Quais são as técnicas vocais que existem?

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As técnicas vocais englobam registros como a voz de peito, mais natural e ressonante no tórax, e a voz de cabeça, para notas mais altas. Incluem ainda voz mista, vibrato, falsete, yodeling, correias e escoriações, essenciais para controlar e expandir o alcance vocal de forma versátil.
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Técnicas vocais: quais existem e como usá-las?

Sempre me perguntei sobre as técnicas vocais, sabes. No início, quando comecei a cantar, lá para 2017, parecia tudo uma grande confusão. A gente só queria soar bem, mas há um mundo inteiro por trás da voz.

Uma das primeiras coisas que me fascinou foi a diferença entre a voz de peito e a voz de cabeça. A voz de peito é aquela que sentes vibrar bem no tórax, uma coisa mais natural, sabe? Lembro-me de sentir essa ressonância ao cantar fado, por exemplo, lá no Bairro Alto, em Lisboa, numas noites de copos com amigos. É a tal voz modal, bem no centro do corpo.

Depois, para aqueles agudos mais brilhantes, a gente tem que ir para a voz de cabeça. A minha antiga professora, a Dona Fátima, lá em Coimbra, sempre me dizia para imaginar que estava a cantar para o céu. Sentia-a a vibrar na parte de cima da cabeça, lá para o crânio. É o registo mais alto, sim, mas exige mais controlo para não parecer um guincho.

E a técnica que junta as duas é a voz mista. Ah, essa foi um desafio enorme! No começo, sentia uma quebra, como se tivesse que trocar de voz a meio de uma frase. Foi preciso muito treino, muitas horas de prática em casa, com o meu teclado velho, lá para 2019, para fazer a transição suave, sem esforço, como se fosse uma coisa só. É a tal ponte.

O vibrato, para mim, é uma coisa que aparece quando a voz está relaxada. Aquela ligeira ondulação no som, que dá um certo calor, uma emoção à nota. Nunca gostei daquele vibrato forçado, que parece que a pessoa está a tremer. Lembro-me de ouvir um cantor de jazz, em Aveiro, que tinha um vibrato tão natural, tão bonito, que me inspirou muito.

Quanto ao que chamam de correias, eu percebo como o famoso "belting". É quando a voz ganha uma potência enorme, tipo um grito afinado mas com técnica, sem magoar as cordas. No ano passado, num workshop de teatro musical no Porto, aprendi a projetar o som com o diafragma, sem forçar a garganta, para atingir essas notas mais poderosas. Não foi barato, mas valeu cada cêntimo.

O falsetto, ah, esse é o registo mais leve e arejado, que muitos homens usam para atingir notas muito agudas. Não é a mesma coisa que a voz de cabeça, é mais uma "falsa voz", sabes? Eu uso-o para brincar com a voz, para imitar certas personagens, tipo quando canto "Stayin' Alive" dos Bee Gees, nas festas de anos da família.

E as escoriações, que é um nome estranho, mas eu entendo como aquele efeito mais rouco, tipo um drive ou raspagem controlada. É para dar um toque mais cru, mais rock, sabes? Usei muito isso quando cantava com uma banda de covers, lá em 2020, mas é preciso ter cuidado para não magoar a garganta. Uma vez, forcei demais e fiquei rouco por dois dias.

Por fim, o yodeling! Essa técnica é uma arte por si só. É aquela mudança super rápida e repetida entre a voz de peito e a voz de cabeça, um verdadeiro malabarismo vocal. Tentei aprender umas vezes, para rir, mas nunca consegui dominar aquilo. É impressionante ver alguém fazer bem, um vai e vem da voz, tipo uma música da montanha.

Quais são os tipos de exercícios vocais?

Os tipos de exercícios vocais se dividem em categorias funcionais:

  • Exercícios de respiração: Focados no controle do fluxo de ar e no apoio diafragmático.
  • Exercícios de ressonância: Para explorar e amplificar o som nas cavidades de ressonância (face, cabeça, peito).
  • Exercícios de articulação: Destinados a aprimorar a clareza e precisão da fala.
  • Exercícios de aquecimento e desaquecimento: Preparam as pregas vocais para o uso e as relaxam após o esforço.
  • Exercícios de extensão e flexibilidade: Trabalham escalas, arpejos e a agilidade da voz.

A voz é um instrumento fascinante, porque é parte de nós. Não dá pra comprar uma nova se a gente estragar. Por isso, a prática vocal é menos sobre "malhar" e mais sobre autoconhecimento.

Vamos desdobrar isso de um jeito mais palpável.

Respiração é o motor de tudo. A gente passa a vida toda respirando no automático, mas para usar a voz com intenção, o controle do diafragma é essencial. Um exercício clássico é o do "s" contínuo: inspire profundamente, sentindo a barriga expandir, e solte o ar fazendo um som de "sssssssss..." longo e estável. O objetivo não é esvaziar o pulmão rápido, mas controlar a saída de ar. É o que dá sustentação pra nota.

Ressonância é onde a mágica acontece. É o que dá cor e volume à voz. Sem isso, o som é só um sopro fraco saindo da laringe.

  • Vibração de lábios (o famoso "Brrrr"): Esse é um clássico absoluto. Ele aquece e, ao mesmo tempo, te força a manter um fluxo de ar constante. O segredo é sentir a vibração nos lábios e no nariz. É meio que uma massagem para as pregas vocais.
  • Humming (som de "Mmm"): Feche a boca e produza um som de "mmm", sentindo a vibração na máscara facial (ao redor do nariz e da testa). Varia a altura do som, subindo e descendo suavemente. Na pratica, você está ensinando o som a usar os amplificadores naturais do seu corpo.

Articulação é a clareza da mensagem. De que adianta ter uma voz potente se ninguém entende o que você diz? Aqui o foco é na língua, lábios e mandíbula.

  • Trava-línguas: São ótimos, mas comece devagar. Fale "O rato roeu a roupa do rei de Roma" articulando exageradamente cada sílaba. A velocidade vem depois.
  • Bocejar e massagear: O bocejo que você mencionou é ótimo. Ele não é um exercício em si, mas um preparo. Ele relaxa a mandíbula e abre espaço na parte de trás da boca, o que é fundamental pra um som mais livre. Eu sempre faço isso antes de reuniões importantes.

A hidratação e o repouso são a base.Beber água em temperatura ambiente não é só para relaxar a laringe ao engolir. É sobre manter as pregas vocais, que são mucosas, hidratadas por dentro. Pensa nelas como duas cordas de gelatina vibrando. Se estiverem secas, o atrito é maior e o risco de lesão aumenta.

E o repouso vocal é o descanso do guerreiro. Ficar em silêncio por uns minutos antes de um esforço intenso é como meditar. Acalma a ansiedade e "zera" o aparelho fonador. A voz é a ponte entre nosso mundo interior e o exterior; cuidar dela é cuidar de como nos expressamos no mundo.