Porque cada país tem uma língua de sinais diferente?

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O principal motivo de por que cada país tem uma língua de sinais diferente envolve fatores históricos. Hoje, estima-se que existem entre 130 e 300 línguas de sinais diferentes em todo o mundo. A Língua de Sinais Americana e a francesa compartilham 58% do vocabulário base, enquanto a americana coincide apenas 31% com a britânica.
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Por que cada país tem uma língua de sinais diferente? Mais de 130

É muito comum questionar por que cada país tem uma língua de sinais diferente, pois muitos imaginam a existência de uma única versão mundial. Entender os motivos dessa separação linguística evita frustrações ao tentar se comunicar em viagens internacionais. Continue lendo para descobrir a fascinante origem histórica dessa separação.

Por que cada país tem uma língua de sinais diferente?

As línguas de sinais não são universais.
Cada país desenvolve a sua própria língua devido ao isolamento geográfico e à evolução cultural local das comunidades surdas.

Estima-se que existam entre 130 e 300 línguas de sinais diferentes em todo o mundo.

Para ser sincero, a maioria das pessoas pensa que existe apenas uma versão mundial.

Eu também pensava assim no início.

Mas há um fator histórico muito contra-intuitivo que explica por que as línguas se dividiram tanto - e eu vou explicar isso na seção de história logo abaixo.

Muito além da mímica

A língua de sinais não é apenas gesticulação aleatória.
Ela possui gramática própria.
Sintaxe visual.
Expressões faciais estruturadas.
Tudo isso forma um idioma completo e complexo.
Quando pessoas surdas de diferentes regiões se encontram em um ambiente social, desenvolvem sistemas de comunicação mútua que evoluem organicamente ao longo dos anos.

A independência das línguas faladas

A lógica sugere que países com o mesmo idioma oral teriam a mesma língua de sinais - e isso surpreende muita gente - mas a realidade é exatamente o oposto.
A língua de sinais não é uma tradução gestual da língua falada local.

O caso da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da Língua Gestual Portuguesa (LGP) é o melhor exemplo.
O Brasil e Portugal partilham a língua portuguesa.
A lógica diria que a comunicação seria imediata.
Realidade?
Elas possuem estruturas gramaticais e sinais completamente diferentes.

Lembro da frustração na primeira vez que tentei assistir a um noticiário em LGP.
Meus olhos doíam de tanto tentar focar nos movimentos rápidos e o cansaço mental foi enorme.
Eu não entendia praticamente nada.
Isso acontece porque a raiz dessas línguas surge de forma espontânea na comunidade, sem depender das regras do idioma falado.

Origem das línguas de sinais e influências históricas

Aqui está aquele fator histórico que mencionei antes.
Muitas línguas de sinais se espalharam pelo mundo através de educadores que viajaram para fundar escolas para surdos, adaptando-se depois às culturas locais.

A Língua de Sinais Americana (ASL) foi fortemente influenciada pela Língua de Sinais Francesa no século 19, graças ao educador Laurent Clerc.
Hoje, a ASL e a língua francesa compartilham cerca de 58% do seu vocabulário base.
Em contrapartida, a ASL é quase ininteligível para um usuário da Língua de Sinais Britânica.
Apenas cerca de 31% dos sinais coincidem.

Parece estranho.
Americanos e britânicos falam inglês.
Mas os surdos americanos se comunicam melhor com os franceses do que com os ingleses.
O que isso nos diz?
A identidade cultural surda tem a sua própria linha do tempo e geografia.

Diferenças entre as principais línguas de sinais

Para entender o quão distintas elas podem ser, vejamos as diferenças práticas entre três idiomas comuns.

Libras (Língua Brasileira de Sinais)

  • Utiliza apenas uma mão para todas as letras
  • Forte influência da Língua de Sinais Francesa, trazida ao Brasil no século 19
  • Costuma focar na estrutura de Tópico-Comentário, muito visual e espacial

LGP (Língua Gestual Portuguesa)

  • Também utiliza apenas uma mão, mas com configurações diferentes do Brasil
  • Desenvolvida de forma autóctone com influência sueca no século 19
  • Possui expressões faciais e marcações corporais exclusivas de Portugal

ASL (American Sign Language)

  • Uma mão, mas com variações de velocidade dependendo da região dos EUA
  • Mistura da antiga língua de sinais de Martha's Vineyard com a francesa
  • Altamente dependente de classificadores visuais e ritmo próprio
A grande lição aqui é que aprender Libras não significa que você saiba ASL ou LGP. Cada uma exige um estudo dedicado, imersão na comunidade local e compreensão da cultura específica do país.

O choque cultural de Lucas em Lisboa

Lucas, um estudante de design de 22 anos em São Paulo, viajou para um intercâmbio em Portugal. Ele é surdo e fluente em Libras. Ele acreditava firmemente que a comunicação seria fácil porque, no fim das contas, ambos os países falam português.

Logo no primeiro dia, Lucas tentou pedir informações no metrô usando Libras. A sua tentativa inicial falhou miseravelmente - as pessoas surdas locais que encontrou não o entenderam. O alfabeto manual era diferente, os sinais básicos não faziam sentido. Ele sentiu um nó na garganta ao perceber que estava praticamente isolado.

A grande virada aconteceu quando ele parou de tentar forçar a Libras e começou a observar. Ele percebeu que precisava aprender a LGP como se fosse uma língua totalmente estrangeira. Ele passou a focar nas expressões faciais e na cadência rítmica da língua portuguesa, que eram o verdadeiro segredo.

Após 4 meses de esforço diário, Lucas relatou que sua fluência em LGP melhorou de forma drástica. Ele conseguiu fazer amigos e se comunicar no dia a dia, compreendendo finalmente que a comunidade surda dita as regras do idioma, e não as fronteiras da língua oral.

O que levar para casa

Independência total das línguas orais

Países que falam o mesmo idioma (como Brasil e Portugal ou EUA e Inglaterra) possuem línguas de sinais completamente diferentes.

As influências históricas importam mais

A migração de educadores moldou os idiomas. É por isso que a ASL americana tem quase 60% de similaridade com a língua francesa, e não com a britânica.

Criação natural e espontânea

As línguas de sinais nascem organicamente sempre que comunidades de surdos se reúnem, criando um ecossistema com cerca de 130 a 300 idiomas mundiais ativos hoje.

O que mais você precisa saber

A língua de sinais é universal?

Não. Não existe uma única língua de sinais no mundo. Cada comunidade surda desenvolve a sua própria língua de forma natural e espontânea, adaptando-se à cultura, história e necessidades locais do seu país.

Se quiser explorar mais, descubra qual é a língua de sinais universal?

Por que Libras não é igual a ASL?

Embora ambas tenham influência da Língua de Sinais Francesa, elas evoluíram em continentes diferentes, com influências culturais e indígenas distintas. A ASL absorveu elementos de línguas locais nos EUA, enquanto a Libras se misturou com gestos e tradições brasileiras.

Se um surdo do Brasil for para os EUA, ele consegue se comunicar?

Não imediatamente. Ele precisará aprender a ASL. Embora existam alguns sinais básicos e classificadores visuais que podem ajudar numa comunicação de sobrevivência, a gramática e o vocabulário são completamente diferentes.