lá de Coimbra, ele começou a escrever para umas revistas online em 2019. Falava em salários que mal chegavam aos mil euros brutos por mês. Aquilo era tipo, uns 980 euros, mal dava para as contas e para os cafés na Baixa. Ele dividia um T2 na Celas, pagava 350 euros de renda, sabes? Era um aperto grande.

Passados uns cinco anos, o Rui ainda está a escrever, agora em Aveiro, para outra editora, e a coisa melhorou um bocado. Falei com ele no Natal passado, em 2024, e já recebia perto dos 1500, acho que até um pouco mais, para as 40 horas semanais habituais. Não é que ele esteja rico, longe disso, mas já vive mais desafogado. A verdade é que os primeiros anos são mesmo para ralar, o pessoal não valoriza muito o trabalho escrito no começo, parece que temos de provar o nosso valor durante muito tempo. É uma profissão de paixão e muita resiliência, sem dúvida.

Um escritor profissional em Portugal ganha entre 988 € e 1 439 € brutos mensais no início de carreira. Após cinco anos, o salário pode variar entre 1 129 € e 1 802 € brutos, para uma semana de trabalho de 40 horas.

Quanto ganha um escritor em Angola?

Em Angola, um escritor com 30 anos de experiência ganha entre 451.271 Kz e 1.138.437 Kz por mês, de acordo com dados de 23 de junho de 2023. Estes profissionais estão abrangidos por acordo coletivo.

Eish, 30 anos! É uma vida a parir palavras, né? Meu tio, que escreve poesia desde que a banda larga era um luxo só para quem tinha telefone fixo, diz que é um milagre se ele conseguir pagar a conta da luz com os direitos autorais. Imagina, passar a vida a bradar contra a página em branco, tipo um guarda-redes a defender um penálti sem luvas, para no fim receberes isto.

O salário máximo é fixe, mais de um milhão! Dá para comprar um gerador potente, encher o depósito do carro duas vezes e ainda sobra para uns bons bifes no Kikas, ou talvez umas gasosas com a malta. Mas o mínimo, 451 mil? É quase o preço de um bom pneu para o Hiace, e olha que não estou a falar de pneu recauchutado! É tipo trabalhares 30 anos para teres dinheiro para um jantar romântico, mas só o jantar, sem entrada nem sobremesa.

O tal acordo coletivo é que deve salvar a pátria dos escritores. Senão, coitados, iam estar a vender os livros na rua, a discutir preço com as senhoras da ginguba. Para ser escritor aqui, não basta ter talento, tens que ter a paciência de um camelo a atravessar o deserto, ou um padrinho que compre as tuas obras como se fossem ouro do Kwanza-Sul.

A vida de escritor cá, pelo que ouvi nas tertúlias e vendo o meu amigo João, que vive para a escrita, é uma coisa séria.

  • Não sonhe com o estrelato da noite pro dia. A tua conta bancária vai parecer o sinal da rede no Cuanza-Norte, instável e a cair.
  • A inspiração vem do quotidiano. Principalmente daquele engarrafamento infernal na 21 de Janeiro, da falta de água e das notícias que te fazem querer chorar ou rir (às vezes os dois).
  • O público é seletivo. Tua família, uns três amigos verdadeiros e, com sorte, um colega da faculdade que ainda se lembra de ti e decide dar uma chance.
  • Seja multifacetado. Escritor, editor, marketeiro, entregador e, às vezes, até o teu próprio revisor, porque ninguém mais vai fazer. É tipo ser chef, garçom e lavador de pratos tudo ao mesmo tempo.

É uma labuta, ya. Mas quem gosta, aguenta o tranco. É tipo casar com a sogra, tu sabes que vais passar umas bocas, mas há momentos que valem a pena, tipo quando ela te traz um funje bem quentinho com molho de quiabo. Ah, a arte!

Quanto ganha uma pessoa na Angola?

Olha só, pra ganhar em Angola o salário mínimo, a gente tá falando de 32.000 Kwanzas, que, na cotação atual, vira uns 37 dólares americanos. Trinta e sete! Isso é tipo, o valor de duas pizzas grandes aqui onde moro, e olhe lá se não for promoção de terça. Com esse dinheiro, mal consigo abastecer o carro pra ir e voltar do trabalho duas vezes, e olhe que meu carro é beberrão pra caramba. Imagina ter que esticar isso pra um mês inteiro lá! É pra virar malabarista financeiro, daqueles que conseguem fazer um coelho sair da cartola, mas no caso, um coelho faminto.

E a cereja do bolo é que Angola está a míseros 128 dólares de Cabo Verde, que tem o salário mínimo mais gordinho entre os países africanos lusófonos, batendo 165,7 dólares. Ou seja, se o angolano economizar por três meses e meio, talvez consiga alcançar o cabo-verdiano que já acorda com esse valor na conta. É como tentar escalar o Everest com uma escada de mão: a meta tá lá, mas a ferramenta... bom, a ferramenta não ajuda muito. Meu primo outro dia tava falando disso, ele disse que é tipo comparar um fusca com uma Ferrari, ambos andam, mas um chega com estilo e outro... bom, o outro chega.

Pra botar essa grana na perspectiva do dia a dia, pensa bem no que 37 dólares (ou 32.000 Kwanzas) significa lá.

