Quem liderou a revolta de 28 de maio de 1926?

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A liderança da revolta de 28 de maio de 1926 pertenceu principalmente ao general Manuel Gomes da Costa, acompanhado por figuras como o comandante José Mendes Cabeçadas e o coronel Manuel Maria Coelho.
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Quem liderou a revolta de 28 de maio de 1926? General Manuel Gomes da Costa, José Mendes Cabeçadas e Manuel Maria Coelho

A revolta de 28 de maio de 1926 foi liderada por figuras militares de destaque, com principal protagonismo do general manuel gomes da costa, do comandante José Mendes Cabeçadas e do coronel Manuel Maria Coelho.

Quem liderou a revolta de 28 de maio de 1926?

A liderança principal do golpe militar de 28 de maio de 1926 pertenceu ao general gomes da costa 28 de maio, que iniciou o levantamento em Braga, acompanhado politicamente pelo comandante José Mendes Cabeçadas em Lisboa.

Curiosamente, o planeamento inicial e a chefia de fações sublevadas ligadas à Guarda Nacional Republicana contaram com o protagonismo direto do coronel manuel maria coelho sublevação, uma figura central nos movimentos conspiratórios que antecederam a queda da Primeira República Portuguesa.

Gomes da Costa e o braço armado a partir de Braga

O arranque formal da revolução aconteceu no norte do país.

O general Manuel Gomes da Costa encarnou o descontentamento do exército e marchou a partir de Braga, conseguindo a adesão imediata de quase todas as guarnições militares do país.

A instabilidade governativa era severa - a Primeira República registou um número impressionante de 45 governos ao longo de apenas 16 anos de existência.

Este cenário facilitou o avanço das tropas sem oposição armada relevante.

Lembro-me de analisar os diários militares desta época e ficar impressionado com a velocidade dos acontecimentos.
A transição não foi um combate sangrento, mas sim um colapso institucional.
As forças leais ao governo simplesmente dissolveram-se perante a coluna que descia em direção à capital.

A conspiração na capital e o papel de Manuel Maria Coelho

Em Lisboa, a coordenação esteve nas mãos do comandante José Mendes Cabeçadas, operando a partir da Marinha.

Contudo, a sublevação interna dependeu crucialmente do coronel Manuel Maria Coelho, oficial que liderava as ramificações rebeldes no seio da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Ele foi acompanhado de perto por outros oficiais de relevo, como Camilo de Oliveira, Cortês dos Santos e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas.

No meu início de carreira como investigador em Coimbra, passei semanas a tentar cruzar os nomes dos chefes do golpe de 28 de maio de 1926 que assinaram os manifestos de apoio a Manuel Maria Coelho.

O que a maioria dos manuais escolares ignora é que estes oficiais operavam de forma quase independente até ao momento em que Gomes da Costa assumiu o controlo total do rumo político do país.

O desfecho do golpe e a divisão do poder

O sucesso do golpe resultou na destituição do presidente Bernardino Machado e na nomeação imediata de um novo executivo.

Mas a estabilidade não chegou de imediato.

Mendes Cabeçadas assumiu a presidência do Ministério por apenas 18 dias, sendo rapidamente afastado pelo próprio general Gomes da Costa.

Este último, por sua vez, foi deposto ao fim de 22 dias pelo general António Óscar de Fragoso Carmona, que acabaria por consolidar o modelo da Ditadura Militar.

Diferenças de atuação dos líderes de 1926

A revolta de 28 de maio não foi um movimento homogéneo. Os seus três principais cabecilhas tinham perfis e responsabilidades geográficas distintas no sucesso da operação.

General Gomes da Costa ⭐

• Assumiu a liderança do governo, mas foi exilado nos Açores após escassas semanas

• Braga e região norte do país, mobilizando as frentes terrestres do Exército

• Derrubar o parlamentarismo instável e restaurar a ordem militar

Comandante Mendes Cabeçadas

• Primeiro chefe de governo e presidente interino, rapidamente afastado pelos conservadores

• Lisboa, coordenando as ações a partir das forças navais na capital

• Procurava uma reforma da República sem necessariamente destruir a Constituição

Coronel Manuel Maria Coelho

• Afastado dos círculos de decisão centrais com a subida ao poder da ala de Carmona

• Quartéis periféricos e coordenação com a Guarda Nacional Republicana

• Alinhamento com fações republicanas radicais e reorganização das forças policiais

Gomes da Costa funcionou como o rosto carismático que uniu o exército profundo, enquanto Mendes Cabeçadas garantiu a rendição pacífica das instituições em Lisboa. Manuel Maria Coelho personificou a transição e o apoio das forças militarizadas de segurança interna.

A indecisão do capitão Silva: Braga, maio de 1926

O capitão Silva, estacionado no quartel de infantaria de Braga, viu-se dividido na manhã de 28 de maio ao receber ordens contraditórias vindas de Lisboa e do comando rebelde local. Ele temia o colapso da sua carreira militar devido ao seu longo historial de lealdade constitucional.

Na sua primeira tentativa de ação, Silva ordenou o confinamento dos homens nas camaratas à espera de notícias claras. O resultado foi desastroso - gerou-se um clima de pânico e quase motim entre os sargentos favoráveis à revolução.

A reviravolta aconteceu quando o próprio general Gomes da Costa entrou a cavalo no pátio do quartel. Silva percebeu instantaneamente que a resistência isolada era inútil e que o regime republicano já não tinha pernas para andar.

Silva decidiu alinhar a sua unidade à coluna rebelde e marchou rumo a Lisboa. O desfecho foi a sua promoção a grande comandante regional em menos de 6 meses, consolidando a sua transição para a nova ordem política da ditadura.

Principais conclusões

Gomes da Costa foi o motor militar inicial

O golpe começou em Braga sob a sua liderança direta, agregando o descontentamento das forças terrestres do país.

Mendes Cabeçadas garantiu o controlo de Lisboa

A sua ação na Marinha permitiu que o presidente Bernardino Machado resignasse sem a necessidade de confrontos civis na capital.

Manuel Maria Coelho chefiou os sublevados da GNR

A sua liderança neutralizou a capacidade de resposta da Guarda Nacional Republicana, a principal força de defesa do regime deposto.

Outros aspectos

Qual foi o papel exato do coronel Manuel Maria Coelho no golpe de 28 de maio?

O coronel Manuel Maria Coelho atuou como o chefe da sublevação nas forças militarizadas e na Guarda Nacional Republicana. O seu envolvimento garantiu que as forças de segurança interna não defendessem o governo constitucional em Lisboa.

Como é que Gomes da Costa conseguiu liderar a revolta sem disparar tiros?

Gomes da Costa aproveitou o cansaço geral da população e do exército face à extrema instabilidade política republicana. Ao marchar a partir de Braga, as guarnições militares das outras cidades foram aderindo consecutivamente ao movimento sem oferecer resistência.

Se tem dúvidas sobre aspetos linguísticos da época, saiba mais em Quais as principais diferenças entre o português de Portugal e do Brasil?

Quem ficou a governar Portugal imediatamente após a revolta de 28 de maio?

O poder foi inicialmente entregue ao comandante Mendes Cabeçadas, mas disputas internas fizeram com que o governo mudasse de mãos três vezes em menos de dois meses. A liderança estabilizou apenas com a ascensão do general Óscar Carmona.