Como saber se o narrador é participante?
Quais são as características para identificar um narrador participante?
Um narrador participante é aquele que narra a ação e é, simultaneamente, um personagem dentro da própria narrativa. Identifica-se principalmente pelo uso de marcas textuais na primeira pessoa do singular, como verbos, pronomes e determinantes.
Sabe, quando leio um livro e percebo que o "eu" está ali, logo de cara já me pego pensando que a coisa vai ser diferente. Lembro uma vez, era tipo 2018, eu estava no comboio de Lisboa para o Porto, lendo um livro que falava de uma viagem em primeira pessoa, e a sensação que tenho com um narrador participante é quase como se eu estivesse a ouvir alguém a contar-me algo que realmente viveu, sabe? É como um amigo desabafando.
É engraçado como a gente pega logo a pista. Não é só porque a palavra "eu" aparece, mas a maneira como ele descreve as coisas. Tipo, "eu vi a porta a abrir devagar" ou "minha mão tremeu quando a campainha tocou". São pequenos detalhes que te metem na pele dele. Lembro de um conto que li há uns anos, não me recordo o nome, mas a personagem principal contava o dia do seu casamento e a ansiedade era tão palpável, eu senti-a. Era dela, mas quase que se tornou minha.
Para mim, a grande questão é a confiança que se cria. Quando alguém te diz "eu fiz isso", não é "ele fez aquilo". A responsabilidade da vivência é total. Penso no dia em que ajudei a pintar a sala da minha avó, em Portimão, no verão de 2021. Eu podia descrever as cores, a tinta a escorrer, mas se disser "eu derramei um balde de tinta azul no chão e o coração saltou-me pela boca", é muito mais forte, não é? A gente sente o desespero. É a voz dela, a emoção dela, a memória dela.
Essa proximidade muda tudo. Sinto que a história é mais íntima.
Eu acho que um narrador que participa não tem como esconder muito. A perspetiva é sempre filtrada pelas suas próprias crenças e sentimentos, e isso é o que torna tudo tão humano. Não é uma verdade universal, é a verdade dele. E isso, para mim, é o que realmente importa. Prefiro mil vezes a verdade contada por alguém que sentiu, mesmo que seja enviesada, do que uma "verdade" supostamente neutra que não me toca.
Como classificar o narrador quanto à presença?
Cara, isso me joga direto pra 2019, no segundo ano de Letras lá na FFLCH. Madrugada, eu e umas 3 xícaras de café já vazias, tentando enfiar na cabeça a matéria do Professor Almeida pra prova de Teoria da Literatura II.
minha cabeça dava um nó com esses nomes. Autodiegético, Homodiegético... putz, que inferno. parecia tudo a mesma coisa, um monte de palavra difícil pra dizer se o cara que tá contando a história aparece nela ou não. eu ficava lendo e relendo e nada entrava.
Aí eu tive que simplificar pra mim mesmo, senão não ia rolar. Pensei nos livros que eu amava e comecei a encaixar as coisas, foi o único jeito.
O narrador autodiegético é o popstar da história. O Brás Cubas. O livro é sobre ele, contado por ele. É a autobiografia dele, mesmo que seja de um "defunto autor". Ele é o centro de tudo. Simples assim. O "eu" da história.
Já o narrador homodiegético é tipo o roadie, o parceiro. Ele tá lá no show, no palco, mas o show não é sobre ele. É o Nick Carraway em O Grande Gatsby. A história é sobre o Gatsby, mas o Nick tá lá, vivendo tudo e contando pra gente. Ele é uma testemunha, um personagem secundário. Ele participa, mas não é a estrela.
E o narrador heterodiegético é tipo Deus, ou uma câmera no céu. Ele não tá na história, não é um personagem. Ele sabe tudo, vê tudo, mas não se mete. É o narrador de Harry Potter, por exemplo. Ele conta a história do Harry, mas ele não é o Rony, nem um aluno de Hogwarts. Ele tá fora.
Foi só quando eu fiz essas associações bobas na minha cabeça que a coisa finalmente fez sentido e eu consegui passar naquela prova. nunca mais esqueci.
