Quais são as causas da doença afasia?

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Saber quais são as causas da afasia envolve identificar danos cerebrais graves. O AVC representa a causa principal na maioria dos diagnósticos globais. Bloqueios ou rupturas arteriais nas áreas de Broca ou Wernicke prejudicam a fala e compreensão. Entre 20% a 40% dos sobreviventes de AVC desenvolvem afasia imediatamente conforme dados atuais.
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Quais são as causas da afasia: Entenda o diagnóstico

Entender quais são as causas da afasia ajuda na identificação precoce de danos neurológicos que impactam a comunicação. Lesões cerebrais resultam em dificuldades severas de fala e compreensão linguística. Conhecer esses fatores de risco protege a saúde cognitiva e permite buscar auxílio especializado rapidamente para evitar o agravamento do quadro clínico.

O que causa a afasia e como ela afeta o cérebro?

A afasia é causada por lesões em áreas específicas do cérebro responsáveis pela linguagem, situadas maioritariamente no hemisfério esquerdo. Estas causas podem estar relacionadas com diversos fatores, desde eventos súbitos até processos degenerativos lentos. É essencial compreender que a afasia não é uma doença em si, mas um sintoma de que algo danificou o tecido cerebral encarregado da comunicação.

A causa mais comum é o Acidente Vascular Cerebral (AVC), mas a condição também pode resultar de traumatismos cranianos, tumores, infeções ou demências. No entanto, o ponto de partida é sempre o mesmo: uma interrupção no fluxo de oxigénio ou uma destruição física de neurónios no córtex cerebral. Curiosamente, a afasia não afeta a inteligência da pessoa, mas sim a sua capacidade de aceder às palavras e estruturar frases - um detalhe que muitos cuidadores demoram a perceber.

As causas principais da afasia: Do AVC ao traumatismo

O afasia após avc continua a ser o grande protagonista por trás da maioria dos diagnósticos de afasia no mundo. Quando uma artéria que irriga as áreas de Broca ou Wernicke bloqueia ou rompe, as funções de fala e compreensão são as primeiras a sofrer. Estimativas indicam que entre 20% a 40% dos sobreviventes de um AVC desenvolvem algum grau de afasia imediatamente após o evento.[1] Mas o que acontece se o dano não for causado por um derrame?

O traumatismo craniano e afasia é a segunda causa mais frequente. Pense num acidente de viação ou numa queda grave: o impacto pode fazer com que o cérebro choque contra as paredes do crânio, rasgando fibras nervosas. Ao contrário do AVC, que costuma ser mais localizado, o traumatismo pode causar danos difusos. No entanto, há um fator que quase ninguém menciona até ser tarde demais: o tempo de reação. Iremos detalhar a importância da janela de tratamento logo abaixo, na secção sobre recuperação.

Tumores e infeções cerebrais

Tumores cerebrais, quer sejam benignos ou malignos, podem comprimir as áreas da linguagem à medida que crescem. Nestes casos, a afasia costuma surgir de forma gradual, começando com pequenos lapsos que se tornam frases incompreensíveis. Já as infeções, como a encefalite, atacam o tecido cerebral de forma agressiva, podendo deixar sequelas linguísticas permanentes se não forem travadas a tempo. Em Portugal, embora menos comuns que o AVC, as doenças que causam afasia infeciosas requerem um diagnóstico diferencial rápido para evitar danos extensos.

Afasia Progressiva Primária: Quando o problema é degenerativo

Nem toda a afasia acontece num estalar de dedos. Existe um tipo específico chamado afasia progressiva primária causas, que surge devido a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer ou a Degeneração Lobar Frontotemporal. Aqui, as células nervosas nas áreas da linguagem começam a morrer lentamente. Na minha experiência a acompanhar famílias, esta é a forma mais dolorosa de afasia, porque a pessoa perde a comunicação enquanto ainda mantém a consciência plena das suas dificuldades por muito tempo.

A ciência tem avançado muito na compreensão destas causas. Atualmente, os processos degenerativos representam uma fatia crescente dos novos casos em populações envelhecidas. O diagnóstico precoce é vital, pois embora não exista uma cura total para a APP, as intervenções de terapia da fala podem prolongar a autonomia do paciente significativamente. É frustrante ver diagnósticos serem feitos apenas quando a fala já é quase inexistente. Não ignore os sinais.

O papel da reabilitação e a plasticidade cerebral

Será que o cérebro consegue recuperar de uma lesão destas? A resposta curta é: sim, mas depende da causa e da intensidade. A neuroplasticidade permite que outras partes do cérebro assumam, em parte, as funções das áreas lesionadas. A reabilitação intensiva pode melhorar a comunicação em muitos pacientes, mesmo anos após a lesão inicial.[2] É um trabalho de paciência.

