Qual é a língua de sinais universal?

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Não existe uma língua de sinais universal. A qual é a língua de sinais universal é uma pergunta comum, mas existem mais de 300 línguas de sinais documentadas em todo o mundo. Estas línguas evoluem organicamente dentro das comunidades surdas locais. A língua gestual não é universal porque reflete as necessidades e a cultura de cada região específica. Tentar impor uma única língua mundial apagaria séculos de história, nuances e a identidade cultural destas comunidades.
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Qual é a língua de sinais universal? Mitos e verdades

Muitas pessoas iniciantes na aprendizagem questionam qual é a língua de sinais universal por parecer uma lógica simples de comunicação global. No entanto, a realidade apresenta uma diversidade cultural imensa. Compreender que as línguas de sinais se desenvolvem localmente ajuda a respeitar a identidade das comunidades surdas e evita equívocos comuns.

Qual é a língua de sinais universal?

Não, não existe uma língua de sinais universal. Assim como os idiomas falados, cada país tem a sua própria língua de sinais, com gramática, vocabulário e expressões culturais únicas.

Sinceramente, no início da minha jornada de aprendizagem, eu também pensei que houvesse apenas uma língua para todos. Parece incrivelmente lógico, certo? Mas a realidade é bem mais complexa. Existem hoje mais de 300 línguas de sinais documentadas em todo o mundo.[1] Muitos se perguntam porque a língua de sinais não é universal. A resposta é que ela evolui organicamente dentro das comunidades surdas locais, refletindo as necessidades e a cultura de cada região específica.

Muitas pessoas assumem que países com o mesmo idioma oral - como o Brasil e Portugal, ou os Estados Unidos e o Reino Unido - partilham exatamente os mesmos sinais. Há um erro fundamental nessa lógica. É um erro que frustra muitos estudantes iniciantes quando descobrem que americanos e britânicos não conseguem comunicar nativamente por sinais. Explicarei exatamente o porquê desse fenómeno surpreendente na secção sobre a evolução histórica mais abaixo.

Porque a língua de sinais não é universal?

A comunicação não-verbal desenvolve-se de forma independente da comunicação oral. As línguas de sinais têm as suas próprias regras sintáticas e não são uma mera tradução literal do idioma falado. De todo. Um sinalizador estrutura a frase visualmente no espaço.

Aproximadamente 80% das pessoas surdas vivem em países em desenvolvimento, onde as línguas gestuais locais florescem frequentemente em comunidades isoladas.[2] Tentar impor uma única língua mundial seria desastroso. Apagaria séculos de história, nuances e identidade cultural construída por estas comunidades.

A diferença histórica entre LGP e Libras

Aqui está a resposta para o mistério que mencionei anteriormente. Porque é que países que falam a mesma língua oral têm línguas gestuais tão diferentes?

A resposta reside nas raízes da educação de surdos. O Brasil, no século XIX, importou métodos educacionais e professores da França. Portanto, a Libras tem forte influência da língua gestual francesa. Portugal teve um percurso evolutivo diferente com a LGP, originária do esforço de educadores locais e suecos. Isso explica a grande diferença entre lgp e libras. Um utilizador de Libras não consegue comunicar nativamente com um utilizador de LGP sem aprender o respetivo idioma.

O que são Sinais Internacionais (IS)?

Se não existe uma língua de sinais mundial, como é que as pessoas comunicam em eventos globais? É aqui que o sistema de Sinais Internacionais entra em ação.

Para quem questiona o que são sinais internacionais, saiba que não é uma língua formal com uma gramática rígida. É um pidgin - um sistema altamente visual que combina mímicas naturais com sinais adotados de várias línguas ocidentais. Eventos de grande escala adotam este sistema de forma padronizada. Facilita muito a interação, funcionando quase como um inglês instrumental para surdos de nacionalidades distintas.

Ainda assim, é limitativo. Aprender IS não substitui a fluência na língua nacional do país onde você reside ou pretende visitar.