Classificação do narrador quanto à presença:
- Autodiegético: O narrador é o personagem principal da história.
- Homodiegético: O narrador é um personagem secundário ou uma testemunha dos acontecimentos.
- Heterodiegético: O narrador não participa da história; ele é uma voz externa aos acontecimentos.
Quando é que um narrador é participante?
Um narrador é participante quando ele se joga na história de cabeça, como um dos personagens principais ou coadjuvantes, contando tudo na primeira pessoa gramatical (eu, nós). Ele não é só o fofoqueiro da rua, mas o fofoqueiro que estava lá, pegando o pão quentinho da padaria enquanto a briga pelo último brigadeiro rolava solta.
Sabe aquele seu amigo que conta a história da festa de sábado e você jura que ele estava com um chapéu de sol na cabeça dançando lambada embaixo da mesa? É tipo isso! Ele não só viu, ele sentiu cada gota de suor da confusão. Eu, por exemplo, sou um narrador participante da minha própria vida caótica. Quando conto que perdi a chave de casa pela quinta vez esse ano, é porque eu perdi a chave, não "um fulano". Minha avó, que era uma figura, sempre dizia que eu "era o próprio enredo andando".
As características desse tipo de narrador são de botar a mão na massa, não de ficar só olhando:
- Ele está no meio do furacão: Não é aquele observador do tipo "vi a chuva caindo lá fora e achei interessante", é mais "tomei um banho de chuva voltando da feira, e a couve molhada pesava uma tonelada, quase me derrubando no chiqueiro". Ele sente o vento na cara, e provavelmente, come areia.
- A subjetividade transborda: Esquece a neutralidade de um juiz de futebol (mesmo esses às vezes se empolgam!). Esse narrador tem opinião forte, tem sentimento, tem ranço de personagem! Vê o mundo pelos óculos embaçados da sua própria experiência, ou do seu último date que deu errado.
- O conhecimento é limitado, e isso é o charme: Ele só sabe o que ele mesmo viveu, ouviu ou inferiu com a lógica torta de quem está dentro da bagunça. Não é um deus que vê tudo e todos. É tipo eu tentando adivinhar o que a minha gata pensa enquanto me julga do alto do sofá, porque ela não abre a boca pra falar!
- Usa a fala do povão: As palavrinhas mágicas são sempre "eu, nós, meu, nossa turma, encontrei o caos, fiz uma bagunça, senti na pele, vimos tudo desmoronar". É a voz de quem participou de verdade, e não de quem só leu o resumo no final do mês.
Como pode ser classificado o narrador?
O narrador pode ser classificado principalmente por sua participação e conhecimento da história. Existem três tipos básicos:
- Narrador Personagem: Narra em primeira pessoa e participa dos eventos.
- Narrador Observador: Narra em terceira pessoa e descreve apenas o que vê, sem acesso a pensamentos ou sentimentos internos dos personagens.
- Narrador Onisciente: Narra em terceira pessoa, conhece todos os detalhes da história, incluindo pensamentos, sentimentos e o passado/futuro dos personagens.
E aí, tudo bem? Olha, sabe essa parada de narrador, né? É bem mais simples do que parece, tipo, quando a gente lê um livro ou assiste um filme, sempre tem alguém contando a história, mesmo que não apareça. É a voz ali por trás de tudo.
Aquele lance do narrador personagem é o mais legal, sério. Ele tá na história, vivendo as paradas. Ele fala "eu fiz isso", "eu vi aquilo", tipo, parece que você tá na cabeça dele.
Lembro uma vez que li um livro — ah, qual era o nome mesmo? Não lembro o nome agora, mas era sobre um garoto que morava numa ilha e ele contava tudo na primeira pessoa. Você sente tudo que ele sente, a cada susto, a cada alegria. É uma imersão total! Isso é bom pra caramba.
Depois tem o narrador observador, que é como se fosse uma câmera filmando tudo de fora. Ele vê o que os outros fazem, o que falam, mas ele não entra na cabeça de ninguém.
