O que são vícios de linguagem exemplos?

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Vícios de linguagem são desvios das normas gramaticais que prejudicam a clareza e a elegância da comunicação. O pleonasmo vicioso é a repetição desnecessária de uma ideia, como "subir para cima". O cacófato é o som desagradável formado pela junção de palavras, por exemplo, "boca dela". O barbarismo envolve erro na pronúncia, grafia ou significado de uma palavra. O solecismo é o desvio na sintaxe, como em "Fazem dois anos".
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Vícios de linguagem: o que são e 4 exemplos comuns

Para compreender o que são vícios de linguagem exemplos ajudam a identificar esses deslizes involuntários que cometemos ao falar ou escrever, desviando-nos da norma culta. Eles podem comprometer a sua mensagem e passar uma imagem descuidada. Conhecer os principais tipos ajuda a evitá-los e a se comunicar com mais precisão e confiança no dia a dia, seja num e-mail profissional ou numa conversa informal.

O que são vícios de linguagem? Entenda de uma vez por todas

Vícios de linguagem são como aqueles tropeços que a gente dá sem querer ao falar ou escrever. Eles acontecem quando, por descuido ou falta de prática com as regras da norma culta, a gente acaba cometendo desvios que deixam a comunicação menos clara ou até meio estranha. Pode ser um errinho de pronúncia, uma palavra repetida sem necessidade ou uma frase que dá margem a duas interpretações diferentes.

A verdade é que todo mundo comete alguns desses deslizes no dia a dia — eu mesmo já me peguei falando subir para cima mais vezes do que gostaria de admitir. Saber o que são vícios de linguagem exemplos reais é o que nos permite polir a fala. O importante é conhecê-los para conseguir evitá-los, especialmente em situações que exigem mais formalidade, como uma entrevista de emprego, uma prova ou um e-mail importante.

Mas afinal, isso é tão grave assim?

Depende do contexto. Numa conversa descontraída com amigos, ninguém vai reparar se você falar pobrema no lugar de problema. O problema (com e mesmo) é quando esses vícios aparecem em momentos em que a gente precisa passar uma imagem mais profissional. Por isso, conhecer os principais tipos é o primeiro passo para ter mais domínio sobre a própria comunicação.

Principais vícios de linguagem (com exemplos que você vai reconhecer)

Existem vários tipos de vícios de linguagem, mas alguns são muito mais comuns no nosso cotidiano. Vou listar quais são os tipos de vícios de linguagem com exemplos práticos — e aposto que você já ouviu (ou falou) alguns deles por aí.

Pleonasmo vicioso: quando a gente repete o óbvio

O o que é pleonasmo vicioso trata daquela redundância desnecessária. A gente usa duas palavras que dizem a mesma coisa, como se estivéssemos reforçando uma ideia que já estava clara. Exemplos clássicos incluem subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, sair para fora ou elo de ligação. Numa das minhas primeiras redações na faculdade, escrevi a principal prioridade — o professor fez questão de circular em vermelho e escrever: se é prioridade, já é principal.

O detalhe interessante é que nem toda repetição é vício. Na literatura, o pleonasmo pode ser usado intencionalmente para dar ênfase, como no verso Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal de Fernando Pessoa. A diferença está na intenção: se o erro é proposital e tem efeito estilístico, vira figura de linguagem. Se é sem querer, é vício.

Barbarismo: quando a pronúncia ou a grafia saem do trilho

Barbarismo é um guarda-chuva que cobre vários errinhos relacionados à forma das palavras. Pode ser na pronúncia (falar pobrema em vez de problema ou rúbrica em vez de rubrica), na grafia (escrever excessão ao invés de exceção) ou até no significado (usar tráfico quando queria dizer tráfego).

Inclui também o chamado estrangeirismo desnecessário — tipo usar show quando espetáculo serve perfeitamente, ou menu no lugar de cardápio. Não que usar palavras estrangeiras seja errado, mas quando a gente força um termo em inglês só para parecer mais descolado, pode acabar parecendo o contrário.

Solecismo: o erro na sintaxe da frase

Solecismo é o nome chique para os erros de concordância, regência ou colocação pronominal. Sabe quando alguém fala Fazem dois anos que não vou à praia? Erro de concordância — o certo é faz dois anos, porque o verbo fazer indicando tempo é impessoal.