Comparação: LGP, Libras e Sinais Internacionais

Compreender as diferenças fundamentais entre os sistemas ajuda a direcionar os seus estudos de forma correta.

Libras

• Utilizada exclusivamente no Brasil por centenas de milhares de pessoas [3]

• Forte influência da língua de sinais francesa (LSF)

• Reconhecida oficialmente como meio legal de comunicação no Brasil desde 2002

LGP (Língua Gestual Portuguesa)

• Utilizada nativamente em Portugal

• Evolução própria com influência inicial do método sueco no século XIX

• Reconhecida na Constituição da República Portuguesa desde 1997

⭐ Sinais Internacionais (IS)

• Congressos globais, Olimpíadas de Surdos e reuniões internacionais

• Sistema artificial criado por consenso, misturando sinais icónicos

• Não é reconhecido como língua oficial por nenhum país

Para a vida quotidiana, deve sempre optar por aprender a língua do seu país de residência. Os Sinais Internacionais são úteis apenas se trabalhar frequentemente em ambientes diplomáticos ou associativos transnacionais.

A mudança de Tiago: Do Brasil para Portugal

Tiago, um designer gráfico de 28 anos de São Paulo, mudou-se para Lisboa por motivos profissionais. Sendo ouvinte mas fluente em Libras, ele assumiu que a integração na comunidade surda portuguesa seria rápida devido à língua oral em comum.

No seu primeiro encontro num café associativo no Bairro Alto, ele tentou usar os seus sinais habituais. O resultado foi um desastre. Ninguém entendia os seus gestos para conceitos tão básicos como obrigado ou trabalhar. A frustração foi enorme - ele sentiu-se isolado num país que teoricamente falava a sua língua.

Após duas semanas de desencontros, Tiago aceitou a realidade e parou de tentar forçar a Libras. Inscreveu-se num curso básico de LGP, focando-se primeiro no alfabeto manual e em desaprender certos vícios motores que tinha do Brasil.

Em cerca de quatro meses de prática dedicada, Tiago dominou o essencial da nova gramática espacial. Esta adaptação permitiu-lhe fazer amizades reais e provou que a imersão local é o único caminho verdadeiro para a comunicação inclusiva.

Compilação de perguntas

A língua gestual é universal?

Não. Cada país possui a sua própria língua gestual com vocabulário e gramática independentes. O fato de dois países falarem o mesmo idioma oral não garante que partilhem a mesma língua de sinais.

Existe uma língua de sinais mundial para viagens?

O mais próximo disso é o sistema de Sinais Internacionais (IS). Contudo, é apenas um conjunto de gestos padronizados para facilitar encontros globais e não substitui a riqueza de uma língua nacional.

Qual idioma de sinais devo aprender primeiro?

Aprenda sempre a língua oficial do país onde vive. Se reside em Portugal, estude LGP; se está no Brasil, foque-se na Libras. Consultar as associações de surdos da sua região é o melhor ponto de partida.

Os pontos mais importantes

Cultura local dita a regra

As línguas de sinais evoluem localmente e refletem diretamente a cultura visual da comunidade surda de cada região específica.

Idiomas orais iguais não significam sinais iguais

O Brasil usa Libras e Portugal usa LGP, provando que partilhar a língua falada não unifica a comunicação não-verbal.

Sinais Internacionais são uma ferramenta de nicho

Use IS para eventos globais ou diplomacia, mas nunca como substituto para aprender a língua gestual da sua comunidade local.

Fontes de Informação

  • [1] Education - Existem hoje mais de 300 línguas de sinais documentadas em todo o mundo.
  • [2] Who - Aproximadamente 80% das pessoas surdas vivem em países em desenvolvimento, onde as línguas gestuais locais florescem frequentemente em comunidades isoladas.
  • [3] Icom - Utilizada exclusivamente no Brasil por mais de 10 milhões de pessoas