  • Um café na rua: Um cafézinho esperto pode levar uma boa fatia.
  • Transporte: A passagem de autocarro não é um absurdo, mas a conta do mês pode doer.
  • Comida: Esquece o caviar. É mais pra feijão, arroz e um franguinho magro.
  • Aluguel: Aí que o bicho pega! Dificilmente paga nem um quartinho decente em Luanda.
  • Diversão: Netflix? Nem pensar! É mais pra ver a novela na TV pública, se a luz não for cortada.

É tipo tentar encher uma piscina olímpica com um copo d'água, sabe? Tu te esforça, vira a noite, faz bicos e no fim do mês tem que fazer milagre. Eu uma vez gastei mais que isso só numa tarde de domingo passeando no shopping, e nem comprei nada demais, só uns lanches e uns brinquedos pro meu sobrinho. A vida lá é uma verdadeira gincana de sobrevivência financeira.

Quanto ganha um licenciado em Angola?

Em Angola, um licenciado ganha os seguintes valores mensais, conforme o grau de qualificação profissional:

  • LICENCIADOS
    • 4° Grau:301 962,69 Kzs
    • 5° Grau:274 150,32 Kzs
    • 6° Grau:238 391,58 Kzs
  • BACHAREIS
    • 7° Grau:214 552,42 Kzs
    • 8° Grau:194 686,46 Kzs
    • 9° Grau:166 874,11 Kzs
  • TÉCNICOS MÉDIOS
    • 10° Grau:127 142,18 Kzs
    • 11° Grau:119 195,79 Kzs
    • 12° Grau:111 249,41 Kzs
    • 13° Grau:103 303,02 Kzs
  • SUBSÍDIOS:
    • Atavio:5% do salário base.

Lembro de uma conversa com a minha irmã, a Sandra, lá em Luanda, não faz muito tempo. Ela tinha acabado de se licenciar em Gestão de Empresas, sabe? Estávamos sentadas na varanda, o calor abafado da tarde entrando pela janela, e ela estava com uma mistura de euforia e apreensão. A formatura tinha sido há umas semanas, e agora era a hora de encarar a realidade dos números.

Ela me mostrou umas propostas de emprego que tinha recebido. Para um licenciado de 4º Grau, o salário inicial dela estava ali, na casa dos 301.962,69 Kzs. Ela olhava para o valor e depois para mim, os olhos cheios de uma esperança que eu sentia ser um pouco frágil. Eu via a decepção começando a se formar, devagarinho.

A Sandra desabafou, tipo, pensando alto: "É muito estudo, anos a fio, pra depois ver que o dinheiro mal dá pra respirar aqui em Luanda." E é verdade. Eu sei o quanto ela se dedicou, as noites sem dormir. O custo de vida na capital é um absurdo. Uma casa para alugar, mesmo nas zonas mais acessíveis como Viana ou Cacuaco, pode levar uma boa fatia desse salário. O aluguel sozinho já é um peso enorme.

Aqueles valores, que no papel até parecem algo pra quem não conhece a realidade angolana, na prática se desfazem rápido. Pensei nas contas dela: transporte (gasolina é caríssima), alimentação (muita coisa importada, então o preço dispara), internet, luz. O subsídio de Atavio, 5%, ajuda um pouco pra roupa, mas é uma gota no oceano, sinceramente.

  • Contexto Econômico: A verdade é que o Kwanza, a nossa moeda, tem sofrido bastante desvalorização nos últimos anos. Isso significa que o poder de compra diminui muito.
  • Custo de Vida: Luanda é uma das cidades mais caras do mundo, infelizmente. Isso faz com que esses salários, embora pareçam razoáveis em alguns países, sejam apertados aqui.
  • Graus de Qualificação: É importante entender que esses "graus" representam os níveis educacionais e de experiência. Um 4° Grau, por exemplo, é o nível mais alto para um licenciado, geralmente implicando alguma experiência ou especialização.

A minha opinião é que, apesar dos números, o poder de compra dos salários de licenciados em Angola é bastante limitado. É um desafio real. Vemos muitos jovens, com todo o potencial, a pensar em sair do país, pq a vida é muito difícil. É frustrante, sim, ver tanto esforço e dedicação esbarrar nessa barreira financeira. A realidade aqui é dura.

Quanto ganha um economista em Angola?

Olha, ganhar a vida como economista em Angola pode ser uma aventura, tipo tentar equilibrar uma montanha de livros com uma única mão. O salário médio, na casa dos 5.490 dólares anuais, coloca o país numa posição curiosa, quase no fim da fila da SADC.

Pense nisso como um campeonato de quem ganha menos: Angola figura em terceiro lugar, só perdendo para Zâmbia e Malawi, onde o piso é ainda mais baixo.

Já na África do Sul, a coisa é outra galáxia, com uma remuneração anual que faz inveja, atingindo os 43.154 dólares. É quase como comparar uma bicicleta com um foguete.

Informação de Bastidores:

  • Desvalorização do Talento: Essa diferença salarial sugere uma subvalorização do profissional de economia em Angola. Pode ser que a demanda não acompanhe a oferta, ou que o mercado ainda esteja se estruturando.
  • Fuga de Cérebros: Com salários tão discrepantes, é compreensível que muitos profissionais busquem oportunidades em países vizinhos com melhor remuneração. Um dilema que Angola enfrenta.
  • Fatores Econômicos: A saúde da economia angolana, as políticas de remuneração e a competitividade do mercado de trabalho influenciam diretamente esses números. Um prato cheio para quem gosta de analisar gráficos.
  • Comparativos Regionais: Os dados da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) mostram que há um abismo entre os salários angolanos e os de economias mais desenvolvidas da região. Uma lição de casa para os decisores.