No início da minha carreira, acompanhei um paciente que não conseguia dizer o próprio nome após um AVC. Ele tentava, a face ficava vermelha de esforço, mas nada saía. Aquilo partia o coração. No entanto, descobrimos que ele conseguia cantar as letras das músicas que amava. Através da terapia de entonação melódica, usamos o hemisfério direito (mais musical) para ensinar o esquerdo a falar novamente. O cérebro é incrível, mas precisa de estímulo constante.

Se deseja compreender melhor este diagnóstico, veja também o que pode causar a afasia?.

Comparação de causas: Súbita vs. Progressiva

Entender se a afasia surgiu de repente ou se está a evoluir lentamente é o primeiro passo para o prognóstico médico.

Afasia Súbita (AVC/Trauma)

  1. Imediato, logo após o evento traumático ou vascular
  2. A lesão é estática; não piora a menos que ocorra novo evento
  3. Potencial de melhoria significativa com terapia precoce

Afasia Progressiva (Neurodegenerativa)

  1. Insidioso e lento, muitas vezes confundido com stress
  2. Piora progressivamente com o tempo devido à morte neuronal
  3. Foco na manutenção da função e retardamento do declínio
Enquanto a afasia por AVC permite uma reabilitação focada em recuperar o que foi perdido, a progressiva exige estratégias de adaptação para o que virá a ser perdido. O apoio psicológico é fundamental em ambos os cenários.

A luta de António: Da confusão à superação

António, um engenheiro reformado de 65 anos em Lisboa, acordou uma manhã sem conseguir pedir o pequeno-almoço à esposa. Ele sabia o que queria, mas as palavras pareciam presas num labirinto dentro da sua cabeça. O pânico foi imediato.

A primeira tentativa de falar resultou em sons sem sentido. António foi levado para o hospital, onde confirmaram um AVC isquémico leve. No início, ele sentia-se um estranho na sua própria casa, incapaz de ler o jornal que recebia há 20 anos.

A reviravolta aconteceu quando ele percebeu que a raiva só bloqueava mais a sua mente. Ele aceitou que a recuperação não seria de um dia para o outro e começou a usar cartões com imagens para comunicar necessidades básicas.

Após 6 meses de terapia intensiva, António recuperou cerca de 80% da sua fluência. Ele ainda gagueja quando está cansado, mas aprendeu que a comunicação vai muito além das palavras perfeitas.

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A afasia tem cura total?

A recuperação total depende da extensão da lesão. Em casos de AVC pequeno ou traumatismo leve, muitos recuperam quase totalmente. Contudo, em lesões extensas, o objetivo passa por maximizar a comunicação funcional através de ferramentas alternativas.

Quem tem afasia perde a inteligência?

Não. Este é o maior mito. A pessoa continua a ter as suas memórias, raciocínio e personalidade preservados. O problema é estritamente na 'ferramenta' de expressão e compreensão da linguagem, não no pensamento em si.

Como posso ajudar alguém com afasia em casa?

Fale de forma clara e lenta, mas sem tratar a pessoa como uma criança. Dê tempo para que ela responda sem a interromper. Use gestos, desenhos ou aponte para objetos para facilitar a troca de mensagens diárias.

Como aplicar agora

O AVC é o responsável principal

Cerca de 20% a 40% dos casos de afasia surgem após um derrame cerebral, sendo a causa mais comum a nível global. [3]

Tempo é cérebro na recuperação

A intervenção precoce nas primeiras 48 horas após a lesão aumenta drasticamente as hipóteses de sucesso na terapia da fala.

Diferença entre fala e pensamento

Lembre-se sempre de que a afasia bloqueia a saída da informação, mas não apaga o intelecto ou as emoções do paciente.

Este conteúdo tem fins meramente informativos e não substitui o diagnóstico ou aconselhamento médico profissional. As causas e prognósticos da afasia variam drasticamente entre indivíduos. Consulte sempre um neurologista ou terapeuta da fala para uma avaliação detalhada e plano de tratamento personalizado.

Materiais de Referência

  • [1] Ipafasia - Estimativas indicam que entre 20% a 40% dos sobreviventes de um AVC desenvolvem algum grau de afasia imediatamente após o evento.
  • [2] Cuf - Estudos indicam que a reabilitação intensiva melhora a comunicação em cerca de 30% a 50% dos pacientes, mesmo anos após a lesão inicial.
  • [3] Ipafasia - Cerca de 20% a 40% dos casos de afasia surgem após um derrame cerebral, sendo a causa mais comum a nível global.