Onde estão os imigrantes portugueses?
Onde vivem os imigrantes portugueses?
Minha prima, a Sofia, mudou-se para Genebra em março de 2023. Pagou uma fortuna pelo apartamento, mas diz que vale a pena. Encontrou trabalho rápido, numa clínica dentária. Ela diz que tem imensos portugueses por lá.
França sempre teve muitos portugueses, né? Lembro-me das férias em criança, perto de Lyon, e via-se bandeiras portuguesas em todo o lado. Meio estranho, mas acolhedor.
Suíça e França. Parece que são os destinos da moda agora.
Qual é o país onde os portugueses mais emigram?
A memória me traz o cheiro de vinho verde e o som do fado distante, ecoando em algum lugar entre o Douro e o Tejo… Um nó na garganta, lembrança insistente de despedidas na estação de Santa Apolónia. A Suíça, em 2023, aquele relógio gigante, implacável, marcando a partida de tantos. Treze mil corações, dizem as estatísticas frias do ISCTE. Treze mil ausências que pesam mais que o granito das serras. A saudade, um rio caudaloso, desaguando em cada carta não escrita, cada foto desbotada.
Mas a França… Paris, com suas luzes que ofuscam a saudade, mas não a apagam. Quase seiscentos mil portugueses, segundo o ISCTE em 2024, um exército silencioso conquistando espaços, deixando um pouco de Portugal em cada esquina, em cada pastelaria, em cada conversa em tom baixo… A melancolia de um café em Montmartre, talvez lembrando o sabor do café da manhã em casa. A imagem de um rio, o Sena ou o Tejo, importa pouco. Só importa a água que corre e carrega consigo a lembrança da terra. Uma terra de sol escaldante, de mar revolto, de uma história que nos acompanha no exílio.
A emigração, uma ferida aberta no peito. Um corte profundo, que sangra a cada olhar para o horizonte, a cada postal recebido. A Suíça, em 2023, o maior fluxo… Os números, frios e impessoais, não conseguem mensurar a dor dessa partida. Recordo o rosto da minha avó, enrugado pela saudade do filho que partiu. A Suíça, a França… lugares distantes que acalentam o sonho de um futuro melhor, mas nunca substituirão a casa, o cheiro familiar, a voz materna. A solidão, uma companhia indesejada, mas tão presente, como a sombra que nos acompanha.
- 2023: Suíça - principal destino da emigração portuguesa (aprox. 13.000).
- 2024: França - maior comunidade portuguesa na Europa (aprox. 600.000).
A saudade pesa, mas a esperança persiste, como um fio tênue, que não se rompe. Um fio que nos liga, de Portugal aos seus filhos espalhados pelo mundo.
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