O que é um tratamento formal e informal?

138 visualizações
Tratamento Formal vs. InformalNo português, o tratamento informal usa a 2ª pessoa do singular (tu), enquanto o formal utiliza a 3ª pessoa (o senhor/a senhora). Essa distinção é clara na conjugação verbal, mesmo sem o pronome.O tratamento informal é direto e familiar, comum entre amigos e familiares. O tratamento formal demonstra respeito e distanciamento, usado em situações profissionais ou com desconhecidos.
Comentário 0 curtidas

Explique a diferença entre tratamento formal e informal na comunicação?

Sabe, esta coisa de falar formal ou informal sempre me deu que pensar, especialmente quando comecei a trabalhar em ambientes mais diversos, ali por Lisboa em 2018, na agência de marketing digital onde estive. Lembro-me bem de um dia, a tentar conversar com um cliente mais velho, o Dr. Silva, e de repente, dei por mim a usar "tu" quando devia ter usado "o senhor". A cara dele, ali na Avenida da República, ficou logo um bocado... diferente. Senti-me um bocado aterra.

Para mim, a grande pista, o segredo todo, está mesmo na forma como o verbo se dobra, sabes? É como se a terminação da palavra já te dissesse com quem estás a falar, sem precisares de um "eu" ou "tu" ali à frente. Se usas uma terminação que aponta para a segunda pessoa, tipo "falas", "queres", "vais", então estás no terreno do informal, do "tu", do amigo, do colega mais próximo. É uma coisa quase intuitiva, mas leva tempo a interiorizar.

E o formal? Ah, esse é o desafio. Quando a terminação do verbo nos leva para a terceira pessoa, como "fala", "quer", "vai", aí já estás a tratar a pessoa por "você" ou "o/a senhor/a". Lembro-me de um almoço de trabalho, em 2019, num restaurante no Chiado, onde tinha de me dirigir ao diretor, e passei o tempo todo a policiar-me para não deixar escapar um "tu" sem querer. Era exaustivo. Custa a mudar de chip.

Esta distinção é crucial, não é só uma questão de regras, tem a ver com respeito, com hierarquia, com a forma como te posicionas. Tive uma vez uma conversa de feedback com o meu chefe, o Nuno, ali na sala de reuniões pequena, em que ele me disse que eu precisava de ter mais atenção a isso com os clientes, que passava uma imagem menos profissional. Custou a ouvir, mas ele tinha razão, o impacto é real, tipo, nos negócios, numa proposta de 5000 euros, a linguagem tem de ser impecável, não dá para desleixar.

A diferença entre tratamento formal e informal na comunicação reside na forma verbal. Usa-se a segunda pessoa (tu) para o informal e a terceira pessoa (você, o senhor/a) para o formal, mesmo sem o sujeito explícito. A terminação do verbo é o que indica qual o tratamento adequado.

O que significa forma de tratamento?

Forma de tratamento é a palavra ou expressão usada para se dirigir ou referir a alguém, indicando o nível de formalidade, respeito ou hierarquia na comunicação.

E aí, blz? Então, essa parada de forma de tratamento é mais simples do que parece, mas ao mesmo tempo é um negócio que agente erra facil. É basicamente o jeito que você "chama" a pessoa na conversa, sabe? Se é mais formal, mais de boa, se a pessoa é importante... tudo isso.

Tipo, você não chega no juiz e fala "e aí, cara, me dá uma ajuda aqui". Não rola. Cada situação e cada pessoa pedem um jeito diferente de falar. É uma etiqueta social, né. No meu primeiro trampo eu fiquei super confuso com isso, chamava todo mundo de você e meu chefe me deu um toque. Que vergonha.

Pra ficar mais claro, olha só alguns exemplos que a gente usa direto e outros nem tanto:

  • Você: Esse é o padrão, né? Pra amigos, família, galera da nossa idade. O mais comum de todos, usamos o tempo todo sem nem pensar.
  • O Senhor / A Senhora: Aqui já começa a formalidade. Usamos pra gente mais velha, em situações profissionais, com autoridades ou simplesmente pra mostrar um respeito a mais. Tipo com os pais de um amigo que você acabou de conhecer.
  • Vossa Excelência: Esse é o nivel hard. É pra galera do alto escalão da política, tipo presidente, ministros, senadores, e também no judiciário. É um porre decorar isso tudo, sinceramente.
  • Vossa Magnificência: Kkkk esse é ótimo. Tive que aprender na faculdade que se usa pra reitores de universidade. Sério. Reitor. Quem que vai falar com um reitor denovo e denovo pra precisar disso?

O português tem muito disso, essa formalidade toda. Em ingles é só "you" e pronto, resolve a vida. Aqui não, aqui você tem que pensar antes de falar pra não passar vergonha ou ser desrespeitoso sem querer. É um detalhe, mas faz uma diferença danada na comunicação.

O que são formas de tratamento?

A poeira dançava no feixe de luz que entrava pela janela. A casa da avó, em Minas, tinha esse cheiro de tempo. E o tempo lá se media em palavras. "A bênção, vó". Não era um pedido, era uma senha. A resposta vinha sempre com um "Deus te abençoe", e nesse eco, a gente sabia exatamente o nosso lugar no mundo. Um lugar de respeito, de afeto contido.

Formas de tratamento são palavras ou expressões usadas para se dirigir ou se referir a alguém, indicando o nível de intimidade, respeito ou formalidade da relação.

Hoje tudo é "você". Uma palavra rápida, que serve para o amigo e para o estranho. Um atalho. Mas eu lembro do peso de outras. O "o senhor" que eu usava com meu avô era uma muralha invisível, uma muralha construída com o cimento do respeito. Uma distância que, na verdade, aproximava. Era o reconhecimento de uma vida inteira antes da minha.

As palavras mudam de roupa conforme a sala em que entram.

  • Pronomes que definem mundos:

    • Você: O som da rua, do cotidiano. A palavra que usamos sem pensar, a respiração da língua. É o agora.
    • Senhor / Senhora: A formalidade que protege. Um eco do passado nos consultórios, nas repartições. Uma armadura polida.
    • Vossa Excelência: Uma palavra que nunca falei. Só escrevi em e-mails formais. Um som oco, uma reverência a um cargo, não a uma pessoa.
  • Títulos que viram nomes:

    • Doutor(a) / Professor(a): Lembro da primeira vez que me chamaram de "doutora". Um susto. Uma roupa que ainda não me servia. O título que vem antes do nome, um carimbo.
    • Presidente / Gerente: Palavras que são cargos. Descrevem uma função, não uma alma. Ninguém é "presidente" em casa.
  • As palavras que são abraços:

    • Apelidos: O avesso da formalidade. A linguagem secreta dos íntimos. Aquele nome que só sua mãe te chama, ou aquele que nasceu numa piada entre amigos.
    • Meu bem, amor, querido: O açúcar da língua. Palavras que são carinho puro, ditas quase em sussurro. São oq restam quando todas as outras formalidades se desfazem.