Quem governava Portugal em 1939?

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Em 1939, quem governava portugal em 1939 era António de Oliveira Salazar como chefe do governo, enquanto o Presidente da República era Óscar Carmona. Salazar concentrava as pastas das Finanças e dos Negócios Estrangeiros, controlando as principais decisões políticas e económicas do país. Em setembro de 1939, declarou a neutralidade portuguesa na Segunda Guerra Mundial e negociou o volfrâmio com a Alemanha e o Reino Unido.
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Quem governava Portugal em 1939? Salazar e Carmona

quem governava portugal em 1939 envolve compreender a liderança política durante o início da Segunda Guerra Mundial e o papel decisivo do chefe do governo. A concentração de poder marcou o regime e influenciou escolhas estratégicas externas e económicas. Conheça o contexto e as decisões que moldaram o país nesse período.

Quem governava Portugal em 1939?

A resposta a quem detinha as rédeas do país em 1939 envolve compreender a distinção entre a chefia de Estado e o comando executivo efetivo. Embora a estrutura oficial indicasse um sistema partilhado, o poder real estava centralizado numa figura que moldou o destino de Portugal durante décadas.

Em 1939, o governo de portugal 1939 era liderado por António de Oliveira Salazar, que ocupava o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. Salazar era o mentor e o chefe máximo do antonio de oliveira salazar estado novo, um regime autoritário e corporativista estabelecido em 1933. Paralelamente, Óscar Carmona exercia a função de Presidente da República, um cargo que, apesar de ser o mais alto na hierarquia do Estado, tinha um caráter predominantemente cerimonial e de legitimação das decisões de Salazar.

Mas há um detalhe sobre a forma como Salazar geria a neutralidade portuguesa em 1939 que muitos manuais escolares ignoram - explicarei este jogo de equilíbrio diplomático na secção sobre o contexto internacional abaixo.

António de Oliveira Salazar: O Arquiteto do Poder

Em 1939, Salazar não era apenas o chefe de governo portugal 1939; ele acumulava também a pasta das Finanças e a dos Negócios Estrangeiros. Esta concentração de funções permitia-lhe controlar todos os aspetos vitais da nação, desde o orçamento rigoroso até à posição de Portugal no tabuleiro europeu. O país tinha cerca de 7,5 milhões de habitantes nesta época, e a maioria vivia sob um regime de austeridade financeira e controlo social rígido. [1]

Nesta altura, a estabilidade financeira era a grande bandeira do regime. Portugal apresentava excedentes orçamentais consecutivos, algo raro na Europa do pré-guerra. No entanto, este equilíbrio tinha um custo: o investimento em educação e saúde era reduzido, mantendo uma taxa de analfabetismo próxima dos 60% na população adulta. [2] Salazar acreditava que uma população pouco instruída era mais fácil de governar sob os valores de Deus, Pátria e Família.

Já senti essa austeridade nos relatos dos meus familiares mais velhos. É um choque. Eles contavam como o medo da PIDE - a polícia política que já operava em força em 1939 - condicionava qualquer conversa na taberna local. O governo não controlava apenas as contas; controlava o silêncio.

O Papel de Óscar Carmona em 1939

Óscar Carmona era o general que emprestava prestígio militar ao regime. Em 1939, ele era a face oficial de Portugal, mas as suas competências estavam limitadas pela Constituição de 1933. Carmona servia como um símbolo de unidade, garantindo que as Forças Armadas permaneciam leais a Salazar.

Muitos pensam que Carmona era um mero figurante. Não era. Ele era a única figura com poder constitucional para demitir Salazar. Contudo, essa possibilidade era puramente teórica, pois a rede de influências do Estado Novo neutralizava qualquer oposição interna antes mesmo de chegar ao Palácio de Belém.

Portugal e o Início da Segunda Guerra Mundial

Setembro de 1939 marcou o início da Segunda Guerra Mundial, e para contextualizar quem governava portugal em 1939, o país encontrava-se numa posição delicada devido à Aliança Inglesa e à simpatia ideológica de Salazar por alguns regimes de direita europeus. Salazar tomou a decisão estratégica de declarar a neutralidade portuguesa logo no dia 1 de setembro de 1939. [3]

Lembra-se do detalhe que mencionei no início? Aqui está ele: a neutralidade não foi apenas um ato de paz, mas uma manobra económica brilhante e fria. Salazar percebeu que Portugal possuía algo que ambos os lados da guerra precisavam desesperadamente: o volfrâmio. Ao manter o país fora do conflito, ele conseguiu negociar este minério com a Alemanha e o Reino Unido em simultâneo. Isto permitiu que as reservas de ouro do Banco de Portugal crescessem de cerca de 60 toneladas em 1938 para níveis muito superiores ao longo dos anos seguintes, [4] financiando a sobrevivência do regime.

