O que aconteceu em 1828 em Portugal?

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Em fevereiro de 1828, D. Miguel regressou do exílio para assumir a regência. A 11 de julho de 1828, D. Miguel foi aclamado Rei Absoluto. Este ato anulou a Carta Constitucional de 1826. A aclamação de D. Miguel como rei absoluto marcou a reversão completa do regime liberal. O o que aconteceu em 1828 em Portugal desencadeou a Guerra Civil Portuguesa, que opôs os miguelistas aos liberais até 1834.
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O que aconteceu em 1828 em Portugal: Rei Absoluto

Compreender as mudanças políticas ocorridas durante o século XIX é essencial para quem estuda a história nacional. O o que aconteceu em 1828 em Portugal representa uma viragem crítica que alterou o rumo do país. Analisar estes eventos ajuda a evitar equívocos sobre as origens do conflito que moldou a nossa identidade.

O que aconteceu em 1828 em Portugal?

A viragem política de 1828 em Portugal não foi um evento isolado, mas sim o culminar de tensões profundas entre fações conservadoras e liberais.
Para compreender este momento, é preciso olhar para a sucessão ao trono e a disputa pela legitimidade que dividiu o país, culminando no golpe absolutista de D. Miguel.

A Chegada de D. Miguel e o Fim da Carta Constitucional

Em fevereiro de 1828, D. Miguel regressou do seu exílio em Viena para assumir a regência em nome da sua sobrinha, D. Maria II, que era ainda uma criança.

Embora tivesse jurado fidelidade à Carta Constitucional, o cenário mudou rapidamente. Com o apoio da facção absolutista e da ala mais conservadora do clero e da nobreza, D. Miguel dissolveu as Cortes em março de 1828, marcando o início do fim da Carta Constitucional 1828.

O passo seguinte foi definitivo: a 11 de julho de 1828, D. Miguel foi aclamado Rei Absoluto.

Este ato anulou efetivamente a Carta Constitucional de 1826 e marcou a reversão completa do regime liberal que tentava estabelecer-se, consolidando a posição de D. Miguel rei absoluto. A transição não foi pacífica; instaurou-se um clima de perseguição política, levando ao exílio milhares de liberais que não aceitaram a nova ordem.

O Início da Guerra Civil

A aclamação de D. Miguel como rei absoluto provocou uma reação imediata entre os liberais, desencadeando o início de um período de conflito armado intenso.
A Guerra Civil Portuguesa 1828, que se estendeu de 1828 a 1834, opôs os miguelistas (absolutistas) aos liberais (partidários de D. Pedro IV, irmão de D. Miguel).

Este conflito não foi apenas uma luta pela coroa, mas um choque de visões para o futuro do país.

Enquanto os absolutistas defendiam a monarquia tradicional e a autoridade absoluta do rei, os liberais lutavam pela implementação de um governo constitucional, pela liberdade de expressão e pela redução dos privilégios da Igreja e da aristocracia, num período crucial da história de Portugal século XIX.

Impactos Imediatos da Viragem Política

As consequências de 1828 foram severas e duradouras. A economia portuguesa, já fragilizada pelas Invasões Francesas e pela perda do Brasil em 1822, sofreu com a instabilidade política e o isolamento diplomático internacional, dado que muitas potências europeias não reconheceram a legitimidade de D. Miguel como rei.

Este contexto de crise aprofundou as divisões internas e marcou definitivamente a história de Portugal século XIX.

Internamente, o país dividiu-se. Cidades como o Porto tornaram-se bastiões liberais, enquanto áreas rurais do interior mantiveram um apoio mais sólido à causa miguelista.

Este período de incerteza forçou a emigração de muitos intelectuais e reformistas, o que atrasou significativamente o progresso administrativo e educativo que o liberalismo pretendia trazer a Portugal, num cenário marcado pela Guerra Civil Portuguesa 1828.

Liberalismo vs. Absolutismo (1828)

O conflito de 1828 baseava-se em visões de governo radicalmente opostas.

Liberalismo

  • Burguesia, intelectuais e setores urbanos
  • Defesa da Carta Constitucional
  • Monarquia Constitucional com divisão de poderes

Absolutismo (Miguelismo)

  • Clero, alta nobreza e setores rurais
  • Leis tradicionais e autoridade divina
  • Monarquia absoluta, poder centralizado no Rei
A diferença fundamental residia na fonte de poder. Enquanto os liberais exigiam a limitação do poder real através de uma constituição, os absolutistas viam qualquer limitação como uma ofensa à ordem natural e histórica de Portugal.

A experiência de uma família liberal em 1828

João, um pequeno comerciante em Lisboa, acreditava que a Carta Constitucional traria prosperidade através de reformas. Quando D. Miguel foi aclamado Rei Absoluto em julho de 1828, o clima na capital tornou-se irrespirável.

A polícia secreta miguelista vigiava as casas de quem tinha ligações aos liberais. João, temendo ser denunciado pelos vizinhos, teve de esconder documentos e livros de filosofia política debaixo do soalho.

A viragem política forçou-o a tomar uma decisão difícil após um amigo ter sido detido sem julgamento. Deixou o seu negócio e partiu para o exílio em Inglaterra com a família, temendo pela segurança dos filhos.

O exílio durou quase seis anos. Quando regressou após a vitória liberal em 1834, encontrou a sua loja saqueada, mas sentiu que a luta valera a pena pelo futuro constitucional que o país começava a desenhar.

Mais discussão

Por que D. Miguel anulou a Carta Constitucional?

D. Miguel cedeu à pressão dos setores ultraconservadores do clero e da nobreza que viam o liberalismo como uma ameaça à ordem social. A anulação permitiu-lhe restaurar o modelo de monarquia absoluta que existia antes das revoluções liberais.

O que foi a facção dos miguelistas?

Os miguelistas eram os partidários de D. Miguel, que defendiam o absolutismo, o tradicionalismo católico e a rejeição de reformas constitucionais. Representavam a ala conservadora que temia a perda de privilégios com o liberalismo.

Se ainda tem dúvidas sobre este período, explore Como se fala bom dia em Portugal? para conhecer outras curiosidades culturais.

Como é que a Guerra Civil (1828-1834) terminou?

O conflito terminou com a Convenção de Évora Monte em 1834, na qual D. Miguel se rendeu e aceitou partir para o exílio definitivo. A vitória liberal garantiu a restauração da Carta Constitucional e a consolidação do trono de D. Maria II.

Principais lições

A rutura de 1828

A aclamação de D. Miguel como rei absoluto em 1828 foi um golpe direto contra o regime liberal, cancelando a Carta Constitucional e dividindo a sociedade portuguesa.

Impacto na estabilidade

Este evento precipitou uma guerra civil sangrenta que durou seis anos, marcada por perseguições políticas e grandes divisões entre centros urbanos liberais e o interior conservador.