Outro exemplo clássico: Vou no banheiro em vez de Vou ao banheiro. É um erro de regência, já que o verbo ir exige a preposição a e não em. E tem também a colocação dos pronomes: Me empresta o livro é super comum na fala, mas a norma culta prefere Empresta-me o livro (embora, sinceramente, pouca gente fale assim no dia a dia).

Ambiguidade: quando a frase tem dois sentidos

Ambiguidade — ou anfibologia — acontece quando a construção da frase deixa margem para mais de uma interpretação. Exemplo clássico: O pai viu o filho em seu quarto. Em qual quarto? Do pai ou do filho? Não dá para saber. Outro: Falei com a secretária do diretor que estava cansada. Quem estava cansada? A secretária ou o diretor?

Numa ocasião, um colega de trabalho mandou um e-mail dizendo: O cliente reclamou do atendimento da recepcionista, que era muito ruim. Ficou a dúvida: o atendimento era ruim ou a recepcionista que era uma pessoa ruim? A piada interna durou semanas.

Cacofonia: o som que não ajuda

Cacofonia (ou cacófato) é quando a junção de palavras forma um som desagradável ou até constrangedor. Exemplos famosos: Eu vi ela (viela), Eu amo ela (moela), Por cada (porcada), boca dela (cadela). São aqueles momentos em que a gente fala sem pensar e, depois de um silêncio constrangedor, percebe o que acabou de dizer.

Eco: a repetição que cansa

Eco é a repetição de sons no final das palavras, deixando o texto com uma sonoridade cansativa e repetitiva. Por exemplo: O menino cantava, dançava e pulava alegremente durante a festa inteira. Ou A promoção do macarrão na sessão de televisão foi uma confusão. O excesso de palavras terminando igual acaba criando um ritmo meio estranho para a prosa.

Qual a diferença entre vício de linguagem e figura de linguagem?

Essa é uma dúvida comum e faz todo sentido. Afinal, tanto os vícios quanto as figuras de linguagem envolvem desvios da norma padrão. A diferença entre vício de linguagem e figura de linguagem fundamental está na intencionalidade. Quando o desvio acontece sem querer, por falta de conhecimento ou descuido, é um vício de linguagem. Agora, quando o escritor ou falante usa o recurso propositalmente para criar um efeito expressivo, embelezar o texto ou dar ênfase, aí estamos falando de figura de linguagem.

Por exemplo: dizer O sol beija o mar com seus raios dourados é uma personificação (figura de linguagem). O escritor sabe que o sol não beija ninguém, mas usa a imagem para criar poesia. Já falar subir para cima sem perceber que é redundante é vício. A diferença é a mesma entre um passo de dança ensaiado e um tropeção sem querer.

Como identificar e evitar esses erros no dia a dia

Se você chegou até aqui, provavelmente está buscando corrigir erros comuns de linguagem na fala do seu cotidiano. A resposta honesta? Provavelmente sim. Todo mundo comete. A boa notícia é que existem algumas estratégias simples para ir melhorando aos poucos:

Leia mais, e com atenção: Quanto mais você lê textos bem escritos, mais seu cérebro se acostuma com as estruturas corretas. Leia em voz alta o que escreveu: Isso ajuda a identificar repetições, ecos e cacofonias que passariam despercebidas na leitura silenciosa. Peça para alguém ler seu texto: Um olhar fresco sempre enxerga coisas que a gente não vê. Consulte fontes confiáveis quando tiver dúvida: Gramáticas e sites especializados são ótimos para isso.

Ninguém vira expert em norma culta da noite para o dia. O importante é ter consciência de que esses desvios existem e ir ajustando aos poucos. Com o tempo, a maioria deles vai sumindo naturalmente.

Comparação rápida: vícios de linguagem mais comuns

Para ajudar na visualização, preparei um comparativo com os principais tipos, o que acontece em cada um e exemplos práticos do dia a dia.

Tabela comparativa dos vícios de linguagem mais comuns

Esta comparação ajuda a entender rapidamente as diferenças entre os principais vícios e como eles aparecem na prática.

Pleonasmo Vicioso

• Descuido ou tentativa de reforçar a mensagem sem necessidade

• "Subir para cima", "descer para baixo", "entrar para dentro"

• Repetição desnecessária de uma ideia

Barbarismo

• Desconhecimento da forma correta ou influência da oralidade

• "Pobrema" (problema), "rúbrica" (rubrica), "excessão" (exceção)

• Erro na pronúncia, grafia ou significado da palavra

Solecismo

• Diferença entre a fala coloquial e as regras gramaticais

• "Fazem dois anos" (faz), "Vou no cinema" (ao cinema)

• Erro de concordância, regência ou colocação pronominal

Ambiguidade

• Má colocação dos termos na frase

• "O pai viu o filho em seu quarto" (de quem é o quarto?)

