O que aconteceu em 1820 em Portugal?

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A revolução liberal de 1820 foi um levante militar e civil em Portugal iniciado no Porto a 24 de agosto. Este evento marcou o fim do absolutismo e o início da era constitucional. A crise política, económica e a ausência do rei D. João VI motivaram a insurreição.
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Revolução liberal de 1820: O fim do absolutismo

Compreender os acontecimentos históricos ajuda a entender a evolução política nacional. A movimentação militar e civil alterou profundamente as estruturas de poder da época. A insurreição civil surgiu após anos de descontentamento com a crise generalizada e a ausência prolongada da liderança real, marcando o o que aconteceu na revolução liberal de 1820. Conhecer a história evita interpretações incorretas sobre o passado político.

O que aconteceu na Revolução Liberal de 1820

A Revolução Liberal de 1820 foi um levante militar e civil que alterou profundamente a estrutura política de Portugal, marcando o fim do absolutismo e o início de uma nova era constitucional.[1] Este evento, iniciado no Porto a 24 de agosto, não aconteceu isoladamente; ele foi o culminar de causas da revolução liberal de 1820 acumuladas por anos de crise política, económica e pela ausência do rei D. João VI, que se encontrava no Brasil desde 1808.

O contexto de crise e a tutela britânica

Portugal vivia um cenário de forte insatisfação social, agravado pelo protetorado exercido pelo general inglês William Beresford, que governava de facto o país. A presença militar e administrativa britânica era vista pela burguesia e pelos militares portugueses como uma forma de submissão humilhante. A economia também sofria, já que a abertura dos portos do Brasil ao comércio internacional, decretada em 1808, retirou o monopólio comercial de Portugal, reduzindo drasticamente os lucros das classes mercantis lusitanas.

Nessa época, o país parecia ter sido transformado numa espécie de colónia do Brasil, o que feria o orgulho nacional. É curioso notar que, embora o descontentamento fosse geral, as classes médias e militares foram quem realmente agiram. Em apenas dois anos, o sentimento popular transformou-se em acção organizada, pois as tentativas anteriores de reforma tinham falhado miseravelmente.

O desenrolar dos acontecimentos de 1820

Tudo começou na manhã de 24 de agosto de 1820, no Campo de Santo Ovídio, no Porto. Oficiais do exército, influenciados pelas ideias liberais e pela Maçonaria, declararam o seu levantamento contra a regência. Rapidamente, formaram a Junta Provisional do Supremo Governo do Reino, cujo objectivo principal era imediato: convocar Cortes Constituintes para redigir uma Constituição.

O movimento ganhou tracção imparável. Em setembro, Lisboa juntou-se à revolução, forçando a deposição de Beresford e a constituição de um governo provisório que preparou o terreno para o regresso de D. João VI. A rapidez com que o movimento se espalhou mostra que o país estava exausto do modelo vigente. Foi um momento de viragem - algo que a maioria dos historiadores considera o despertar político da nação.

A Constituição de 1822 e as transformações

A principal consequência imediata foi a convocação das Cortes, que resultou na Constituição de 1822. Pela primeira vez, Portugal teria um sistema onde o poder do rei era limitado por leis fundamentais e por um parlamento eleito. Analisando as consequências da revolução de 1820 em portugal, notamos que os privilégios senhoriais e os tribunais do Santo Ofício foram abolidos, e os direitos individuais começaram a ser formalmente reconhecidos no papel, mesmo que a implementação prática tenha enfrentado enormes desafios sociais.

Consequências para o Brasil e para a Monarquia

A Revolução não trouxe apenas mudanças internas; ela precipitou a Independência do Brasil em 1822. As Cortes, na sua tentativa de restaurar o poder centralizado em Lisboa, tentaram reduzir novamente o Brasil à condição de colónia e ordenaram o retorno imediato do príncipe D. Pedro. Este movimento gerou uma resistência insustentável no Brasil, culminando no Grito do Ipiranga, o que demonstra a importância da revolução de 1820 para o brasil.