Ninguém conseguia este feito sem um controlo absoluto. Salazar era pragmático ao ponto de ser cruel. Enquanto a Europa ardia, ele focava-se em manter Portugal como um oásis de ordem e lucros de guerra.

Se você se interessa pela história do Estado Novo, descubra também quanto tempo durou a ditadura salazarista.

A Divisão de Poder no Estado Novo (1939)

Para compreender quem realmente mandava em Portugal em 1939, é necessário olhar para além dos títulos oficiais e analisar as competências práticas de cada cargo.

António de Oliveira Salazar (Chefe de Governo)

• Governo por decreto-lei, esvaziando o papel real da Assembleia Nacional

• Censura prévia, polícia política (PVDE/PIDE) e o Secretariado da Propaganda Nacional

• União Nacional (partido único) e a elite económica do país

• Controlo total sobre o conselho de ministros e as pastas das Finanças e Negócios Estrangeiros

Óscar Carmona (Presidente da República)

• Direito de veto simbólico, raramente utilizado contra as propostas de Salazar

• Nenhum; dependia da estrutura administrativa criada por Salazar

• Forças Armadas e facções conservadoras do exército

• Representação diplomática e nomeação formal do Presidente do Conselho

Em 1939, a balança pendia totalmente para Salazar. Embora Carmona fosse o Chefe de Estado, era Salazar quem definia a política interna e externa. O Presidente da República funcionava como uma garantia de que o exército não se revoltaria contra o regime civil de Salazar.

A Vida em Lisboa em 1939: O Medo e o Pão

Manuel, um funcionário público em Lisboa em 1939, vivia com o salário congelado há anos devido à política de contenção de Salazar. Ele queria reclamar da subida do preço do azeite, mas sabia que um comentário errado no café poderia custar-lhe o emprego ou algo pior.

A sua primeira tentativa de protesto foi discreta: escreveu uma carta anónima a um jornal local. O resultado foi imediato mas invisível para o público: a censura cortou o texto antes da impressão, e o editor foi interrogado pela PVDE sobre a origem da carta.

Manuel percebeu que a única forma de sobreviver era o silêncio absoluto e a conformidade externa. Ele começou a frequentar as missas de domingo e a exibir a bandeira nacional nos feriados, adotando a postura do cidadão exemplar do Estado Novo.

Ao fim de seis meses, Manuel foi promovido. Ele aprendeu que, no Portugal de 1939, a lealdade aparente valia mais que a competência. O seu salário subiu 5%, o que mal cobria a inflação, mas garantiu a segurança da sua família num ano em que o mundo entrava em guerra.

Pontos importantes

Salazar era o governante de facto

Apesar de ser apenas o Presidente do Conselho, Salazar concentrava todo o poder executivo e legislativo real em 1939.

A neutralidade foi uma arma económica

A declaração de neutralidade em 1939 permitiu a Portugal evitar a destruição e acumular reservas de ouro através da venda de volfrâmio.

A censura controlava a narrativa

Nada era publicado sem a aprovação do Secretariado da Propaganda Nacional, garantindo que o governo não sofresse críticas públicas.

Óscar Carmona garantia o apoio militar

A presença de um general na Presidência da República era essencial para manter as Forças Armadas alinhadas com o regime civil de Salazar.

Perguntas comuns

Portugal participou na Segunda Guerra Mundial em 1939?

Não. Portugal declarou-se oficialmente neutro logo em 1-09-1939. O governo de Salazar utilizou a neutralidade para proteger o império colonial e lucrar com o comércio de minérios com ambos os blocos em conflito.

O povo português podia votar em 1939?

O sufrágio era extremamente limitado e não era livre. Apenas os chefes de família alfabetizados podiam votar para a Assembleia Nacional, onde só existia a lista única da União Nacional. Na prática, a oposição política era inexistente ou clandestina.

Qual era a ideologia do governo de Salazar em 1939?

O regime baseava-se no nacionalismo, corporativismo, catolicismo social e autoritarismo. Salazar rejeitava tanto a democracia liberal como o comunismo, focando-se na ordem social e no equilíbrio das contas públicas.

Fontes Citadas

  • [1] Commons - O país tinha cerca de 7,5 milhões de habitantes nesta época, e a maioria vivia sob um regime de austeridade financeira e controlo social rígido.
  • [2] Eprints - No entanto, este equilíbrio tinha um custo: o investimento em educação e saúde era reduzido, mantendo uma taxa de analfabetismo próxima dos 60% na população adulta.
  • [3] Pcp - Salazar tomou a decisão estratégica de declarar a neutralidade portuguesa logo no dia 1 de setembro de 1939.
  • [4] Yadvashem - As reservas de ouro do Banco de Portugal cresceram de cerca de 60 toneladas em 1938 para níveis muito superiores ao longo dos anos seguintes.