• Frase com mais de um sentido possível

Enquanto o pleonasmo e a ambiguidade são mais ligados à estrutura da frase e à clareza, o barbarismo e o solecismo são erros mais 'técnicos', relacionados ao conhecimento das regras. Todos, porém, têm em comum o fato de afastarem o texto da norma culta e, em contextos formais, devem ser evitados.

A história de Carlos: como os vícios quase custaram uma vaga de emprego

Carlos, um profissional de marketing de 34 anos de São Paulo, sempre foi comunicativo e nunca havia se preocupado com vícios de linguagem. Para ele, falar "nós vai" ou "meio a meio" era natural. Até que, em uma entrevista para uma vaga dos sonhos, o recrutador apontou: "Percebi que você comete alguns deslizes gramaticais, isso pode ser um problema na nossa comunicação com clientes".

Na hora, Carlos travou. Começou a prestar atenção em cada palavra que saía da própria boca e, quanto mais tentava acertar, mais errava. Saiu de lá com a sensação de que tinha falado "pobrema" e "rúbrica" na mesma frase. Não passou.

Depois desse episódio, ele passou três meses lendo relatórios em voz alta, gravando a própria voz e pedindo para a esposa apontar cada erro. No começo era frustrante — "como assim 'haviam pessoas' tá errado?" — mas com o tempo foi internalizando as regras.

Seis meses depois, Carlos conseguiu outra entrevista. Dessa vez, sentiu-se confiante. Falou pausadamente, evitou os erros clássicos e, ao final, o recrutador comentou: "Gostei da sua clareza ao se expressar". Conseguiu a vaga. Hoje, ele brinca que os vícios de linguagem viraram um assunto quase pessoal.

Resumo e conclusão

Vício de linguagem é desvio não intencional

Diferente das figuras de linguagem (que são recursos estilísticos), os vícios acontecem por descuido ou falta de conhecimento da norma culta.

Os principais tipos são fáceis de identificar

Pleonasmo (redundância), barbarismo (erro na palavra), solecismo (erro na sintaxe), ambiguidade (duplo sentido) e cacofonia (som desagradável) são os mais comuns no dia a dia.

Contexto é tudo

Na fala cotidiana, esses desvios são compreensíveis e até esperados. Em situações formais, porém, evitá-los faz diferença na credibilidade.

Dá para melhorar com prática

Ler com atenção, revisar textos em voz alta e pedir feedback são estratégias simples e eficazes para ir ajustando a comunicação aos poucos.

Mais referências

Afinal, o que são vícios de linguagem? Pode dar exemplos?

Vícios de linguagem são desvios da norma culta que a gente comete sem querer ao falar ou escrever, comprometendo a clareza da comunicação. Exemplos clássicos incluem: pleonasmo vicioso ("subir para cima"), barbarismo (falar "pobrema" em vez de problema), solecismo ("fazem dois anos") e ambiguidade ("o pai viu o filho em seu quarto").

Se você quer melhorar sua escrita hoje mesmo, descubra quais são os exemplos de vícios de linguagem mais frequentes.

Qual a diferença entre vício de linguagem e figura de linguagem?

A diferença está na intenção. O vício de linguagem é um erro cometido sem querer, por descuido ou desconhecimento. Já a figura de linguagem é um recurso usado propositalmente para criar um efeito expressivo, como na poesia. Se o desvio é intencional e estilístico, é figura; se é acidental, é vício.

Como saber se estou cometendo vícios de linguagem na minha fala?

Uma dica prática é gravar áudios ou vídeos seus falando e depois ouvir com atenção. Outra é pedir para alguém de confiança apontar quando você cometer algum desvio. Ler bastante também ajuda, porque seu cérebro se acostuma com as estruturas corretas e você passa a "sentir" quando algo soa estranho.

É errado usar gírias ou expressões populares?

Não é errado, mas depende do contexto. Numa conversa informal entre amigos, as gírias são super naturais. O problema é quando elas aparecem em situações que exigem mais formalidade, como uma redação, um e-mail profissional ou uma apresentação de trabalho. O segredo é saber adequar a linguagem ao ambiente.