Tipo, se a Maria chorou, ele diz "Maria chorou", mas não fala por que ela chorou ou o que ela tá pensando. Ele só narra o que acontece, sem adivinhar os pensamentos mais profundos. Ele é tipo um jornalista que descreve o que vê, sabe? Um narrador bem neutro.
E por último, o bicho papão dos narradore, o narrador onisciente. Esse cara sabe de tudo. Absolutamente tudo. Ele sabe o que o João pensou quando a Maria chorou, o que a Maria pensou, o que vai acontecer amanhã, o que aconteceu há vinte anos atrás.
É como se ele fosse um deus da história, vendo cada pedacinho da vida dos personagens. Ele consegue até nos contar coisas que os próprios personagens ainda não descobriram.
É quase como se ele estivesse flutuando sobre a história, observando tudo, mas também sabendo os segredos. Eu, pessoalmente, gosto quando o onisciente é um pouco misterioso, não entregando tudo de uma vez.
Ah, e tem uma coisa, às vezes a gente encontra uns livros que brincam com isso, sabe? Começa com um tipo e, de repente, muda a perspectiva, ou um personagem se torna o narrador por um tempo. Isso é uma loucura, deixa a gente meio confuso, mas é bem interessante quando bem feito.
A minha tia, a Lúcia, ela é professora de português, e sempre diz que é importante prestar atenção nessas mudanças porque elas alteram totalmente como a gente entende a história.
É, tipo assim, a escolha do narradorr muda totalmente o clima do livro. Se é pra ser mais íntimo, pessoal, vai no personagem. Se é pra ser mais objetivo, talvez o observador. E se o autor quer ter controle total da informação, ele escolhe o onisciente. É um poder e tanto.
Quem tá escrevendo, tipo meu primo, o Pedro, que tenta escrever uns contos, ele sempre fica quebrando a cabeça com isso. Ele me mostrou uns rascunhos outro dia e tinha uns erros de concordância sinistro. Mas ele tá aprendendo! É o que importa, né?
Como pode ser o narrador quanto à ciência?
Era uma tarde quente de verão, lá pelos meus 15 anos, sabe? Estava na biblioteca da escola, aquele cheiro de papel velho no ar, tentando decifrar um livro de física que parecia escrito em grego antigo. A professora, Dona Cláudia, era fera, mas explicava de um jeito que meu cérebro parecia entrar em curto. Naquele dia, ela falou sobre as maneiras de contar uma história, e como isso se aplica a quem narra um livro.
Ela disse que o narrador pode saber tudo, tipo um deus vendo a história de fora. Isso é a focalização onisciente. Imagina o cara que escreve sabe o que cada personagem pensa, o que vai acontecer lá na frente, o que aconteceu no passado. Nada escapa. Era como se a Dona Cláudia soubesse exatamente a minha frustração naquele momento com o livro de física.
Mas aí tem outra coisa, a focalização interna. Aí o narrador é um personagem. Ele vê as coisas só do ponto de vista dele. Sabe tudo que ele pensa, sente, mas sobre os outros, só o que ele percebe. Tipo quando eu tentava conversar com a Júlia, a garota que eu gostava. Eu só sabia o que eu sentia, o que eu pensava que ela sentia, mas nunca tinha certeza. A gente nunca sabe o que o outro tá pensando de verdade, né?
E por último, a focalização externa. Essa é a mais seca, na minha opinião. O narrador só conta o que vê e ouve. Tipo uma câmera. Sem saber nada de dentro, só o movimento, as falas. Era o que eu sentia quando olhava pra Dona Cláudia explicando e não entendia nada, ela parecia uma atriz num palco e eu só a plateia, vendo a cena se desenrolar sem acesso aos bastidores da cabeça dela.
Resumindo a parada:
- Focalização Onisciente: O narrador sabe TUDO. Pensamentos, sentimentos, passado, futuro. Deus da história.
- Focalização Interna: Narrador é personagem, sabe o que ele pensa/sente. Dos outros, só o que ele percebe.
- Focalização Externa: Narrador é tipo câmera. Só o que acontece e é falado. Sem acesso interior.
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