Como ficou conhecido o ano de 1960?
Como ficou conhecido o ano de 1960? O Ano da África
Entender como ficou conhecido o ano de 1960? ajuda a compreender grandes transformações geopolíticas globais. Esse período marca uma mudança profunda na soberania e nos direitos de diversos territórios. Explorar esses acontecimentos históricos evita visões equivocadas sobre o passado e destaca a importância da autodeterminação dos povos na sociedade moderna.
O Ano da África: O despertar de um continente em 1960
O ano de 1960 ficou conhecido mundialmente como o Ano da África. Esta designação histórica deve-se ao facto de, num espaço de apenas doze meses, 17 países do continente africano terem conquistado a sua independência face às potências coloniais europeias, marcando o colapso do domínio imperial em grande escala na região.
A velocidade dos acontecimentos naquele período surpreendeu o mundo e transformou a geopolítica global de forma irreversível. No início do século XX, a quase totalidade do território africano estava sob controlo europeu. Contudo, a pressão dos movimentos nacionalistas e o enfraquecimento das metrópoles após os conflitos mundiais criaram o cenário ideal para uma onda descolonizadora sem precedentes. Desse total de novas nações soberanas, 14 eram antigas colónias francesas, o que demonstra o impacto profundo do processo especificamente no império ultramarino de Paris.
A vaga de descolonização e o papel das potências europeias
A independência dos países africanos em 1960 não seguiu um caminho único, variando conforme a potência colonizadora e as condições locais. O império colonial francês foi o que sofreu a maior transformação, optando por conceder a independência política de forma negociada à maioria dos seus territórios na África Ocidental e Equatorial, numa tentativa de manter laços económicos e de influência através da Comunidade Francesa.
O Reino Unido e a Bélgica também viram os seus domínios encolher significativamente neste período. Os britânicos concederam a independência à Nigéria, a nação mais populosa do continente, e à Somalilândia Britânica, que se fundiu com a Somália Italiana. Já os belgas retiraram-se apressadamente do Congo, dando origem à República Democrática do Congo num processo marcado por forte instabilidade política imediata. Analisando o panorama geral, o número de estados africanos soberanos saltou de apenas 9 para 26 até ao final daquele ano, alterando o equilíbrio de votos nas Nações Unidas.
A exceção portuguesa e a resistência de Salazar
Enquanto a França e a Grã-Bretanha iniciavam a retirada, a posição de Portugal face à descolonização em 1960 permaneceu rigidamente inflexível. O regime do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar, recusou categoricamente seguir a tendência europeia, sustentando a ideologia de um império pluricontinental e indivisível.
Para contornar as pressões internacionais da época, o governo de Lisboa já tinha alterado o estatuto jurídico das colónias para províncias ultramarinas na década anterior. Os arquivos diplomáticos deste período revelam que a frustração dos observadores internacionais era evidente - a teimosia de Salazar isolou o país no plano diplomático. Em vez de negociar a transição, Portugal optou pelo confronto militar, o que resultou no início da Guerra Colonial em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique a partir do ano seguinte. A descolonização dos territórios sob administração portuguesa só aconteceria década e meia mais tarde, após a queda do regime em 1974.
Padrões de descolonização em 1960 por potência colonial
As potências europeias adotaram estratégias distintas para lidar com a pressão independentista em 1960, gerando dinâmicas de transição pacíficas ou violentas.França
- Predominantemente pacífico na África subsariana, embora sob a sombra do conflito violento na Argélia
- Transição negociada com a criação de acordos de cooperação económica e militar pós-independência
- 14 territórios (incluindo Camarões, Senegal, Costa do Marfim e Madagáscar)
Reino Unido
- Processo negociado e maioritariamente pacífico em 1960, apesar das tensões étnicas internas latentes
- Emancipação gradual focada na criação de instituições parlamentares moldadas pelo modelo britânico
- Nigéria e Somalilândia Britânica
Bélgica
- Transição tensa que culminou numa crise política profunda e em violência pós-colonial imediata
- Retirada abrupta e desorganizada devido à pressão dos protestos populares e tumultos em Leopoldville
- República Democrática do Congo
Portugal (Posição de resistência)
- Calmaria tensa que antecedeu a eclosão da luta armada e da Guerra Colonial em 1961
- Recusa absoluta de diálogo, repressão de movimentos nacionalistas e reforço do contingente militar
- Nenhum em 1960 (Angola, Moçambique e Guiné mantiveram-se sob controlo de Lisboa)
A jornada de Amadou: A transição de estudante a cidadão no Senegal
Amadou, um jovem funcionário público de 24 anos em Dakar, viveu intensamente os meses que antecederam o dia 4 de abril de 1960. Ele ansiava pela soberania, mas temia o desemprego devido à saída repentina dos administradores franceses.
A sua primeira tentativa de organizar os arquivos da nova alfândega gerou caos técnico. Faltavam formulários básicos e os manuais antigos foram recolhidos pelas autoridades coloniais em retirada.
Amadou percebeu que copiar o modelo de Paris sem adaptação local era um erro crasso. Ele reuniu os colegas e reescreveu os procedimentos numa linguagem simplificada em duas semanas.
O Senegal estabilizou as suas receitas aduaneiras em 60 dias, e Amadou aprendeu que a verdadeira independência exigia paciência para construir novas estruturas do zero no funcionalismo público.
Saiba mais
Quantos países africanos ficaram independentes em 1960?
Um total de 17 países africanos conquistaram a independência em 1960. O processo iniciou-se com os Camarões a 1 de janeiro e encerrou-se com a Mauritânia a 28 de novembro daquele ano.
Porque 1960 é o ano da África?
O ano recebeu esse nome devido ao volume inédito de processos de descolonização bem-sucedidos em apenas doze meses. Foi o pico dos movimentos de libertação nacional no continente africano.
Quais foram os países que se libertaram da França em 1960?
Dos 17 emancipados, 14 eram ex-colónias francesas: Camarões, Senegal, Togo, Mali, Madagáscar, Benim, Níger, Burkina Faso, Costa do Marfim, Chade, República Centro-Africana, Congo-Brazzaville, Gabão e Mauritânia.
Resumo do artigo
Explosão de soberania nacionalO ano de 1960 testemunhou a ascensão de 17 novas nações independentes, alterando profundamente a geografia política mundial.
Predomínio do império francêsA esmagadora maioria das emancipações ocorreu no seio das colónias francesas, totalizando 14 novos países livres do controlo de Paris.
Aumento da representação na ONUA entrada em massa destes novos estados elevou o número de países independentes na África de 9 para 26 no final daquele ano.
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