D. João VI acabou por regressar a Portugal em 1821 para jurar a Constituição, mas a sua relação com as novas Cortes foi marcada por constantes tensões. Para o rei, a transição entre o absolutismo e o constitucionalismo foi um terreno difícil de navegar. O ambiente político tornou-se instável e a transição não foi pacífica para todos os envolvidos, resultando em anos de conflitos civis posteriores.

Comparação entre o Absolutismo e o Liberalismo

A Revolução de 1820 foi o ponto de ruptura entre dois modelos políticos distintos de governação.

Absolutismo (Pré-1820)

  • Centralizado e ilimitado nas mãos do Monarca
  • Baseada em privilégios de nascimento e ordens
  • Inexistente; não havia representação parlamentar

Liberalismo (Pós-1820)

  • Limitado pela Constituição e pelas Cortes
  • Baseada na igualdade perante a lei
  • Representação parlamentar eleita pelos cidadãos
A transição não aconteceu da noite para o dia. Enquanto o Liberalismo prometia igualdade jurídica, a prática política da época era limitada a uma elite letrada e com rendimentos, deixando de fora a grande maioria da população camponesa.

A mudança de vida de Manuel em Lisboa

Manuel, um pequeno comerciante em Lisboa, viveu o caos de 1820 de forma directa. Com a saída do rei e a tutela britânica, os seus negócios estavam estagnados há anos e a inflação comia o lucro diário.

Quando as notícias do Porto chegaram em setembro, ele juntou-se às manifestações populares no Rossio, esperando que a queda do governo de Beresford trouxesse estabilidade económica.

A incerteza foi grande. Manuel enfrentou meses de desabastecimento e o medo de represálias militares, mas participou nas primeiras eleições para as Cortes Constituintes com um optimismo que nunca sentira antes.

Embora a sua situação financeira não tenha melhorado de imediato, a sensação de que agora tinha uma palavra a dizer nos destinos do país transformou-o. Manuel percebeu, após meses de discussão nas tabernas, que a política já não era apenas assunto de reis, mas dele também.

Perguntas comuns

Porque é que a Revolução de 1820 aconteceu no Porto?

O Porto era o centro de uma burguesia comercial dinâmica que sofria directamente com a perda de lucros provocada pela abertura dos portos do Brasil e pela tutela britânica. A classe militar da região também estava descontentes com a falta de pagamento e a influência estrangeira nas chefias, tornando a cidade o local ideal para o início do levante.

A Revolução de 1820 foi pacífica?

No seu início, foi um movimento militar relativamente controlado e sem grandes derramamentos de sangue. No entanto, as consequências a longo prazo geraram instabilidade política que conduziu a décadas de guerras civis e divisões profundas entre absolutistas e liberais.

O que mudou para o cidadão comum após 1820?

Na teoria, os cidadãos passaram a ser iguais perante a lei e ganharam direitos individuais protegidos pela Constituição. Na prática, contudo, a maioria da população mantinha-se analfabeta e afastada da vida política, que continuava dominada por uma elite intelectual e económica.

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Pontos importantes

Fim do Absolutismo

A Revolução de 1820 marcou a transição definitiva de Portugal para um regime constitucional com a criação da Constituição de 1822.

Impacto na Independência do Brasil

As tensões entre as Cortes liberais em Lisboa e o príncipe regente no Brasil foram o catalisador final para a independência brasileira em 1822.

Mudança ideológica

Portugal passou a adoptar ideais liberais, inspirados pelas revoluções europeias, que alteraram permanentemente a relação entre o Rei e o povo.

Materiais de Origem

  • [1] Parlamento - A Revolução Liberal de 1820 foi um levante militar e civil que alterou profundamente a estrutura política de Portugal, marcando o fim do absolutismo e o início de uma nova era constitucional.